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FLÁVIO J JARDIM - NOTÍCIA VERDADE

GLÉBIA, A TÉCNICA DE JEOHSAH SANTOS, QUE É INSPIRAÇÃO PARA ATLETAS COM DEFICIÊNCIA DE PESQUEIRA E REGIÃO

GLÉBIA, A TÉCNICA DE JEOHSAH SANTOS, QUE É INSPIRAÇÃO PARA ATLETAS COM DEFICIÊNCIA DE PESQUEIRA E REGIÃO
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A treinadora Glébia Galvão mergulhou fundo no mundo fechado dos portadores de deficiência de Pesqueira e região, extraindo dele campeões, moldando talentos e tudo que ela toca vira Ouro, Prata ou Bronze. Medalhas, claro.

       O verdadeiro campeão é não é aquele que passa por dificuldades, por grandes desafios... Mas o que supera tudo isso com muita alegria, sorrindo.

       A treinadora e atleta pesqueirense Glébia Galvão se tornou uma excepcional garimpeira de campeões. Ela lapida talentos, molda vencedores, extrai e recupera de meninos e meninas a força interior que foi ofuscada por algum tipo de deficiência. Ela sonha alto e é determinada, mas ter um representante de Pesqueira no pódio nas Paralimpíadas de Tóquio 2020 é possível, tudo isso graças a um trabalho de suor, determinação e lágrimas, desde que saiu do Sítio Floresta (na região do distrito de Papagaio) e literalmente “ganhou o mundo”.

       Sua força também está no semblante. Olhos fixos, atenta, focada. Desde que se dedicou exclusivamente à função de técnica de atletas, soma vitórias, recebe reconhecimentos e “tudo que toca vira Ouro, Prata ou Bronze”. Medalhas, claro.

       A trajetória de Glébia se confunde com as histórias de superação de crianças pesqueirenses que, além de nascerem numa posição social desfavorável, ainda se notaram “diferentes”. Foram vítimas de olhares atravessados, preconceituosos e tiveram que se reinventar para viver num mundo onde as adversidades foram triplicadas pela deficiência física, visual, auditiva ou intelectual.

       A função da técnica Glébia Galvão sempre foi ter que tirar da cabeça desses meninos e meninos a frase “eu quero, mas não posso”. Além do corpo a da mente de futuros campeões, sua arte, seu trabalho (triplicado também), é tornar vencedores àqueles a quem a vida deu, antes da felicidade, uma prova de obstáculos sem fim.

       Só para se ter uma ideia da grande “matéria-prima” que técnicos e professores de educação física têm, é um dado estarrecedor onde a região amarga o índice de quase 25% de crianças com algum tipo de deficiência. O estudo não-científico foi feito por um colaborador do PODE e revelou que essas crianças nasceram assim devido à falta de atendimento neonatal na época, consanguinidade e efeitos da automedicação praticada de forma inconsequente por mães desavisadas.

       Adversidade, só os verdadeiros campeões passam por ela e tem uma história pra contar. O fato é que não se deve olhar pra trás. A função da técnica não é essa, mas sim de readaptar pessoas, embutir sonhos e transformar deficiência em medalhas, reconhecimento, superação. Ela vem conseguindo e seu trabalho e resultados vêm crescendo a cada dia. Glébia é a treinadora do pesqueirense Jeohsah Santos, uma prova inconteste de que a deficiência não é limite, mas um obstáculo a ser derrubado.

       Recentemente, o paratleta Jeohsah Santos foi vice-campeão do mundo no salto em altura, em Berlin, na Alemanha. Quando Glébia se tocou do que estava acontecendo, um filme passou por sua cabeça. A primeira imagem que veio foi a da corda pendurada em duas cadeiras para o atleta pular e cair na piscina, por falta de um simples colchão para pôr no chão, ‘técnica’ improvisada que ela, sem meios e recursos, usou para o início do treinamento de nosso campeão.

       Nesse filme cerebral, viu a pequena garota preocupada com a hora de sair do sítio Floresta para ir a Pesqueira treinar, mesmo com o cuidado dos pais. Projetou às vezes que foi impedida de viajar para as provas, por que a delegação só convocara o atleta e não a treinadora. Agradeceu a Deus por que nunca desistiu e até imaginou a realização de seu sonho: a construção de um Centro de Treinamento destinado a crianças com deficiência que poderão ser nossos futuros campeões.

       Esse sonho, esbarra na falta de apoio. Ela precisaria de patrocínio para concretizar um espaço que faltou tanto para ela, quanto para Jeohsah e para outras crianças. A intenção dela é que o CT seja uma alternativa para portadores de deficiências encontrar no atletismo uma forma de felicidade, de autoestima, de superação, de vida. Todos podem ajudar, mas quem vai ganhar realmente são nossas crianças, que precisam de mais um caminho a seguir. Mas o Centro de Treinamento dos sonhos de Glébia é um capítulo à parte que vamos contar em outra reportagem.

 

TÓQUIO 2020

 

       A treinadora Glébia Galvão, no auge da experiência, é categórica ao afirmar que Pesqueira tem chances reais de compor o pódio nas Paralimpíadas de Tóquio em 2020. Jeohsah e Marcos não são promessas, já provaram que são verdadeiros campeões e podem superar paratletas da Europa, Ásia e América do Norte, onde as crianças portadoras de algum tipo de deficiência têm apoio integral em tudo. Não precisa nem comparar onde treinam esses atletas e os nossos.

       Já imaginou? Um nordestino, pesqueirense, que passou quase toda sua vida ouvindo que a necessidade especial era um empecilho, ganhar uma das medalhas na competição? Seria um recado às pessoas para investirem mais no atletismo e na formação de crianças que não tiveram culpa alguma em nascer “diferente”.

       Falar no títulos, prêmios e medalhas da treinadora Glébia, do paratleta Joehsah e de crianças e jovens que já provaram que são mais do que capazes, é chover no molhado. Eles já mostraram que talento têm. O que falta mesmo é mais respeito, investimentos e apoio ao trabalho sério e determinado desenvolvido por Glébia e tantos outros professores que veem em portadores de alguma deficiência a possibilidade da mudança da vida e da superação através do atletismo.

       “Em Pesqueira temos belos exemplos, com um grande futuro pela frente. Fico muito feliz de podermos colher esses frutos, formando não só campeões, mas ótimos cidadãos”, destacou a treinadora Glébia Cristina Costa Galvão, um exemplo de garra, força e determinação que começou a conquistar o mundo. Na bagagem, leva atletas e traz campeões.

 

RECORDES

 

 

       Glébia Galvão se tornou técnica exclusiva de Jeohsah e disse, emocionada ao falar na interação entre ela e atleta, que o que torna pessoas como ele tão especiais é o autoconhecimento. Para ela, muitas vezes, a principal dificuldade não é a saúde física, mas a saúde mental, que é capaz de produzir fantasmas que limitam o desenvolvimento humano.

       Segundo estudiosos, “seres humanos que obtiveram tantas conquistas conseguiram transformar suas crenças limitantes em pensamentos fortalecedores por terem passado por um período reflexivo muito importante para a superação das adversidades”.

       Diante de desafios, a pessoa se sente forçado a repensar verdades, valores e sentimentos por querer viver e seguir em frente. “A capacidade de encontrar um foco, elencar ações e colocá-las em prática para chegar a determinado objetivo ou resultado torna as pessoas mais aptas a enfrentarem os desafios”, dizem especialistas.

       Com Jeohsah, a treinadora trabalha muito a confiança e a esperança ligadas ao objetivo principal e específico de cada um. Por isso, que Glébia sempre se sente mal quando deveria estar ao lado de seu atleta e, muitas vezes, a burocracia ou a falta de apoio não possibilitam isso.

       Muitas pessoas acham erroneamente que o atleta é convocado e pode levar seu técnico. Existe toda uma burocracia. Tanto o atleta quanto o técnico têm que ser convocados. Em várias competições, Glébia deu as instruções do alambrado, de fora da arena, quando deveria estar junto, perto para até o último segundo antes da prova, dar detalhes, e até apoio moral.

 

 

AVIÃO SEM ASA, FOGUEIRA SEM BRASA

 

   

       Sobre a superação, Glébia fez vários cursos e especializações na área técnica e, nesse caso específico de Jeohsah, teve que se aprofundar no Salto em Altura para deficientes. “É preciso se enxergar em algo maior, que traz resultados para a prova. É necessário que o atleta saiba que seus valores, propósitos e missão de vida estejam presentes nessa jornada, em cada prova”, destaca a treinadora.

       O único limite que existe no alcance das metas, na ótica de Glébia, é o imposto pelo próprio ser humano, que acredita saber de si e se fecha para as pessoas e para o novo. Tanto é que ela diz, categoricamente, que o atletismo dá cidadania, valores e respeito. “A pessoa tem que saber entrar e sair”, diz, usando uma gíria nordestina.  

       A treinadora, após ser técnica pernambucana, fazer cursos em São Paulo, trabalhar em empresas privadas e descobrir que seu mundo é Pesqueira, observa no auge de seu conhecimento que “As adversidades e os desafios estão presentes em cada um e é preciso rir cada vez mais deles, rir e chorar como uma criança que não enxerga limites para ultrapassar as barreiras e que vê no medo a possibilidade de construir um novo sorriso, com muito mais propósito”, diz.

       Glébia e Jeohsah é uma parceria igual o brasileiríssimo feijão com arroz. Melhor: um sem o outro é “Avião sem asa, Fogueira sem brasa”, como diz a canção “Fico Assim Sem Você”, de Claudinho e Bochecha, eternizada na voz de Adriana Calcanhoto. A família de Jeohsah vai mais além e diz que “são duas almas gêmeas que se encontraram”.

 

 Texto: Flávio J Jardim

 

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