Quarta, 30 de setembro de 2020 hh:mm:ss

APÓS ENTERRO DOLOROSO, FAMÍLIA DIZ QUE MARIDO DE PESQUEIRENSE NÃO MORREU DE COVID-19

Reviravolta: laudo médico, segundo a família, diz que Antônio Fernando, não morreu por conta do coronavírus.

Publicado em 26 de abril de 2020 às 13:49
Atualizado há 5 meses

               Existe algo mais doloroso que perder um ente querido? Muitas pessoas acham que sim, como pode exemplificar o caso de Antônio Fernando Coelho de Azevedo, que era casado com a pesqueirense Poliana Pires.

               Ele foi diagnosticado como suspeito de coronavírus no Hospital Português, no Recife, e morreu nesta semana. Seu sepultamento foi rápido. Não houve abraços, despedidas nem o adeus final. Um enterro apenas para cumprir as normas.

               Além da dor de perder o marido, Poliana Pires, passou por momentos mais difíceis e tortuosos. Ela não teve detalhes do caso, sequer pôde acompanhar o marido e, dias após sua internação, recebeu a notícia que ele tinha falecido.

               Ficou chocada ao saber que todo o protocolo para pacientes com suspeita de Covid-19 seria exigido: sem velório e acompanhamento no funeral. Ela ouviu do pessoal do hospital que apenas ela iria reconhecer o corpo, e o sepultamento seria solitário.

               Arrasada, Pollyana teve que voltar pra casa e ficar em quarentena. Mais chocada ainda ficou ao saber, neste sábado (25) que o laudo médico descarta a covid-19 como causa mortis do marido.

               Hoje (26 de abril), a irmã de Poliana, Patrícia Pires, informou que a irmã-gêmea está tão abalada que prefere “nem falar nisso”. “O impacto foi terrível e não sei como ela vai superar”, disse a irmã.

LEI APLICADA    

               Nos cemitérios de todo o país, as medidas de prevenção estão sendo adotadas. Para qualquer tipo de morte, visitações foram eliminadas e não existem despedidas. Mortos por ação do novo coronavírus, ou quando a morte é suspeita, são sepultados sem velório.

               Embora a tradição indique abraços de solidariedade, há nos cemitérios e hospitais orientações para que as pessoas se mantenham afastadas.

                “Nós os parentes, não pudemos nos despedir do marido da minha irmã. Agora chega essa notícia que não foi coronavírus? Não sabemos o que fazer”, disse Patrícia.

               Desde o dia 31 de março, uma portaria conjunta do Ministério da Saúde e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) autorizou o sepultamento e a cremação de corpos antes mesmo da emissão das certidões de óbito por conta da pandemia do novo coronavírus.

               As novas determinações também definem que os registros de óbito mencionem a possibilidade de acometimento pela doença em casos de morte por doença respiratória suspeita.

               Corpos de pessoas que foram contaminadas pelo vírus podem representar riscos a profissionais que precisam manuseá-los para procedimentos fúnebres. Esse risco tem mudado rotinas e procedimentos de funerárias e de cemitérios.

LAUDO

               Segundo Patrícia Pires, o resultado do exame saiu ontem (25) e “Deu negativo pra coronavírus. Fui informada que ele faleceu em decorrência da diabetes. Pena que foi sepultado daquela forma, porque todos os casos suspeitos têm que ser sepultados sem visitações, velórios ou acompanhamentos”, explica Patrícia.

               Agora, depois de perder o ente querido, as famílias do casal ainda vivem outro drama de saber que Antônio Fernando não faleceu por conta do coronavírus, mas que foi sepultado como se fosse covid-19.

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