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FLÁVIO J JARDIM - NOTÍCIA VERDADE

Médicos cubanos querem ficar em Pesqueira

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Médicos cubanos querem ficar em Pesqueira. Os médicos cubanos trabalham no município e adotaram a cidade como Lar. Segunda-feira haverá uma reunião em Pesqueira.

Médicos cubanos querem ficar em Pesqueira

 

Médicos cubanos querem ficar em Pesqueira

       Imagine você se dedicar aos estudos para ter um futuro melhor, enfrentar a concorrência da faculdade de medicina, passar, cursar com louvor, não ter mercado de trabalho em seu país, aceitar migrar para o Brasil para um Programa de Atenção Básica, constituir uma família, ganhar o respeito de pacientes e de toda comunidade e, de uma hora para outra, ser quase que obrigado a voltar à terra natal?

       Imaginou? É nessa situação que se encontram os médicos cubanos que trabalham em Pesqueira.

       Na última quarta-feira (14), os cubanos de Pesqueira e de todo o país foram surpreendidos quando, em nota, o Ministério da Saúde de Cuba anunciou o fim da parceria, atribuindo a decisão a declarações “depreciativas e ameaçadoras” do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL).

       Ainda não se sabe como será o futuro desses profissionais, mas a expectativa divulgada é de que médicos cubanos deixem o País até 31 de dezembro.

       Segundo a Coordenadora da Atenção Básica em Pesqueira, Katarine Tenório, “por eles não iriam embora. Todos adoram Pesqueira e tem um amplo trabalho que traz benefícios incalculáveis à população. Uma dedicação exemplar”, destaca Katarine.

Médicos cubanos querem ficar em Pesqueira

 

       A médica cubana Dianellis trabalha em Cacimbão. “Dos quatro médicos que faz parte do programa só um entrou em contato. Ele é casado e tem filho nascido aqui em Pesqueira, mas como ele não tem o Revalida não poderá continuar no programa”, explica a coordenadora, pesarosa.

“Ele queria saber se o governo vai deixar ele terminar o tempo que ele iria ficar sem fazer o Revalida, mas até agora o Ministério da Saúde não se posicionou sobre essas questões. Do coordenador deles, que representa o Ministério da Saúde, veio a informação:

       “O Ministério da Saúde recebeu nesta manhã (14) o comunicado da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), no qual o governo cubano informa que encerrou sua parceira no programa Mais Médicos. Diante do fato, o governo federal está adotando todas as medidas para garantir a assistência dos brasileiros atendidos pelas equipes da Saúde da Família que contam com profissionais de Cuba.

        A iniciativa imediata será a convocação nos próximos dias de um edital para médicos que queiram ocupar as vagas que serão deixadas pelos profissionais cubanos. Será respeitada a convocação prioritária dos candidatos brasileiros formados no Brasil seguida de brasileiros formados no exterior.

        Desde 2016, o Ministério da Saúde vem trabalhando na diminuição de médicos cubanos no programa. Até aquela data, cerca de 11.400 profissionais de Cuba trabalhavam no Mais Médicos. Neste momento, 8.332 das 18.240 vagas do programa estão ocupadas por eles.

        Outras medidas para ampliar a participação de brasileiros vinham sendo estudadas pelo Ministério da Saúde, como a negociação com os alunos formados através do FIES (Programa de Financiamento Estudantil). Essas ações poderão ser adotadas, conforme necessidade e entendimentos com a equipe de transição do novo governo.

        O Ministério da Saúde reafirma e tranquiliza a população que adotará todas as medidas para que profissionais brasileiros estejam atendendo no programa de forma imediata.”, informa a Nota, assinada pela Assessoria de Comunicação do Ministério da Saúde.

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PESQUEIRA

 

       Nesta segunda-feira, a prefeita de Pesqueira, Maria José, o secretário de Saúde, Lucival Almeida, e a coordenadora Katarine Tenório, vão receber os médicos cubanos que atuam no município para conversar sobre o assunto.

       Um dos médicos de Pesqueira está no Programa ganhando integralmente porque passou no Revalida e conseguiu cidadania brasileira após o casamento. Ele trabalha na UBS do Centenário I.

       “A situação dele é bem diferente dos outros que não têm cidadania brasileira. Já médico Serguei conseguiu a cidadania brasileira, mas sem o Revalida não poderá atuar como médico no Brasil”, ressalta Katarine.

Médicos cubanos querem ficar em Pesqueira

 

       Ela informou ainda que três médicas não têm cidadania brasileira. Não se casaram aqui e nem tiveram filhos. A outra médica cubana, Zoyla, vive outra situação. Conseguiu passar no Revalida e também se casou no Brasil. No momento, ela está contratada pelo município e está aguardando a saída do edital do Programa Mais Médicos para se inscrever.

       “A situação da contratação e atuação dos médicos na Atenção Básica dependem muito dessas questões, se pertence ao Programa recebe um valor, se é cubano e não tem cidadania brasileira e o Revalida, recebe outro, e tem ainda um médico brasileiro que não pertence ao Programa e recebe menos do que os brasileiros que estão no Programa”, frisa Katarine, esperando “que estas questões sejam resolvidas pelo Governo Federal para que as ações da Atenção Básica sejam mais efetivas e eficazes”, completa.

Médicos cubanos querem ficar em Pesqueira

Médicos cubanos querem ficar em Pesqueira

       Nesta segunda-feira, após a reunião com o Secretário de Saúde Lucival e com a prefeita de Pesqueira, Maria José, é que os gestores deverão pensar como proceder neste caso.

       “Edilma, Rosália, Serguei e Dianellis. São esses os quatro cubanos que estão como intercambistas no Programa. Todos adoram Pesqueira e queriam continuar aqui até o final do período acordado”, finaliza Katarine.

 

PLANOS OBSTRUÍDOS

 

       O fim da parceria com Cuba no programa pode atrapalhar os planos dos profissionais, que encontraram no Brasil uma chance de viver.

       O cenário preocupa. O retorno ao país de origem não é uma possibilidade. Vivendo no Brasil eles não só conseguem exercer sua profissão, mas têm a chance de constituir família. Uns já são casados. “Eu amo o meu país, mas não quero voltar para lá de maneira compulsória. Eles não podem decidir por mim. Eles não perguntaram se eu queria ficar no Brasil”, disse outro cubano, que preferiu não se identificar, que trabalha numa cidade vizinha.

       Ele informou que, em Cuba, os médicos assinaram o contrato e o documento deixa claro que eles iriam ganhar cerca de R$ 3 mil reais. “Mas ninguém me explicou que os outros médicos estrangeiros iriam ganhar mais de R$ 10 mil reais”, revela.

 

Programa "Mais Médicos"

Orçamento: 

 

Em 2017, o Ministério da Saúde do Brasil destinou R$ 3,1 bilhões para o Programa Mais Médicos. Para 2018, a cifra é de R$ 3,3 bilhões.

Profissionais: 

 

Em 2017, o Ministério da Saúde do Brasil abriu concurso para selecionar brasileiros para o programa: 6.285 se inscreveram para 2.320 vagas disponíveis. Apenas 1.626 apareceram para trabalhar. Cerca de 30% dos profissionais deixaram seus postos de trabalho antes de um ano de serviço.

Atualmente, os médicos cubanos ocupam 8.332 das 18.240 vagas do programa. Eles trabalham em 2.885 cidades, sendo que 1.575 municípios só possuem cubanos atendendo a população.

Os cubanos são responsáveis por 75% dos atendimentos a população indígena no Brasil.

O Mais Médicos ainda conta com cerca de 2.000 vagas ociosas.

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