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FLÁVIO J JARDIM - NOTÍCIA VERDADE

Airton Monteiro – Coluna da Sexta-Feira. O DILEMA

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Airton Monteiro – Coluna da Sexta-Feira. O DILEMA. Como será a ética da máquina numa situação dessas? Se as máquinas realmente começarem a pensar e tomar decisões, ela vai se safar...

Airton Monteiro – Coluna da Sexta-Feira. O DILEMA

Daqui a uns 30 anos, quando todos, ou quase todos os veículos forem autônomos e a perda anual de um milhão de vidas, no transito, seja uma triste lembrança do passado; e que talvez, a ciência ainda não tenha descoberto, onde, no corpo humano, se situa a Consciência. - Com certeza, alguns cientistas já afirmem que a consciência não existe. Que é uma mistificação, da mesma forma que a alma. - Se a ciência não encontrou, é porque não existe. Não é?

 

E, não existindo a consciência, a ética passa a ser mais um algoritmo embutido nas máquinas inteligentes e não teremos de nos preocupar com o certo ou o errado. Certo? A máquina resolve por nós. Consciência tranquila.

 

Mas, vamos à nossa história de hoje.

Uma manhã de sol de domingo, Lá pelo ano 2050, o Senhor Guilherme, do alto de seus sadios 70 anos, resolve visitar seus parentes no interior e então programa seu auto-automático, para uma viagem de mais ou menos três horas. Deita-se no banco traseiro e se prepara para chegar na hora do almoço, lépido e fagueiro, depois de uma confortável e tranquila viagem.

 

Mais ou menos, no meio do caminho, próximo a um povoado, há uma curva bastante acentuada. De um lado da estrada passava uma procissão e do outro, havia uma ribanceira, com uns vinte metros de altura. Isso não é nenhum problema para o veículo automático que, de longe, já averiguara todas as condições e se preparara para continuar a viagem, sem perturbar o sono do seu feliz proprietário.

 

De repente, em cima da curva, surgem cinco crianças atrás de uma bola, na maior algazarra. (Crianças ainda não programadas e nem previsíveis. Até que surjam tecnologias de programação neonatal para controle de crianças. Quem sabe?)

 

Em sub-frações de segundo, o Piloto Automático tem que tomar uma decisão: ou invade a procissão e deixa um bocado de feridos e mortos, ou atropela e mata as crianças ou, medida extrema, salta no abismo, tirando a vida de apenas um idoso de 70 anos, Sr. Guilherme, o dono do carro e do fim da linha do seu “piloto automático”.

 

Como será a ética da máquina numa situação dessas?  Se as máquinas realmente começarem a pensar e tomar decisões, ela vai se safar. Porque se o carro cair no abismo, o computador de bordo provavelmente pegará fogo e se acabará.

Como não vi ainda ninguém falar em computadores burros, só inteligentes, as crianças ou o povo da procissão irão se prejudicar nessa história. Com a vantagem para o Sr. Guilherme que não teve que tomar decisões.

 

E, se, além disso, tudo, um caminhão carregado viesse na outra faixa? E se as pessoas da procissão resolvessem invadir a estrada para salvar as crianças? E, se...

 

Claro que essa situação é totalmente hipotética e que nada, sequer parecido com isso, jamais aconteceu ou aconteceria em nossas estradas. Até porque ainda não temos os veículos com os motoristas dormindo no banco traseiro, a não ser que esteja estacionado no posto de combustível.

 

Algumas questões que precisamos começar a nos acostumar com elas:

- O motorista automático do caminhão e do automóvel podem ser muito bem programados, podem até se comunicar, mas “pensam” de forma diferente e então vão tomar decisões diferentes.

- Maquina nunca vai ter sentido ético, por si mesma. Terá que ser programada para tomar certas decisões. O Sr. Guilherme, ao adquirir seu automóvel, provavelmente, escolheu no menu do computador de bordo, que solução deveria ser tomada em casos onde ele corresse risco de morte.  Por exemplo, “no caso de risco, o proprietário deve ter prioridade de salvamento? Sim ou Não”

- Se por trás das maquinas, cada vez mais “inteligentes” cada vez mais “capazes”, cada vez com uma capacidade maior de “raciocínio”, não houver pessoas realmente inteligentes e capazes, com agilidade de raciocínio e senso moral, em vez de desenvolvimento, teremos o caos.

 

Consciência, do latim, conscientia, conhecimento, senso íntimo, consciência, conhecer-se. E dela ainda surgem, o inconsciente coletivo, a autoconsciência, a meta consciência que nos habilita a controlarmos nossos próprios estados e processos cognitivos e a tomarmos consciência das causas e efeitos acerca de nossos estados cognitivos. Além do inconsciente ou subconsciente, estados que se desenvolvem sem a intervenção da consciência. (Mas, tudo isso a psicanálise explica muito melhor).

 Airton Monteiro – Coluna da Sexta-Feira. O DILEMA

O fato é que, como a ciência ainda não se apropriou disso tudo, nem de sua localização, fica difícil criar uma máquina ou software com todas essas características.

 

Nos filmes e histórias de ficção, desde 2001 Odisseia no Espaço, um filme de 1968, os robôs começam a tomar suas próprias decisões. Em alguns casos, revoltados, perseguem e destroem os humanos. Não vamos contar com isso. É impossível! Se um dia os robôs saírem matando humanos é porque por trás deles há um ser humano dirigindo isso. A ficção cientifica tende a confundir inteligência e consciência. Inteligência é a aptidão para resolver problemas; Consciência é a aptidão para sentir as “coisas”, como raiva, dor, alegria, amor. Essas “coisas” são, até hoje, extremamente orgânicas, metal e plástico terão dificuldade em simular algo parecido. Já pensou um notebook com dor de barriga?

 

Se as máquinas ficarem cada vez mais inteligentes e pessoas cada vez mais estúpidas, corremos o risco de sermos acorrentados à nossa ignorância e nos tornarmos escravos...    Ou irrelevantes, o que é bem pior.

 

Yuval Noah Harari, um professor e escritor israelense, autor de vários best-sellers atuais, nos dá o exemplo de criação de vacas – vacas tecnologicadas claro! – São confinadas, alimentadas, controladas, não precisam procurar comida ou bebida, nem precisam andar, são extremamente produtivas, mas terrivelmente ignorantes. Não se assemelham em nada às selvagens ou domésticas vaquinhas de nossos pastos.

 

Ao que parece, “Estamos criando homens domesticados, que fornecem uma enorme quantidade de dados e funcionam como chips. Eficientes num enorme mecanismo de processamento de dados, mas essas “vacas de dados” estão longe de atingirem seu potencial máximo. Em vez de explorarmos as capacidades humanas e seu potencial desconhecido nos preocupamos em aumentar sua conexão com a internet e a eficiência de nossos algoritmos de Big Data”.

 

Vai demorar um pouco para sermos totalmente substituídos pelas máquinas. Melhor aproveitar esse tempo.

Airton Monteiro – Coluna da Sexta-Feira. O DILEMA

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