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FLÁVIO J JARDIM - NOTÍCIA VERDADE

Coluna da Sexta. Airton Monteiro. IMORTALIDADE CIBERNÉTICA

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Coluna da Sexta. Airton Monteiro. IMORTALIDADE CIBERNÉTICA. “A quantidade total de entropia no universo pode ser revertida?

Coluna da Sexta. Airton Monteiro. IMORTALIDADE CIBERNÉTICA

      E então, quando os técnicos assustados já não conseguiam mais segurar a respiração, houve uma súbita volta à vida no visor integrado àquela porção de Multivac. Cinco palavras foram impressas: DADOS INSUFICIENTES PARA RESPOSTA SIGNIFICATIVA.” Isaac Asimov, A Última Questão.

 

Você consegue imaginar uma pessoa com chips nas pontas dos dedos e nas mãos e sabe-se mais aonde? Um montão deles, mais de cinquenta, espalhados pelo corpo? Você já ouviu falar na bio-hacker escocesa, moradora de Berlim, conhecida pelo apelido Lepht Anonym? Não? Pois ela faz essas coisas bem interessantes, no próprio corpo.

Ela consegue desbloquear seu celular e seu computador, sem precisar manuseá-los, além de fazer compras e pagamentos através de chips implantados em suas mãos.

O que está por trás dessas experiências é o fato de a humanidade conviver, desde o Éden, com duas inquietações:

Primeiro, a insatisfação com a vida: nada é suficiente. Lembra da árvore da ciência do bem e do mal? A velha estória da maçã? A pessoa nunca está satisfeita com o que é e com o que tem, nunca está feliz. Mesmo que esteja no Paraíso Terrestre. Vive a vida querendo sempre algo a mais. Alguns chamam isso de Estado Permanente de Infelicidade. Como sigla virou moda, EPI, nada a ver com equipamento de proteção individual.

Daí a continua inquietação. A continua imaginação; a busca do desconhecido, a busca da felicidade. A Imaginação humana não tem limites, nem físicos, nem temporais nem limitações por qualquer tipo de coisa ou barreira. Talvez esteja ai a interpretação de que fomos feitos “à imagem e semelhança de Deus”!  Pela imaginação, somos iguais a Ele. Podemos viajar bilhões de quilômetros à frente e chegar ao futuro mais inesperado ou voltar trás e modificar o presente através de uma mudança no passado, em frações de segundo: onipotente, onipresente, onisciente. A Imaginação é que impulsiona ciência, torna realidade o que ainda não existe. Para conseguirmos isso, basta, apenas, superarmos a velocidade da luz e tornarmos real o conto de Isaac Asimov: A Última Questão. Isso é o conceito de divindade, de eternidade! Só Deus é Senhor do Tempo e pode agir no presente, no passado ou no futuro, ao mesmo tempo. Só sendo mesmo, humano, para ter conseguido imaginar uma coisa dessa!

E um último detalhe: os cientistas e teóricos da computação cognitiva podem até estar certos quanto às limitações da mente humana, Mas a imaginação humana não tem limites. Desconfio que, nossa capacidade de transformá-la em realidade, também não!

Segundo: a outra grande frustração é a morte: o homem sempre considerou a morte um escárnio. Uma coisa absurda e sem sentido. Essa realidade é a maior frustração do homo sapiens. Mas, só os humanos podem imaginar a vida eterna! 

Vamos tirar o chapéu para os humanos, não ficamos esperando por milagres, apesar de inventá-los e apregoá-los. A nossa busca constante pela imortalidade se realiza todos os dias, na construção de monumentos e em obras de arte; na criação de filhos e netos; na produção de obras literárias; na eterna busca da fonte da juventude; no aumento da expectativa de vida e, com as novas perspectivas da biotecnologia, busca-se, volto a dizer, incessantemente, o prolongamento da vida ou a própria eternidade. Homem Deus? Como diz Yuval Harari? Pode ser! Ou estão esperando o Homo Ciberneticus? Realmente a imaginação não tem limites.

E olha que a gente já conseguiu um bocado de coisas nesses últimos milênios: sejam ganhos externos, como voar, andar no espaço sideral ou mergulhar nas profundezas oceânicas, nos aviões, naves ou submarinos; seja colocar um marca-passo para botar o velho coração para bater certinho. Ou colocando próteses, em braços e pernas, implantes dentários e capilares e a retirada do cristalino dos olhos e colocação de uma lente artificial nas cirurgias de catarata, que hoje qualquer dos nossos velhinhos faz com a maior tranquilidade e nem imagina que está se tornando um ciborg = ciber + org. 

Sempre que a humanidade se encontra frente a uma grande transformação, aparecem teorias filosóficas, científicas, políticas, catastróficas etc. As preocupações são absolutamente normais, bem como o besteirol. 

Na atualidade, duas grandes teorias se espalham pelo mundo inteiro sobre as atuais expectativas para o futuro: a Singularidade e o Transumanismo. 

A Singularidade é um termo nascido num texto de ficção cientifica “A Iminente Singularidade Tecnológica”, do americano Vernor Vinge, em 1993. A Singularidade, de acordo com ele, aconteceria no momento exato em que a inteligência artificial ultrapassasse a inteligência humana.

A humanidade não se esfacelou com a invenção do avião, do navio, da eletricidade, do som, nem de coisas muito piores do que a internet e a inteligência artificial, como a bomba nuclear, não há razão para descabelar-se agora.

Se a mente humana parar de inventar, porque uma máquina a substituiu, a humanidade vai parar também de existir. Ai a gente entrega as chaves do mundo aos computadores e vai embora e, o ultimo que sair puxe a tomada! Ah sim. Precisa primeiro aparecer uma máquina que produza outra máquina: que consiga imaginar!

Imaginar o que?

Não vamos medir nossa velocidade pela de um carro de Formula Um ou querer fazer cálculos mais rápido que um computador ou ter uma memória de bilhões de elefantes? Seremos superados por essas maquinas frutos de nossa imaginação e inteligência?

A Tecnologia, além de atender aos sonhos humanos, é a extensão de nossas capacidades. A Extensão! – entendeu bem? Apenas isso! A memória super extraordinária do maior computador jamais inventado é apenas uma extensão da nossa. Extensão viu? De nossa inteligência, essa pobre e superada inteligência! Pra que diabos um computador precisa de memória? Quem precisa de memória somos nós! Esqueceram isso foi? Para que diabos grandes computadores estão jogando xadrez? Pra se divertir, pra mostrar ao outro que é melhor? Ou pra conquistar uma gatinha?

No meu modo de entender, a singularidade vai continuar a ser apenas uma ficção! Uma singularidade fictícia e ficcional. E o Transumanismo, apenas mais uma teoria para explicar o óbvio.

O Transumanismo, uma ideologia que surgiu em 1980 no Vale do Silício, mais pragmática, pretende a melhoria física e intelectual dos seres humanos, - ou será dos computadores? - por meio das novas tecnologias e da inteligência artificial. Com a perspectiva de uma fusão entre o ser humano e a máquina. O ciborgue mesmo! E aí os teóricos de plantão, apelidaram essa nova fase de “trans”. Trans o quê? Vamos nos “trans” formar em uma coisa diferente? Além de humanos? “Pós humanos”? Neo Humanos?

Transumanismo é o conceito de superação dos limites biológicos impostos ao homem, como o envelhecimento, as doenças e até a morte, por meio da biotecnologia! Aliás, superação dos limites naturais, foi sempre o que a humanidade fez nesses últimos dez milênios.  Ou viajar pelo espaço não é uma superação dos limites naturais? Ou controlar a água e o fogo não é? Ou construir “computadores inteligentes”?

Quando a medicina consegue interligar o cérebro humano e implantar uma prótese artificial em um braço e dar-lhe todos os movimentos, isso é Transumanismo? Vá lá que seja! Nome não dói! Se os cientistas conseguem imitar o cérebro humano de forma cibernética, o que já acontece com o Watson, por exemplo, pode, da mesma forma, dar ao cérebro humano, a mesma capacidade de memória e rapidez de um computador! Ou não pode? Se um computador consegue acessar os dados, nas nuvens, de um imenso Banco de Dados, Big Data, por que meu cérebro também não pode?

Entendeu agora porque a Singularidade não faz muito sentido?

A gente quer mesmo é continuar vivendo, fortes, sadios, bonitos e inteligentes. Pode ser difícil, mas vamos continuar tentando! E acho que de alguma forma chegaremos lá. Há sempre o perigo, da mesma forma que hoje, de: com quem estará esse poder todo?

O estado permanente de busca da felicidade deixa o homem infeliz, insatisfeito e até belicoso. O Nirvana sonhado pelos budistas não passa de um grande desejo. O céu dos judeus, cristãos e muçulmanos pode ser muito interessante, mas a gente gostaria de ficar por aqui mesmo!

Coluna da Sexta. Airton Monteiro. IMORTALIDADE CIBERNÉTICA

Existe uma terceira teoria, um pouco mais antiga, início do século XX. Um Padre Jesuíta, Teilhard de Chardin, condenado ao silencio em vida e depois resgatado por João Paulo II, Bento XVI e pelo Papa Francisco. Teilhard fala do Ponto Ômega para descrever o último e máximo nível da consciência humana. De acordo com Chardin e o cientista Vladimir Vernadsky, o planeta Terra está em um processo de transformação contínua, indo da biosfera para a noosfera, que seria a parte da biosfera mais influenciada pelo universo do pensamento, pela atividade mental consciente, chamada também de antroposfera.

No meu entender, o Ponto Ômega, seria o retorno ao Paraíso Terrestre, que jamais existiu, mas que sempre foi desejado. Tudo isso são apenas teorias! Vamos ver como tudo vai acontecer.

A Imortalidade é o sonho humano mais antigo e mais universal que existe.

As religiões são o caminho mais conhecido para conseguir isso: “o meu lugar é o céu. É lá que quero morar!”, mas, na verdade, ninguém tem pressa, pelo medo do desconhecido, o medo do lado de lá.

Mas nem por isso a humanidade desiste. Imortalidade, ressurreição, renascimento, reencarnação, sobrevida qualquer coisa, contanto que sejamos imortais!

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