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FLÁVIO J JARDIM - NOTÍCIA VERDADE

AIRTON MONTEIRO – COLUNA. EM NOME DA MODERNIDADE OU DA IGNORÂNCIA

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AIRTON MONTEIRO – COLUNA. EM NOME DA MODERNIDADE OU DA IGNORÂNCIA. Parece até que o mundo vai acabar. Ninguém acredita mais em nada, não se respeita mais nada!

AIRTON MONTEIRO – COLUNA. EM NOME DA MODERNIDADE OU DA IGNORÂNCIA

      Os tão falados valores ocidentais e cristãos parecem que desapareceram, como por encanto. Em nome de uma pseudo modernidade, desrespeitam-se as crenças dos outros e desacreditam-se seus deuses e heróis, profanam-se seus símbolos e cultos, vilipendiam-se seus valores. E agora?

       Se alguns assim agem por absoluta ignorância, outros, o fazem para parecerem modernos e atualizados, mesmo togados, e por não terem coragem de se posicionar e, convenhamos, nem preparo moral ou intelectual, para tanto.

       Vamos dar uma olhada nisso tudo pra saber ou sentir exatamente o que está acontecendo e a gente mesmo tomar uma posição suficiente para sobreviver bem. Não é a primeira vez que sucede isso na humanidade e não será a última.

       Em primeiro lugar, sociedade Laica é aquela que não possui religião oficializada e afasta de si os preceitos religiosos no direcionamento de suas leis e julgamentos. O Brasil é considerado uma sociedade laica. Houve a separação da Igreja e do Estado na Proclamação da República.

       Estamos usando o termo laicização, iniciativa dos governantes, forjado na revolução francesa, em vez de secularização, surgido do seio da sociedade, de Max Weber, mais utilizado nas sociedades anglo saxônicas. No fundo vai dar tudo na mesma coisa: a distinção ou separação entre igreja e estado.

       Mas se olharmos bem direitinho, mesmo que intelectualmente seja bem claro, não é uma coisa tão simples e vez por outra, em tempos de crises, alguns elementos mais mal intencionados que os demais levantam questões que poderiam ser tratadas, no tempo comum, como coisas simples.

       Em primeiro lugar separar igreja e estado, juridicamente é perfeitamente possível, mas culturalmente, como se costuma dizer, o buraco é mais em baixo, já que cultura e religião são siamesas em todas as nações. E dependendo das situações as coisas vão e voltam, em tempos diferentes, e, nem sempre, para frente.

       Primeiro a gente precisa entender que estado laico ou secular não tem nada a ver com estado ateu. O ateísmo se beneficia das leis de liberdade religiosa vigentes em qualquer lugar. Se um estado se declarar ateu, fez opção por um estado religioso de não crença, da mesma forma que o Irã optou pelo Islã, em detrimento de qualquer outra crença.

       Cultura e religião são montadas sobre símbolos, cultos/festas e costumes e, uma vez ligadas, e interligadas, dificilmente se separam, mesmo que se perca a fé. Ou que nunca se tenha tido. Porque os costumes são difíceis de mudar.

       Tome-se como exemplo os deuses gregos. Talvez a maior panacéia de soluções religiosas, já montadas e descritas, em toda humanidade. Júpiter ou Zeus, Vênus, Mercúrio, e uma multidão de figuras com suas histórias e seu papel na humanidade, de uma forma tão plástica e bonita, que ainda hoje tomam conta, da literatura, da ciência e das artes sem que ninguém se ache obrigado a considerá-los matéria de fé ou queira execrá-los da história humana, por representarem uma religião.

AIRTON MONTEIRO – COLUNA. EM NOME DA MODERNIDADE OU DA IGNORÂNCIA

 

 

       Alguém vai negar a importância do Vaticano, um estado absolutamente religioso, dentro do estado laico (laico?) italiano?

       É possível desligar as raízes negras, africanas, da força e da beleza dos Orixás?

       Alguém se incomoda que uma das nações mais modernas e ricas da Europa, como a Inglaterra, tenha uma religião oficial de estado? A Religião Anglicana? E que a Rainha da Inglaterra, além de Chefe do Estado Inglês seja também Chefe da Religião Anglicana, equivalente ao Papa para os católicos? E que jure na sua coroação defender a fé?

       E nós? Vamos derrubar o Cristo Redentor, de braços abertos sobre a Guanabara, porque alguns pós-modernos estão se sentindo incomodados com o sinal da cruz e a figura de Cristo? Ou mudar o nome de Estado e da Capital São Paulo, em homenagem ao considerado criador da Igreja Católica, pelo mesmo motivo?

       “O termo "pós-secular", que se alinha aos outros "pós",  pós-moderno, o pós-industrial, o pós-materialista, o pós-comunista, o ''post-histoire'' etc., retomo, pós-secular identifica, na pós-modernidade, entendida como crise globalizada da modernidade, o momento ideal para a reformulação das teorias sociológicas da religião, uma vez que elas seriam majoritariamente tributárias do doutrinarismo, da teoria weberiana da secularização. O propósito é passar a fazer uma sociologia que reconheça a capacidade demonstrada pela religião de resistir ao ataque cerrado da modernidade. Em qualquer parte do mundo e nas mais diversas civilizações”.

       Mesmo os costumes chamados de pagãos pelos primeiros cristãos, como o carnaval, a santificação do dia do Sol, aos domingos, e um montão de símbolos, vestes, cultos e rituais, e que foram assumidos pelas religiões, em sua grande parte pela católica, como uma forma de satisfazer os “costumes religiosos” dos pagãos, seguindo bem o preceito do evangelho de Mateus, “se estás a caminho com teu inimigo, melhor que te ponhas em paz com ele, enquanto caminhas” (Mt. 5:25) Jesus no Sermão da Montanha.

      Alguém dessa pós-modernidade topa fazer campanha para acabar com o Carnaval, como uma quarentena preparatória da quaresma?  Ou dos festejos juninos, Santo Antônio, São Pedro e São João, de tradição portuguesa? Ou mesmo as festas de final de ano, onde o Natal completa o ciclo litúrgico anual do ritual católico, ou o inicia?

       E os Estados serão ou deixarão de ser mais ou menos laicos por conta dessas coisas?

       Negar nossos primórdios, nossos ancestrais, nossos velhos valores, nossas crenças, por conta de modernidade ou de pós-modernidade é tentar apagar o que fomos e o que fizemos, para estar aqui. Negar os padrões de raça que correm em nosso sangue, por exemplo. Ou nosso pé na cozinha, como alguém já falou, para nos mostrarmos europeus ou primeiro mundistas? Reconheçamos o ridículo disso tudo. Isso não é ser moderno, é ser ignorante!

       O meu EU, o que eu sou hoje, será alterado se eu apagar quem foram meus ancestrais? Que construções fizeram ou que crimes cometeram? Em que deuses acreditaram?

       Olhar para trás e não ter vergonha do rabo que arrasta é o que qualquer animal faz. E, até, ter orgulho dele, mesmo que não tenha mais qualquer utilidade.

       Um exemplo, desse reconhecimento dos valores passados, está agora em minha frente. O livro Inteligência Artificial, que o recomendo, escrito por um chinês, Kai-Fu Lee, que vale a pena ler para saber um pouco sobre o outro lado de tudo que está acontecendo e como se pensa nessa nova área de tecnologia, do lado de lá.

       Mas, o que me chama atenção é a capa do livro: a estilização de uma das principais partes do afresco da Capela Sistina, de Michelangelo, no Vaticano, feito entre 1508/1512, na Idade Média, representeando o episódio do Livro do Genesis, da Bíblia Cristã e Judaica, a Criação de Adão, onde o dedo Deus toca o dedo do homem.

       Na estilização, o dedo do homem tocando o dedo de um robô. O Mix de culturas, de simbolismos, de histórias, de crenças e valores, numa simples capa de um livro, nos leva a repensar movimentos pseudo modernos, pseudo culturais, pseudo religiosos que tentam estigmatizar as mentes dos nossos jovens ou das pessoas menos letradas, com fanfarronices ditas avançadas. Parabéns a Kai-Fu Lee!

       A gente tinha que concluir a coluna falando de modernidade, Inteligência Artificial, e de cultura, no caso, a muitas vezes milenar cultura chinesa. De braços dados! Melhor do que terminar falando da ignorância!

 

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