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FLÁVIO J JARDIM - NOTÍCIA VERDADE

Airton Monteiro – VIAGEM NO TEMPO.

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Airton Monteiro – VIAGEM NO TEMPO. Como professor, de vez em quando sou instado a me pronunciar sobre o que ensinar aos jovens, para enfrentarem esses próximos cinquenta anos.

Airton Monteiro – VIAGEM NO TEMPO.

Recebi, há poucos dias de uma colega de trabalho, uma pesquisa da Linkedin sobre novas profissões, a partir de 2020. Minha primeira preocupação foi com o excesso de habilidades em inglês, para uns tristes que mal falam o português e, quando falam, falam mal; a segunda preocupação foi com as exigências para ser motorista, Word, planilha Excel, coach, - e o pessoal está tão acostumado com o inglês que nem reparam que coach é francês,- veículo para transportar pessoas de um lugar para o outro -  e aí eu pensei: “depois de sessenta anos de habilitação, eu não tenho condições mais, sequer, de ser motorista!” ou será que tem gente querendo contratar assessor de alto nível com salário de motorista!

 

Sabe aquelas noites que a gente não dorme direito, com a cabeça a mil, recordando coisas? Pois foi assim a minha noite, - a noite passada!

 

O ano de 1969 foi um ano de grandes espetáculos! Dentre tantas coisas importantes, o surgimento da internet foi com certeza o mais importante e meu casamento, a segunda!

 

O Governo de Pernambuco criou uma empresa de prestação de serviços técnicos. Vejam bem, serviços técnicos! Ninguém teve a pretensão de classificá-la como de alta tecnologia ou de ciência da computação.

 

A rapaziada ou moçada entre vinte e trinta anos que estava por lá, há cinquenta anos, agarrava com força tudo que surgia pela frente.

 

Em vez de discutir o sexo dos anjos ou gestão do conhecimento, aliás duas besteiras do mesmo naipe, ou brigar por vagas no estacionamento ou dispensa de ponto, cuidava em aprender e apreender tudo. E como se brigava!

 

Uns adoravam Taylor outros o achavam ridículo. Maslow era elevado aos píncaros do céu e descia aos quintos dos infernos com a maior agilidade.

Ackokk, com sua Pesquisa Operacional e teorias organizacionais e de planejamento, e Ansoff com sua ferramenta de planejamento estratégico já publicada na Harvard Business Review em 1957, e a gente pensava que era coisa nova!

 

As teorias de Theodore Levitt, alemão radicado nos USA, com seu artigo Miopia em Marketing...  que revolucionou o mundo dos negócios, com novas maneiras de firmar objetivos e de definir o próprio negócio e seus clientes.

 

Saber Pesquisa Operacional, ler Ackoff, discutir administração científica, eram atividades corriqueiras e obrigatórias naqueles dias, em que a prestação de serviços técnicos, e não tecnológicos, abrangia da industrialização do leite de Pernambuco à reestruturação da secretaria de educação; da infraestrutura de obras da Prefeitura do Recife à criação do HEMOPE.

 

Com a obrigação, ainda, de implantar folhas de pagamento e todos os controles iniciais de um estado que se queria fazer diferente. E a garotada tinha que estudar, discutir, fazer, corrigir, prestar contas e ainda sair no final de mês cobrando dos clientes para garantir a folha de pagamento. Muitos daqueles garotos e garotas ainda estão na ativa, de cabelos brancos se não os pintaram, fazendo coisas espetaculares, como Gildo Galindo, para citar apenas um, que é ainda hoje responsável pelos cursos de pós-graduação da FAFIRE. Aqui pra nós, considerados entre os melhores do Brasil!

 

E tantos e tantos outros.

 

Aí, cinquenta anos depois, nesse início dos novos cinquenta, a gente olha bem direitinho e vê que as necessidades básicas humanas, continuam as mesmas.

 

Muita coisa evoluiu, outras pioraram! As alegrias e os sofrimentos continuam os mesmos. Algumas coisas ficaram mais sofisticadas e avançaram bastante, outras pioraram a olhos vistos e fica até difícil imaginar a correção. Como a educação, por exemplo.

 

Como professor, de vez em quando sou instado a me pronunciar sobre o que ensinar aos jovens, para enfrentarem esses próximos cinquenta anos.

 

E aí eu me pego repensando meus tempos de estudante, de professor e de funcionário de empresa de prestação de serviços técnicos e não tecnológicos! São as mesmas coisas que foram necessárias no passado: a nossa língua materna, “última flor do Lácio inculta e bela”, e tão maltratada, em todos os seus detalhes de vocábulos, gramática e sintaxe, para você poder, hoje e sempre, se comunicar e entender o que está sendo comunicado, em todas as suas nuances e não na ignorância das palavras erradas e a falta da sintaxe essencial ao uso da língua que a gente chama WhatsApp; saber o alfabeto de cor e de carreirinha para pelo menos saber usar um dicionário – só por curiosidade, chame um desses jovens do nível médio e peça para ele recitar o alfabeto – prepare-se para ter surpresas!

 

Matemática, álgebra, trigonometria, aritmética e o básico que é a tabuada.

 

Lógica, raciocínio lógico, capacidade de interpretar, de pensar e de intervir nos atos e fatos que estão ocorrendo.

 

Os gregos, bem antes de Cristo, chamavam isso de trivium, como vocês podem observar, a realidade básica é a mesma!

 

Quem se preparou para isso há cinquenta anos, ainda está muito bem, obrigado! E quem se preparar com isso para os próximos cinquenta, chegará lá, bem empregado! Sem se preocupar com a rima.

 

Com maior probabilidade ainda, já que quase todos estão se garantindo hoje com o computador. Terceirizando competências pessoais e sua própria inteligência, para as máquinas. Elas vão assumir seu lugar e seu emprego!

 

Acho que a gente se entusiasmou muito com a tecnologia e esqueceu-se de dominá-la.

 

Técnica vem do grego, techné, como logos que significa argumento, razão, discussão, ciência; estudo ou ato de transformar, modificar. Numa etimologia mais rasteira, podemos dizer que tecnologia é a lógica da técnica, o estudo da técnica, a razão de ser da técnica.

 

Como na música Amor e Sexo de Rita Lee, “amor é latifúndio, sexo e invasão; amor é bossa nova, sexo é carnaval” são mais ou menos as diferenças entre técnica e tecnologia.

 

A técnica é o know how, o “como fazer”, é o papel do usuário. Quando você domina a lógica da técnica, você pode transformá-la, modificá-la, mudá-la, redirecioná-la. É o papel do cientista! A técnica é “Maria vai com as outras”; tecnologia é “Maria passa na frente”.

 

Da técnica, os próprios computadores vão se apropriar e aperfeiçoar. A tecnologia e o que vamos fazer com ela, vão ficar com quem se preparou para isso! Tá vendo? Não vai mudar nada. O mundo sempre foi de quem tem a expertise ou, se quiserem, a esperteza!

 

De uma coisa a gente pode estar certa, para essa nova realidade que está começando: Não vai sobrar espaço nem tempo para enrolação. Você sabe fazer? Então faça! Se não sabe, deixe o lugar para outro.

 

Não vai haver muita condição para gestões, níveis infindáveis de planejamento, para protelações ou discussões sem fim. A vida que está chegando tem pressa!

Airton Monteiro – VIAGEM NO TEMPO. 

Lembra dos tempos do Controle da Qualidade? Onde um fazia, outro controlava e outro jogava fora o imprestável e ouro refazia o serviço. Faz tempo que isso acabou! Tem gente admirada com o que a Toyota está fazendo. Ela começou esse processo em 1945.

 

Hoje, quem faz, também se auto controla, corrige o que fez e segue em frente! Essa é a essência do Plan Do Check Act! O PDCA, recentemente, redescoberto na nova tecnologia Agile. A razão de ser do kanban, do just in time, JIT: produzir somente o que se precisa, na hora da demanda e de forma perfeita e sem desperdícios. O kaizen é a técnica de aperfeiçoar tudo isso o tempo todo. Talvez o Kaizen e o moitanai sejam a essência do pensamento produtivo do Japão.

 

Isso não são novidades atuais. Começaram a ser criadas e implementadas no Japão, depois da segunda guerra mundial. Total Quality Management, como ficou conhecida. São tecnologias da construção da qualidade, que hoje começam a retornar, felizmente, ao mundo da administração.

 

Onde fica o planejamento estratégico - que trabalha com médios e longos prazos e elucubrações sem fim. - Numa realidade dessas?

 

Sabe fazer? Então faça!

 

Ah. Mais uma coisa.  As máquinas estão ficando inteligentes! Não adianta tentar geri-las ou gerenciá-las. Com as famosas teorias de Gestão da Tecnologia, Gestão do Conhecimento, Gestão de TI ou Gestão da Inteligência Artificial Vai perder tempo. Aprenda a linguagem das máquinas! Todas as que você puder. Mesmo que surjam novos sotaques você estará preparado para entendê-las, conversar com elas e ordenar o que você precisa. Assim, quem sabe, você poderá até namorar com uma delas!

 

Não se engane querendo ser gerente, aprenda a fazer, aprenda a produzir!

 

Aprenda a fazer! Mesmo que as máquinas prometam fazer melhor do que você. Não confie nelas, confie em você! “Pense em mim, chore por mim, liga pra mim, não, não liga pra ela. Não chore por ela”

 

Pense bem. O mundo daqui a cinquenta anos vai ser esse mesmo que a gente conhece. As necessidades básicas vão ser as mesmas e serão mal atendidas como ainda são hoje. Os governantes e representantes vão brigar por poder como brigam hoje e atrapalhar as nossas vidas como já o fazem tão bem. As novas tecnologias criarão novas necessidades, atenderão umas e deixarão a expectativa sobre as demais, como fazem hoje. Sobreviver bem ou mal em 2070 dependerá muito do que você vai resolver fazer, a partir de agora. A mesma decisão que nós, da turma de setenta e oitenta anos de hoje, fizemos lá atrás!

 

De uma coisa pode estar certo. Tudo vai ser muito mais rápido! Então, corra! Sem se preocupar muito com inbound ou outbound. Corra!

 Airton Monteiro – VIAGEM NO TEMPO.

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