Voltar ao topo

FLÁVIO J JARDIM - NOTÍCIA VERDADE

CANGURU PERNETA! AIRTON MONTEIRO – Coluna da Sexta-Feira

CANGURU PERNETA! AIRTON MONTEIRO – Coluna da Sexta-Feira
  • Compartilhe
  • Compartilhar no Linked In
  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no WhatsApp
  • Compartilhar no Twitter

CANGURU PERNETA! AIRTON MONTEIRO – Coluna da Sexta-Feira. Aceitar o pecador é diferente de aceitar o pecado.

CANGURU PERNETA! AIRTON MONTEIRO – Coluna da Sexta-Feira

Nesse início de ano, talvez a palavra mais utilizada, seja intolerância. Até o Papa, nesses últimos dias, deu uma tapa intolerante na mão de uma mulher que tentou puxá-lo, pelas vestes clericais. Fosse no Brasil e ele estaria respondendo processo pela Lei Maria da Penha!

 

O termo virou moda, mesmo sem ser perfeitamente entendido. Já vi alguns falarem que vem do latim e significa aceitar. Vamos esclarecer um pouco. O que vem do latim é o verbo tolerare que significa tolerar. Aceitar vem também do latim, mas de outro verbo: acceptare e que não são sinônimos.

 

Aceitar o pecador é diferente de aceitar o pecado. Talvez essa seja a melhor explicação. Aceitar o crime, em nossa legislação, é conivência – em alguns casos brasileiros, conveniência!

 

Mas vamos voltar à tolerância/intolerância!

Lembra dos quinze minutos de tolerância que algumas empresas dão aos atrasados? A entrada é as oito, mas há uma tolerância de quinze minutos!? Tolerância não é regra! Se abusar e virar rotina, perde!  A tolerância é sempre uma abertura de exceção, para flexibilizar a dureza da regra. Mas há regras que não “toleram” ser flexibilizadas.  Que os ferrenhos defensores da tolerância sem limites, entendam que, acima da tolerância, estão as normas, as leis e às vezes o costume.

 

Uma outra coisa que tem urgência em ser discutida é a reciprocidade da tolerância.  Que esse termo passe a ser obrigatório sempre que se discutam questões de tolerância.

 

Vamos aos principais motivos de intolerância: em primeiro lugar a intolerância religiosa. Uma das mais antigas, tremendamente arraigada nas religiões, motivo de muitas guerras ou de quase todas, medra no inconsciente das pessoas, como um vírus e quando explode pode causar muitos problemas. É absolutamente sensível e pode levar a guerras, mortes, assassinatos e terrorismo. Na minha concepção, a intolerância religiosa é a que deve ser tratada como maior cuidado. Veja-se o último caso do Porta dos Fundos. Um desrespeito ao cristianismo que já redundou em ato terrorista e a gente não sabe em quantas coisas ainda pode desovar.

 

Uma segunda intolerância é a racial. Por um milhão de motivos, quase todos já sobejamente explicados pela ciência, a população da terra, mesmo que tenha uma única raiz inicial, o que é discutível, tem características físicas diferentes, pretos, brancos e amarelos; olhos azuis, verdes, glaucos, negros, castanhos, acém de grandes, repuxados, meio fechados; estrutura corporal; formação óssea etc. Tudo diferente, Felizmente! Fica mais bonito!

 

Sempre houve, mas ultimamente transformaram-se em ideologia, as questões sexuais. E La vamos nós, numa classificação LGBTQIA+, e esse sinal de mais, como se quisesse dizer que se está apenas iniciando uma classificação. Quando apenas deveria significar os diversos modos, manias, preferências, como o canguru pernetas do personagem Caco, interpretado por Miguel Falabella no programa Sai de Baixo! Questões pessoais, individuais, intimas, que ninguém tem nada a ver com isso, aquilo ou aquilo outro! E não motivo de altas ou baixas discussões, ignorâncias, inimizades e até assassinatos

 

A mais nova intolerância surge em relação aos animais. Desculpem-me, não fui politicamente correto, aos pets. Quem sabe com letra maiúscula: Pet! Já tem acesso livre i indiscutível a lojas, supermercados e restaurantes. Tudo em nome de animal domesticado. Já pensou se alguém resolve fazer de um bode velho pai de chiqueiro, seu animalzinho de estimação e levá-lo para todos os cantos públicos? E onde está o direito do cidadão que não aceita sentar-se a uma mesa para almoçar tendo um cachorro a fuçar-lhe as pernas?!

 

Mas eu iniciei falando em “reciprocidade”! Como Assim, reciprocidade?

 

Vamos partir do princípio que a tolerância/intolerância, em primeiro lugar, está submissa à Lei. Assim não fosse não haveria o que dela se falar. E aqui me refiro às Leis nacionais e às Leis naturais e costumeiras, a cultura, que às vezes são mais fortes até que os princípios legais.

 

Tolerância/Intolerância religiosa com certeza é a mais carente de reciprocidade. O meu Deus é melhor do que o seu! Quem pertence à minha religião será salvo e os que pertencem às outras terão a danação eterna! Minha religião é a única verdadeira e a que possui todas as verdades. Meus pastores, padres, ministros, monges, aiatolás... Falam diretamente com Deus. Meu Livro Sagrado é mais Sagrado do que os outros. Todas as coisas parecem convergir para a intolerância. Apesar de todas pregarem o amor, parece que o amor se refere somente aos mais iguais! E, em nome de Deus, se cometem os mais violentos e obscuros crimes!

 

Tolerância religiosa mais que qualquer outra depende da reciprocidade. Aqui, de novo, o significado de aceitar: aceitar que você tenha sua religião e que ela tenha dogmas opostos aos da minha, isso é tolerância. O que não significa que eu aceite sua religião seus princípios e seus costumes. Que sua mulher use burca é uma questão sua e dela, mas reclamar da minha que não usa, em minha terra, em meu país? Isso não posso admitir.

 

A convivência entre diferentes tem que se basear em reciprocidade. Os costumes do outro, diferentes dos meus, com frequência me causam irritação. Quando a irritação se transforma em indignação, está plantada a semente da violência. Indignação sem base conceitual é coisa de jovens que ainda não tiveram tempo de aprender a viver com a vida ou de conceitualizar as ideias que os incomodam. Depois dos 40, normalmente, eles repensam e refazem seus conceitos de jovens. (Exceto aqueles que continuam mentalmente crianças!)

 CANGURU PERNETA! AIRTON MONTEIRO – Coluna da Sexta-Feira

 

É interessante notar também que as religiões, em princípio, têm explicações para tudo e regras para todos. Isso torna ainda mais difícil e relevante a tolerância. Voltando a lembrar que tolerar não significa aceitar, concordar e agir da mesma forma.

Tão pouco aceitar que o outro, que está sendo tolerado, aja comigo sem nenhuma tolerância. Sem a reciprocidade não há como se falar em convivência pacifica.

 

O mesmo pode se dizer da intolerância de gêneros, tão na moda atualmente, quando os diferentes se acham no direito de expor suas diferenças com todas as suas nuances, em público, além de fazer proselitismo de suas idiossincrasias. Uma regrazinha comum e conhecida de todo mundo: “minha liberdade termina, onde começa a liberdade do outro” e os intolerantes e pregadores se esquecem com facilidade dessa regra.

 

A intolerância racial é a mais ridícula de todas, já que todos somos diferentes, até nas impressões digitais, e não temos como averiguar o que é melhor ou mais bonito a não ser pelos próprios conceitos e não por conceitos universais, técnicos ou científicos. E aqui é bom não confundir dois conceitos paralelos: o preconceito e a questão de minorias.  São desculpas para encobrir as mesmas coisas.

 

A questão racial no Brasil, entre negros e brancos, sempre teve dois lados. Branco contra negro e negro contra branco. Nego, no Brasil, mais que discriminação é palavra de carinho! É péssimo, quando por ideologias políticas se tenta levantar uma parte da população contra a outra e criar, aumentar ou acentuar problemas que já não deveriam mais existir. Negros e brancos são tão bonitos e feios como em qualquer outra raça e sob vários e pessoais pontos de vista; e negros há muito tempo não são mais minoria no Brasil.

 

Que cada um, negro, branco, mulato, amarelo, roxo ou cor de rosa, tenha o direito de expor suas características e belezas, sem serem molestados ou se sentirem constrangidos.

 

Que cada um escolha seu Deus, ou não o tenha, conforme seus princípios e crenças e deixe os outros acreditarem no que quiserem, respeitando suas crenças e seus rituais, desde que não firam a lei como o sacrifício de pessoas ou animais, mas louvando suas entidades e se tornando melhores por causa disso!

 

Que cada um tenha o direito de escolher para si, para si mesmo, a melhor forma de amar, de ter seus prazeres sexuais, de conviverem intimamente com quem bem entenderem e gostarem, sem ter que dar satisfação a ninguém por isso e sem que para isso tenham que ir para a rua expor suas intimidades e seus costumes mais íntimos.

 

Tão bom que a gente começasse o ano, repensando, inteligentemente, essas questões! Sem se sentir envolvido por belas canções como aquela: “o meu lugar é a terra”, que sai com frequência nos meios de comunicação, para que se aceite sem questionar, passivamente, a ideia dos direitos dos imigrantes, esquecendo muitas vezes os direitos básicos dos naturais. A terra é de todos, mas cada um nasce no seu país e precisa lutar e batalhar para fazê-lo melhor, sem que para isso tenha que viver “o sonho americano”.  Os imigrantes precisam ser tolerados. Mas precisam respeitar e tolerar quem os aceita. Essas coisas pregadas só para um lado, redundam mais cedo ou mais tarde em violência. 

 

Consciência e analise plena daquilo que se prega e daquilo que é verdade. Se existe Deus verdadeiro é um só e para todos. Cor, cabelos e olhos não fazem ninguém pior, ou melhor. Opção sexual é coisa intima e individual e não assunto de aula ou doutorado!

 

Se a gente conseguir ir colocando as coisas em seu devido lugar, entendendo-as, e dando-lhes a importância devida sem seguir a cabeça dos plantonistas de mando ou de comunicação, teremos um ano mais tranquilo. E 366 dias mais felizes.

 

Pronto, Falei!

CANGURU PERNETA! AIRTON MONTEIRO – Coluna da Sexta-Feira

Publicado por
em
  • Compartilhe
  • Compartilhar no Linked In
  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no WhatsApp
  • Compartilhar no Twitter

Veja Também:

Artigos Relacionados

Deixe seu comentário Sua opinião é muito importante!