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AILZA LIMA | Quem é a mais nova Pesqueirense a conquistar Título de Doutora?

Somos quem podemos ser. Sonhos que podemos ter. Pesqueirense conquista título de Doutora. Ela é de Papagaio, distrito de Pesqueira

Publicado em 28 de fevereiro de 2024 às 11:06
Atualizado há 2 meses

Texto: Águeda Lima

RECIFE e PAPAGAIO, DISTRITO DE PESQUEIRA (PE) – Na manhã desta terça-feira (27) um fato inédito envolvendo uma filha de agricultor e de merendeira Pesqueirense, aconteceu no Centro de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Recife, revelando a competência e talento de uma jovem cientista que conquistou o título de Doutora, após a defesa de sua tese ter sido aprovada pela banca de doutores da universidade.

       Ailza Maria de Lima Nascimento, conseguiu depois de muito tempo e dedicação apresentar o resultado da sua pesquisa na área da biologia reprodutiva vegetal. Sua bela trajetória no ambiente acadêmico começou muito cedo, desde quando foi alfabetizada numa escola de base na área rural de Pesqueira, concluindo seus nove anos de ensino fundamental na escola localizada no distrito de Papagaio, distante a 30 km da sede do município, onde Ailza viveu sua infância e parte da adolescência.

       Depois veio para a cidade onde terminou o ensino médio no Colégio Estadual Cristo Rei, sempre estudou em escola pública, não satisfeita, decidiu ir em busca do seu sonho de continuar seus estudos e entrou para o curso de gestão ambiental no Instituto Federal de Pernambuco (IFPE).  

       Pois bem, essa história inspiradora não termina aqui, porque além de concluir o nível superior com sucesso, esta jovem conseguiu angariar objetivos ainda maiores, indo direto para o mestrado, pulando a etapa de especialização, e tornou-se mestra em Desenvolvimento e Meio Ambiente pelo programa de Mestrado da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

       E mesmo já tento o título de mestra, o gosto pelo universo acadêmico parece que permaneceu vivo e pulsante, alimentando os sonhos desta jovem cientista em alcançar o título ainda mais notável de sua trajetória, ela foi em busca de uma realização ainda mais desafiadora e inscreveu sua pesquisa no programa de Pós-graduação em Biologia Vegetal, que possui o conceito máximo de avaliação na Capes, (nível doutorado) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), uma das universidades mais bem conceituadas do País.

       Depois da pesquisa ter sido aprovada com maestria, eis que vieram os próximos passos, realizar cada etapa na construção do saber científico, desenvolver sua tese de forma contundente, ao longo de quatro anos, para convencer a banca avaliadora que seus achados científicos mereciam a tão sonhada aprovação.

       Ailza escreveu sua pesquisa sobre: Respostas Reprodutivas de Populações de Cereus Jamacaru Dc. (Cactaceae) Submetidas a Diferentes Tipos de Manejo Tradicional em Áreas da Caatinga, utilizando métodos de observação e coleta de campo, bem como análise de dados dentro do laboratório de Biologia Floral e Reprodutiva – Polinizar da Universidade, sob a orientação da sua equipe de colaboradores da pesquisa, conseguiu a nobre conquista de ir além da aprovação da defesa da sua tese, e teve seu trabalho indicado para publicação em uma conceituada revista científica, onde um artigo seu já havia sido publicado.

       A aprovação da tese e título de Doutora para Ailza, traz uma mistura de sensações que envolve pioneirismo, euforia, orgulho e satisfação não só para ela, mas para todos os seus familiares e amigos que estiveram envolvidos direto ou indiretamente acompanhando de perto essa sua caminhada inspiradora e bem sucedida.

       “Hoje eu sou mais uma pessoa que enfrentou as dificuldades acentuadas pelas desigualdades estruturais, muitas carências nas escolas onde estudei, falta de qualquer suporte educacional e muitos obstáculos socioeconômicos para alcançar o mais alto nível de formação acadêmico no meu País”, disse Ailza em mensagem emocionante exposta na sua rede social, demostrando um pouco da sua capacidade e direcionamento que seguiu para superar as barreiras impostas pelas desigualdades sociais no âmbito educacional em nosso País.

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