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FLÁVIO J JARDIM - NOTÍCIA VERDADE

Coluna da Sexta-Feira. Airton Monteiro. FUZIL DE CAÇADOR.

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Coluna da Sexta-Feira. Airton Monteiro. FUZIL DE CAÇADOR. E eu ousaria complementar: “se você quer melhorar a caça, invista no caçador! Não adianta um fuzil de última geração com mira telescópica nas mãos de um caçador incapaz”.

Coluna da Sexta-Feira. Airton Monteiro. FUZIL DE CAÇADOR.

A gente tem mania de esquecer as coisas. Quem se lembra do Césio 137? lá no lixão de Goiânia? Ou de Chernobyl? No entanto outras coisas continuam a acontecer numa sequência quase normal. Agora mesmo são as estranhas manchas de óleo nas praias nordestinas. Estranhas? Por quê?

 

Poderíamos discorrer aqui sobre os riscos da tecnologia nuclear ou sobre o transporte de óleo bruto, através dos oceanos. Sobre a usina vagalume de Angra dos Reis, dos acordos internacionais mal feitos, da corrupção que põe em risco o desenvolvimento ou aplicação das novas tecnologias.

 

Por outro lado, podemos aproveitar para defender a necessidade de termos nossas próprias tecnologias, sobre a imprescindibilidade da proteção da soberania nacional com armamentos modernos, num momento que temos nossa Amazônia que se encontra tão ameaçada; sobre a poluição dos combustíveis fósseis, e sobre a necessidade de substituição dos derivados do petróleo, cujas reservas não durarão muito tempo. Mas, esse não é nosso objetivo aqui.

 

Diz Hervé Serieux no livro O Bing Bang de las Organizaciones: “É suicídio colocar instrumentos técnicos avançados e potentes em estruturas técnicas ou sociais despreparadas”, E eu ousaria complementar: “se você quer melhorar a caça, invista no caçador! Não adianta um fuzil de última geração com mira telescópica nas mãos de um caçador incapaz”. J.A. Monteiro in Reengenharia Organizacional.

 Coluna da Sexta-Feira. Airton Monteiro. FUZIL DE CAÇADOR.

O excesso de sofisticação da economia americana, sem a preparação adequada das camadas mais simples da sociedade levou o país a graves crises, como a das habitações. O état de bien-être social francês sofreu seus abalos com a automatização dos postos de combustível e consequente onda de desemprego. Quem acompanha a sofisticação de alguns países e as exigências da modernidade nas principais e prósperas nações europeias, com relação às menos favorecidas, sabe bem da onda de desemprego, da dificuldade de honrar compromissos, da insatisfação das populações e consequentes revoltas, da fome, da falta de habitações e das crises em geral. Como conviverem satisfatoriamente a Alemanha e a Grécia, num mesmo contexto econômico?

 

Quão caro está saindo para a humanidade, esses avanços tecnológicos, sem o devido preparo das massas, principalmente de operários, que assistem o fim dos seus empregos, o surgimento de novas oportunidades e a falta de condições e preparo para assumi-las.

 

Talvez, paralelamente aos avanços tecnológicos, como o de fazer Thimbault, um francês, tetraplégico andar, com um exoesqueleto, através de um sistema que registra e decodifica os sinais cerebrais, devêssemos estar mais preocupados em abrir novos caminhos, preparar as pessoas, atualizar as escolas, que continuam agindo como se não tivessem nada com isso, inclusive as universidades, para que, como Thimbault pudéssemos todos andar com as próprias pernas, até o final do milênio.

 

Voltando ao tema inicial: será que a Rússia deveria ter parado o seu programa nuclear, ou que o Brasil deixasse de usá-la na medicina, até aprenderem a ter mais cuidado ou a descartar lixo tóxico de forma mais apropriada? Ou que a Europa deveria partir para equalizar o desenvolvimento de todos os seus membros, antes de qualquer passo pra frente?

 

Não é bem por ai. Essa é a forma como falam os “radicais livres”. Ninguém consegue parar a evolução. Para tanto há que aprender a assobiar e chupar cana ao mesmo tempo.

 

O que queremos alertar é: O tamanho do homem é sem dúvida o tamanho de sua tecnologia ou da tecnologia que seja capaz de utilizar. Se isso sempre foi verdade, hoje é imprescindível, sob pena de termos de conviver com uma multidão de inúteis.

 

Resumindo, primeiro aparecem as necessidades e os desejos e depois se preparam as possibilidades – a estatura – das pessoas com relação às tecnologias. Atualmente o que mais se vê nesse campo são gambiarras. Pessoas usando tecnologias sem saberem bem o que estão fazendo, arrumando gambiarras para que as coisas deem certo. Isso vai dar problema, mais cedo ou mais tarde!

 Coluna da Sexta-Feira. Airton Monteiro. FUZIL DE CAÇADOR.

Será que a tecnologia não gera desemprego? E ai, não seria melhor dar uma parada? Claro que não!

 

Se assim fosse, os países mais desenvolvidos seriam aqueles com maior índice de desemprego. Entre eles os Estados Unidos, com o menor índice de desemprego de sua história, a Alemanha, a Suécia, dentre tantos outros. Aqueles países que não aprecem na mídia, no noticiário, porque parece não terem muitos problemas, a Escandinávia, os Países baixos...

O que acontece é exatamente o contrário. Cingapura por exemplo, com 0,2% de desemprego. Alguém sabe de algum problema econômico, social, político?

A gente pode concluir que, o desemprego é uma questão de estatura humana x tecnologia implementada ou ainda, o desemprego é o resultado ou o mau resultado da falta de responsabilidade e de planejamento público e privado, a nível macro e micro.

 

Seria interessante que os tecnólogos e cientistas nunca esquecessem que, primeiro, é preciso preparar o caçador. Se não a caça continuará a ser um fracasso! Aliás, soube há pouco que os grandes conglomerados tecnológicos, a nível mundial, estão à procura de filósofos, sociólogos e antropólogos. Um bom sinal. Vão fazer tecnologia para quem?

 

A tecnologia sempre foi a busca da facilitação da vida, a busca do bem estar, o ócio criativo, como dizia Domenico de Masi, vendas, faculdade e raciocínio lógico, em sua ideia central.

A procura da felicidade e de coisas mais dignas e humanas.

 

Quando os resultados advindos dos avanços tecnológicos não repercutem positivamente em prol de grande parte da população, alguma coisa está muito errada ou pelo menos bastante descaracterizada. Em termos tecnológicos!

 

Uma tecnologia que vai de encontro à realidade cria frustrações e criminalidade.

Querem um exemplo? Bem simples? Lá vai:

Temos uma avançada tecnologia na construção de automóveis, não resta dúvida. Nossos carros ultrapassam os 200km/hora fácil, fácil! Já nossas estradas, em sua maioria, por falta de manutenção ou construção inadequada, permitem o máximo de 80km/h. E ai, dirigir é sustentar uma besta desenfreada. Aliás, duas!

Tecnologia que não pode ser usada; valor agregado que você pagou por ele e que não pode utilizar são aberrações tecnológicas. O automóvel tem potencial de correr, fica pedindo isso. O motorista fica freando o tempo todo para não ultrapassar a velocidade máxima permitida. Cria-se até em alguns automóveis um controle que apita quando você ultrapassa uma certa velocidade. Mas, e daí? Tem radar? Aqui não? Então toca para os 180! E ai vem a contravenção, o crime, o acidente, a morte. Resultantes do choque entre a tecnologia e a ignorância; entre a tecnologia e o atraso. E os governos, espertamente, em vez de aplicar recursos em melhorar as estradas principalmente ou de desenvolver tecnologias mais contidas nos automóveis, preferem instalar radares eletrônicos para recolher mais dinheiro da população.

 

Honestamente, você acha isso avanço tecnológico? Desenvolvimento? Civilização?

 

Um dia desses, falando dos avanços tecnológicos, citei Teilhard de Chardin, em sua ideia de que os avanços da humanidade são a tentativa de voltar ao Paraíso Terrestre, mesmo que ele nunca tenha existido, mas, se não cuidarmos em preparar o caçador incapaz, corremos o risco de, mais uma vez, sermos expulsos dele, antes mesmo de ter entrado!

 

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