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FLÁVIO J JARDIM - NOTÍCIA VERDADE

Coluna da Sexta-Feira. Airton Monteiro: Vai um Cafezinho?

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Coluna da Sexta-Feira. Airton Monteiro: Vai um Cafezinho? A gente se acostuma tanto, com as coisas do dia a dia, que, às vezes, nem notamos as mudanças. - Como Zezinho cresceu! Ou, como a Mariazinha ficou bonita!

Airton Monteiro: Vai um Cafezinho?

      Ficamos tão acostumados a tomar um café bem quentinho, antes de sair pra trabalhar, que nos esquecemos que, houve um tempo, o café não existia.

      Falando nisso, vamos nos fazer uma pergunta: como é que eram as escolas, antes do descobrimento do Brasil? Na Europa, é claro!

      E ai, passa na nossa cabeça, algumas imagens: prédios antigos, crianças com roupas diferentes, bancas de madeira e uma professora ou professor, com uma vara na mão, dando aula e castigando quem errasse. E que matérias seriam ali ensinadas? Será que havia quadro negro? Quantos alunos por classe? Quantos anos de escola?

      E podemos esticar essa enorme lista de perguntas até o infinito, pelo simples fato de que esse tipo de escola nunca existiu, antes dos anos 1.700, antes da primeira Revolução Industrial. Apenas, trezentos aninhos atrás!

      A leitura, a escrita, a oratória, a lógica, a gramática, as línguas, salvo raríssimas exceções, ficavam restritas aos conventos e mosteiros.

      Juntamente com algumas das principais ciências, como a matemática, a astrologia, a filosofia, a teologia, visto que todas as mais antigas universidades nasceram ou episcopais ou monacais, sob o comando da Igreja Católica, com suas grandes bibliotecas e seu batalhão de monges dedicados durante a vida inteira, ao estudo e à cópia de documentos e escritos antigos.

      O que viria a ser a agronomia e a pecuária e muito da química e da física, se estendiam nos jardins dos mosteiros, onde as experiências práticas se desenvolviam, muitas vezes com a participação de pessoas das comunidades, ora trabalhando como ajudantes, ora somando seu conhecimento prático, das artes e da vida. E desse trabalho e camaradagem, surgiram as bebidas, como o vinho, os perfumes, os estudos de piscicultura, a feitura dos queijos, as conservas etc.

      O Que hoje chamamos de ensino básico, nunca existiu. O aprendizado dos jovens se dava em casa ou nas igrejas. A formação para o trabalho, a ourivesaria, o artesanato de louças e panelas e ferramentas, a ferramentaria e todas as outras formações de oficio, ficavam a cargo dos artesãos. Quando um jovem era admitido numa profissão, nela permaneceria por toda a vida e, provavelmente, formaria nela seus filhos e netos. Da mesma forma que os avôs e bisavôs da antiga Pesqueira, sonhavam que seus netos e bisnetos fossem trabalhar na Fábrica Peixe ou na Rosa.

      Todo período agrícola, que se inicia há dez mil anos atrás, onde todas essas coisas nasceram, cresceram e se desenvolveram e trouxeram a humanidade até quase os nossos dias, em algumas regiões da terra, não exigia muito mais que isso, nem previa grandes transformações.

      Não faz muito tempo, era comum se perguntar em família, o que o Carlinho quer ser, quando crescer, ou se o pai da Aninha vai permitir que ela vá estudar em Recife. Era possível, de certa forma, prever e programar o futuro. Da mesma forma que se criticava uma pessoa que vivesse mudando de emprego. Uma profissão é pra toda vida.

      Por volta de 1.700 com a invenção do motor a vapor e do início de produção em escala, quando os tecidos deixaram de ser fabricados nos teares manuais para serem produzidos em teares mecânicos, massificando a produção, ou quando os doces de goiaba deixaram de ser cozinhados nos tachos e as caldeiras a vapor começaram a revolucionar nossa cidade, os pequenos artesãos tiveram que ir para as fabricas. Não dava pra competir com a Peixe, fazendo doce em casa. Nossos doceiros e doceiras deixaram de fazer doce, para fazerem parte de uma linha de produção. Para cumprirem pequenas, cansativas e rotineiras tarefas, o dia todo, todo dia, sob o calor constante e as ordens do contramestre, sem mais poderem dizer que sabem fazer doce. Quem faz doce é a Peixe!

Airton Monteiro: Vai um Cafezinho?

 

      E ai surgiram as “máquinas de fazer coisas”. Em vez de uma pessoa que soubesse fazer tudo, agora se precisava de operadores que fizessem uma “pequena parte” do jeito de se fazer o produto todo.

      Surgiu a necessidade de preparar operários para produzirem, em massa, e consumidores para consumirem em massa, e vendedores para vender em massa. Para se disciplinarem a fazerem só o que era pra fazer, a trabalhar o dia todo, a produzirem em grupo. Surge o capitalista que monta a fábrica, compra a matéria prima, paga os operários e vende a mercadoria.

      A escola. Essa que a gente conhece hoje e que a gente defende com unhas e dentes foi criada para tornar possível a Primeira, a Segunda e a Terceira Revolução Industrial e está despreparada para enfrentar a nova Revolução do Conhecimento, que alguns estão chamando de Quarta Revolução Industrial, mas que de industrial tem muito pouco e que está chegando com uma rapidez incrível. Aquela Máquina de Fazer, agora serão Maquinas que se Comunicam!

      Para se instalar e fazer sucesso nesses trezentos anos surgiram as ideologias principais que dominam o mundo até hoje, como capitalismo, fascismo, comunismo e outras que chegam a parecer que desapareceram. O mundo esteve em constante guerra, sem falar nas Primeira e Segunda Guerras Mundiais. Duas bombas atômicas chegaram a ser explodidas e até hoje o mundo não conseguiu, com sua produção em massa, consumo de massa, sistema bancário massificado, democracias, monarquias, ditaduras, massacres e medo constante não resolveram os problemas principais do mundo.

      Talvez se formos capazes de entender tudo o que aconteceu e os terríveis erros cometidos, sejamos capazes de construir algo melhor para o futuro, Até porque, o que parece estar chegando por ai, não se parece muito com nada massificado. Talvez tenhamos que retroceder a algumas coisas do período agrícola. Vai ser ótimo, para os saudosistas. Um cafezinho quente com pão e manteiga, num fogão a lenha e um celular de última geração conectando-nos com o mundo. Vai um cafezinho?

Airton Monteiro: Vai um Cafezinho?

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