Domingo, 05 de julho de 2020 hh:mm:ss

AIRTON MONTEIRO: VAMOS MONTAR NOSSA ÁRVORE DE NATAL?

“El mundo es lo que es y non lo que um hijo de puta llamado Einstein, disse que es”
(Nicanor Parra in En las Laderas de la Noche de Patricio Morcillo)

Publicado em 18 de junho de 2020 às 17:36
Atualizado há 2 semanas

Pois é minha gente. Chegamos ao meio do ano de 2020.

Tínhamos tantos planos pra ele, não era? O ano dos feriados! Já tinha gente planejando o que fazer com todos eles e com os imprensados!

Agradecemos a Nizan Guanaes pela grande e feliz ideia de montarmos já, nossa Árvore de Natal! É a única e melhor saída!

De repente, o ano tá se acabando e não dá mais tempo para nada.

E, sinceramente? Quer saber? Nem dá vontade de planejar o ano vindouro. Parece que 2020 foi um ano tão ruim que não nos deixou qualquer perspectiva. Dá um desânimo!

Mas, olhando direitinho, e pensando como Nizan Guanaes, até que não foi não!

Foi um ano de aprendizado! De duro e cruel aprendizado, muitas vezes, mas de aprendizado.

Por exemplo, a gente aprendeu que, àquela desculpa, de que as novelas e os programas de TV mostram tanta bandidagem e safadeza, porque são baseados na realidade do nosso dia a dia, é conversa pra boi dormir.

Eles não sabem nada de nossas vidas e são doutores nas porcarias que eles têm nas próprias cabeças.

Não fosse assim, não teriam gasto tanto tempo e dinheiro em nos ensinar a fazer origamis, praticar yoga e ginástica, dentro de casa; fabricar deliciosos pães caseiros… se eles conhecessem a maioria de nossas casas, de nossos bairros, de nossas vidas não teriam feito essa palhaçada toda. Mas, eles estavam falando deles mesmos, para eles mesmos, das coisas deles mesmas.

A gente aprendeu. As nojeiras e imoralidades que eles dizem e mostram na TV, são as ideias imorais deles e não as nossas. Que querem que nós e nossos filhos as sigam. E a gente feito uns abestados, vão atrás, dizendo que é moda!

Se governantes, jornalistas, repórteres, ‘cientistas’ e médicos, conhecessem a nossa vida não teriam mandado a gente ficar em casa e lavar as mãos o tempo todo, além de manter distanciamento, uns dos outros.

Que bobagem! Ficar em uma moradia, para não dizer barraco ou ‘apertamento’, que mal nos cabe na hora de dormir, uns sobre os outros e passar a vida sem ter água nem saneamento e guardar a quarentena, com todas essas hiper exigências de álcool 70? É querer nos fazer de trouxas.

Não ir trabalhar, ficar em casa. Não ir pra rua. E viver de quê? Estão pensando que todos somos funcionários públicos, deputados, juízes e outros ‘boa vida’, ganhando rios de dinheiro, fazendo quarentena em suas fazendas e o dinheiro entrando em suas contas todo final de mês! E a gente sem saber como conseguir comida para a próxima refeição? Estão brincando com a gente!

Aprendemos de vez, porque a gente já estava ‘canso’ de saber que político não tem credibilidade, mas agora foi de lascar. Presidente, governadores, deputados, juízes ficaram tão arranhados, com tanta mentira e mau-caratismo que vai ser difícil uma recuperação antes da próxima pandemia.

O respeito pela imprensa desceu pelo ralo. Tem jornalista que não pode sair à rua, senão apanha. Apanha porque está irritando a população com tanta mentira e distorções. E não adianta recorrer a ABI ou a entidades internacionais. Deem-se a respeito primeiro e serão queridos e respeitados, como foram sempre!

O ano começou com o presidente da câmara querendo ser primeiro ministro, não conseguiu! Depois foi a vez de um ministro do supremo querer ser presidente da república, duvido que consiga! Com um presidente da república querendo governar, e, até agora, nada! Com o pessoal indo pra rua gritar chamando os militares e eles fazendo ouvidos mocos!

Com uma turma pacifica clamando por mudanças e sendo chamada de fascistas e outro grupo mais violento queimando a bandeira brasileira, sendo chamado de democratas! Dá para rir!

Aprendemos, e o Millôr Fernandes já nos havia ensinado, que “democracia é quando eu mando e outros obedecem e ditadura é quando outro manda e eu tenho que obedecer”.

Aprendemos e de forma muito complicada, que essa história de três poderes harmônicos e independentes, não bate com a realidade. Nem são independentes e brigam ‘feito’ lavadeiras na beira do rio.

Agora temos certeza de que nossos representantes, podem até representar eles mesmos, mas representar a gente, nunca! Não fosse assim, nessa crise, primeiro teriam cortado os salários deles!

Que aquela afirmação de que “direito tem quem direito anda” é uma grande bobagem. Direito tem, quem tem dinheiro, poder e amigos, nós outros temos o direito de nos esconder e ficar calados. Pois se criticar pode ser preso!

Essa outra história de que todo poder emana do povo, acho que está meio confusa. Não será: ‘mama no povo’ ou ‘no que é do povo’?

Parece que a coisa feia foi no mundo inteiro. Envolveu tudo. Nos jogaram no pior dos mundos. Mas por aqui tem ares de pura canalhice generalizada!

A gente havia aprendido o que era terrorismo! A gente pensava que terrorismo era um pessoal que jogava bombas. Mas não era!

A imprensa aberta e comercial, redes oficiais e sociais jogaram em cima da gente uma enxurrada de más notícias e imagens apavorantes: Valas abertas nos cemitérios, covas e mais covas com as bocas abertas esperando a gente chegar!

Depois do jornal da noite era difícil pegar no sono. Isso não é terrorismo?! E dos piores!?

Os mais pobres, que passam a vida esperando a morte e sabem que se adoecerem não terão tratamento mesmo, se lixaram para essas notícias e suas medidas de proteção e foram pra rua: jogaram dominó, comeram rabada, fizeram amor adoidado e só se comportavam, mais ou menos, quando iam para o centro da cidade, pra não serem presos.

Engraçado! Foram os menos afetados! A UFPE Divulgou um estudo que a incidência de Covid 19 havia sido menor nas periferias. Pesquisa imediatamente corrigida por um professor, que afirmou que, no entanto, muitos morreram. Claro! Pobre morre e nasce aos montões, para confirmar a profecia de Jesus: “pobres, sempre os tereis, entre vós”!

Se Morreram? Claro que morreram! Os que pegaram a forma mais violenta do vírus ou que não estavam bem preparados, morreram feio. Mas eles sabem que morreriam de qualquer jeito. Não havia, como sempre, leitos suficientes nos hospitais. Quanta Novidade!

As notícias alarmantes da TV, para a classe média, chegam bem diferente nas cabeças da classe C e principalmente da D! Aqueles hospitais arrumadinhos cheios de respiradores para porcos, eles sabem bem, como funcionam. Já estão acostumados!

Entidades internacionais como a OMS vão custar a se recuperar. Se é que um dia vão conseguir!

Seu diretor nunca mais apareceu. E era todo dia que a gente via o sujeito na televisão, dizendo e desdizendo as coisas. Alguém mais vai acreditar no que eles digam?! Apareceram médicos, especialistas, cientistas, ‘às tuias’ dando entrevistas e fazendo ‘lives’, com um milhão de explicações. O especialista médico da grande imprensa, chegou ao ridículo de ensinar a fazer máscara com um lenço.

E os cientistas? Até por uma baita ignorância, a gente sempre acreditou neles. Pensava que era gente séria. Quando uma coisa se dizia cientificamente comprovada, podia descer Deus do céu para dizer ao contrário, mas nós preferiríamos acreditar em Einstein. Pensando bem, melhor concordarmos com o Nicanor Parra de Patricio Morcillo.

Acreditação científica? Cada um dizendo coisas absolutamente diferentes uns dos outros? Ficamos a pensar que a ciência é a verdade (ou será a mentira?) de cada um, dependendo do seu lado, do seu país, do seu interesse econômico ou de sua ideologia.

Vai ser difícil brasileiro, não sei se vai acontecer no resto do mundo, acreditar em ciência e em cientistas, daqui pra frente!

E a matemática? Meu Deus! A gente, (pelo menos a maioria de nós) nunca conseguiu aprender direito essa cabala. E sempre fomos levados a acreditar que os números não mentem.

A ‘pandemia da mentira’ aqui, foi tão feia, que um maluco chegou a prever, no início, que o Brasil teria mais de um milhão de mortos por dia. Nem a Peste Negra fez tamanho estrago na porca e atrasada Europa do século dezessete. Sem vacinas nem antibióticos!

Todo dia, nossa maior rede de comunicação, que passou a ser a divulgadora maior do obituário da Covid 19, nos faz pensar que estamos prestes a chegar ao armagedon.

Aí, agora, a gente fica sabendo que a mortalidade por Covid no Brasil é a metade da dos Estados Unidos.

– ‘Como assim? Metade?’ Diria meu neto!

Pois é, no Brasil são 17.6 mortes por cem mil habitantes. Nos Estados Unidos são 34.3, na Franca 44.8. Na Espanha 56.1 e por aí vai, por cada grupo de 100.000 habitantes.

Quer dizer, em cada grupo de cem mil pessoas – 100.000 – morrem 17.6 pessoinhas, vamos arredondar porque ninguém morre pela metade, 18 pessoinhas, viu?

Um dos menores índices do mundo. Pelo menos, do mundo que está sendo contabilizado. Quem já se viu comparar dados populacionais entre países de tão discrepantes populações, na maior cara de pau, sabendo que a maioria das pessoas nem sabe ou tem preguiça de fazer conta?! Um com duzentos e dez milhões e outro com setenta milhões?! Feito Brasil e Itália?

Mas o que é que é isso? Estão usando a estatística e a matemática para nos deixar em casa, em pânico, passando necessidade e nos estressando? Ah. Cambada! Que interesse há por trás disso tudo?

Mas, algumas coisas foram excelentes. Os boatos de que a China iria dominar o mundo, por exemplo. Que em setembro chegariam alguns empresários para adquirir, por aqui, a terra arrasada, a preço de banana em fim de feira. Se era verdade, não sei. Mas o plano se existia, foi por terra. Todo mundo descobriu. E, pelo menos, vão subir o preço; será preço de maçã, na Véspera de Natal, por exemplo!

Aí eles vão ter que montar seu novo ‘planejamento estratégico’, porque depois dessa fria, vão ter que inventar outro plano! Diferente do primeiro, porque agora a gente já sabe! E por cima de tudo isso, tá começando a se alastrar, de novo, o Covid, em Pequim.

Beijin, beijin, pau, pau!

Depois de todo esse conjunto de mentiras e espertezas, vai ser difícil o mundo voltar a confiar na China, (lembra da campanha na Itália: Abrace um Chinês?) pelo menos nesses próximos de vinte anos, todos ficarão de orelha em pé quando se falar que alguma coisa veio da China.

Como dizem os mineiros: ‘esperteza quando é demais, cresce, vira bicho e come o dono’! E a globalização, com suas vantagens e desvantagens, corre o risco de ir para as cucuias!

Quem pensou que, pelo fato de estar dispensado de fazer licitação, poderia comprar o que quisesse, a quem quisesse, pelo preço que quisesse… está começando a descobrir que não é bem assim. Mesmo que daqui a pouco saia uma decisão suprema proibindo fiscalizar os estados. Duvida? Vamos ver como vai ficar o acordo assinado por certo governador, com a China, em agosto do ano passado, sobre o Corona Vírus. Vão mudar o calendário? Vai ser pelo calendário chinês?

Ou vão se posicionar como com aquela decisão que proíbe a polícia de ir às favelas do Rio de Janeiro, durante a pandemia, ou melhor, ir às comunidades cariocas, caçar bandidos. Eu também sou contra! Os piores malfeitores e os mais perigosos não estão nas favelas do Rio, embora tenham lá seus cúmplices!

Mas vocês querem saber de tudo isso, o que é pior? A herança maldita das manias. Tem gente que passa álcool na mão direita porque encostou na esquerda. Com medo de contaminação. Já pensou se isso vira um problema ideológico, como tudo no Brasil? Quem já tinha suas manias, transformou-as em paranoia. E quem era paranoico vai correr doido. Nunca mais passa!

Os matutos dizem que ‘a limpeza Deus amou’, mas, até limpeza demais é pecado.

Mas, acho que Guanaes é que está certo. Não podemos perder a esperança!

É hora de começar a preparar a casa para o Natal. Mostrarmos a nós mesmo que temos esperança. Eu vou começar a montar a minha já, já!

Afinal, a única coisa que morreu mesmo, foi a credibilidade!

Primeiro vamos limpar as paredes.

Sabe aquele quadro com o Diploma de Formatura em Doutorado em Babaquices? Tire e queime! E Aquele outro de Mestrado em Memória Curta? Pois bote fora também!

E daquele outro, que você tem tanto orgulho, a pós graduação, que você fez com Sérgio Buarque de Holanda, sobre a teoria do Homem Cordial, no Curso Raízes do Brasil? Pois jogue fora também.

Estamos fartos de ser cordiais, alegres, camaradas, pacíficos, hospitaleiros, e bem comportados.   Enquanto uma cambada de mal caráter quer nos passar para trás o tempo todo. Basta de babaquice! De esquecimento e de boas maneiras!

Ponha nas paredes coisas alegres. E com as bolas coloridas da Árvore de Natal e os pisca-pisca, bote seus novos planos e suas metas. Entre elas, não esqueça:

‘Deixar de ser besta!’

Feliz Natal e um Ano Novo realmente diferente.

Só depende de nós. 

E cantar aquela musiquinha, de duplo sentido, de Natal: “quero ver, você não chorar, não olhar pra trás, não se arrepender do que faz!”

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