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FLÁVIO J JARDIM - NOTÍCIA VERDADE

Airton Monteiro. Artigo da Sexta-Feira. UM É POUCO, DOIS É BOM, TRÊS É DEMAIS

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Airton Monteiro. Artigo da Sexta-Feira. UM É POUCO, DOIS É BOM, TRÊS É DEMAIS. Nas relações humanas, o contrário de ‘terceiro”, é o segundo: o par, a dupla, o parceiro, o companheiro. Unha e carne, corda e caneca, tampa e panela, fome e vontade de comer.

Airton Monteiro. Artigo da Sexta-Feira. UM É POUCO, DOIS É BOM, TRES É DEMAIS

Você acaba de comprar um carro zerinho, zerinho. Ufa que esforço!

Os tempos estão bicudos e todos lhe aconselham a fazer um seguro, imediatamente

– Nunca se sabe né? E ai você procura um corretor e ele lhe apresenta um catatau de produtos: contra roubo, contra incêndio e colisão, contra danos naturais e...  Contra terceiros.

- Como contra terceiros? Como assim, o seguro contra colisão, não cobre os danos de terceiros sobre o meu carro?

E o corretor lhe explica:

- O seguro Contra Terceiros é para pagar os danos que você causar aos outros.

 

E, então

 

- Porque é “contra” se é a favor?

- Muito simples! Diz-lhe o corretor, contra: os aborrecimentos, a chatice e as exigências de “terceiros”!

 

Outra história:

- O casamento da Dorinha e do Quincas está fazendo água! Você sabia?

 

- Mas o que houve, a Dorinha descobriu a “outra” do Quincas, foi? Ou apareceu um urso nessa história?

 

- Não sei, mas deixa pra lá! Não sai falando por ai tá? Eu não quero que essa história caia em ouvidos de terceiros!

 

O terceiro é sempre assim. É o que sobra, que atrapalha que aborrece, que cria caso, que prejudica. É aquele em quem não se confia, o incerto, o duvidoso, o inseguro, o perigoso. Aquele que está fora da nossa relação, com o qual devemos ter cuidado. Finalmente, é aquele que se não existisse, faria um grande favor. Só serve pra gente botar a culpa das coisas erradas que fizemos, ou que os nossos fizeram.

 

Nas relações humanas, o contrário de ‘terceiro”, é o segundo: o par, a dupla, o parceiro, o companheiro. Unha e carne, corda e caneca, tampa e panela, fome e vontade de comer.

 

Sempre que é difícil conseguir ou fazer alguma coisa sozinho, arruma-se um par, uma parelha. Seja para casar ou para carregar um piano. O resto, deixa-se para “terceiros”. Seja porque não tem importância seja porque é problemático demais.

 

O terceiro sempre foi isso (e duvido que ainda não seja!)  Até que alguém inventou de traduzir outsourcing por “terceirização”. O que na cultura americana, seria a busca de uma fonte externa de colaboração, foi introduzido como “terceirização” no Brasil.

 

A gente precisa ter cuidado com o significado das palavras, às vezes elas mudam tudo! Como esse negócio de governo de coalizão para substituir esperteza. Procurar alguém para me ajudar a fazer alguma coisa e resolver um problema meu é muito diferente de entregar a mesma coisa para outro fazer ou entregar um problema meu para outro resolver, ou não é?

 

Se Dorinha e Quincas, procurarem, o Pastor da sua Igreja ou um Pai de Santo ou o Vigário da Freguesia, para ajudarem na conciliação do seu casamento, eles não estarão jogando seus problemas para outros resolverem, alguém que nada tem a ver com a intimidade do casal.

Eles estarão procurando alguém confiável, com credibilidade, reconhecida competência e dignidade para ajudá-los.

 

Quando uma montadora de automóveis faz um contrato para fornecimento de sistemas de freios com uma indústria especializada de auto peças com know how nesse item, ela não está se livrando de um abacaxi, ou de um chato problema de segurança, em seus automóveis. Pelo contrário, do mesmo jeito que Dorinha e Quincas, ela está querendo uma empresa, que, dedicando-se com especialidade a esta função, de fabricação de freios, como os religiosos, aos problemas da alma, possa fazer “melhor”, do que ela própria faria. Não é pra economizar nos salários e na matéria prima.

 

A isso se chama, e muito bem chamado, de parceria!

Um tipo de sociedade que se baseia, principalmente, no mútuo conhecimento, com uma finalidade única (um produto final) e uma distribuição de atribuições que fundamenta-se na capacidade técnica, de investimentos e de gerenciamento de cada uma das partes. A parceria, por isso, é eterna enquanto dura, como diria Vinicius de Moraes.

 

O significado das palavras, do nome que se dá as coisas, tem muita influência sobre a realidade. Como escola de educação integral para escola de tempo integral. Já viram no que deu não foi? Ficou só o tempo!

 

Quem tiver dúvidas troque, aqui em Pernambuco o Cavalcan-t-i por Cavalca-t-e de alguém! 

 

Todo negócio é um processo de atendimento ao cliente (Theodore Levitt) e existe uma linha essencial, um processo essencial que não pode ser terceirizado, sob pena de descaracterizar o negócio.

 

É por isso que já se fala em terceirização à brasileira, um tipo de instrumento gerencial voltado para obter economia e que com mais frequência gera prejuízos insanáveis (de dinheiro e de imagem) regido por um Diploma Legal bastante conhecido, a Lei de Gerson.

 

Fica a sugestão, por que não mudar o conceito, a forma e o instrumento legal aplicado? Por que não chamar de parceria, essa porcaria denominada terceirização?

Airton Monteiro. Artigo da Sexta-Feira. UM É POUCO, DOIS É BOM, TRES É DEMAIS

 

 

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