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FLÁVIO J JARDIM - NOTÍCIA VERDADE

O excelente espetáculo “Meu Seridó”, em Pesqueira.

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O excelente espetáculo “Meu Seridó”, em Pesqueira. Público pesqueirense se viu na ancestralidade do Sertão Potiguar e aplaudiu de pé.

O excelente espetáculo “Meu Seridó”, em Pesqueira.

O excelente espetáculo “Meu Seridó”, em Pesqueira.

       Contar a história de 10 mil anos do Sertão do Seridó em apenas 1 hora foi uma tarefa fácil para a produtora Casa de Zoé, no espetáculo “Meu Seridó”, na noite desta quarta-feira (29). O projeto Palco Giratório do SESC trouxe a Pesqueira a peça, que foi apresentada na Praça da Rosa, no Centro da cidade.

       O público aplaudiu de pé. Eu também. Era uma plateia atenta. O grupo levou os espectadores a uma viagem pela história do Seridó potiguar. Dirigido pelo ator César Ferrario, a peça mostrou com uma linguagem acessível e personagens autênticos, o Sertão do Rio Grande do Norte.

       Foi um passeio imaginário. A encenação conseguiu exprimir a relação do Homem com a Terra. Mais ainda: durante o espetáculo as pessoas se identificaram e se transmutaram nas “muitas pesqueiras” que, mesmo não citadas propositadamente no texto, estavam escancaradas nas entrelinhas.

       Uma semelhança da nossa história, contada pelo grupo, foi vista pelos pesqueirenses. Conflitos agrários, decolonização, matança de índios, invasão portuguesa e imposição de dogmas.

       Após o espetáculo, numa roda de conversa, os integrantes explicaram que a peça “não era panfletária, mas sim uma forma de levar o público a pensar”. Assim o foi.  

       A cada ato, a cada atuação de uma personagem, as pessoas iam se identificando com o tema e faziam uma similitude entre o Sertão do Seridó e o Agreste e Sertão de Pernambuco. Foi mágico, instigante.

       Nem Raul Seixas, na música “Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás (Raul/Paulo Coelho), conseguiu ser tão preciso na montagem de uma ideia, de um contexto. Casa de Zoé conseguiu. Falou dos portugueses, do vaqueiro, das dificuldades da mulher nordestina, dos judeus e até do Acauã.

       Ao final, o grupo deixou uma plateia satisfeita e pensativa. Na luta entre o Vaqueiro e Índio, se viu algumas dessas “Pesqueiras”. Os Cariris e outras etnias eram “encantados” e espelhados na forma Xukuru.

       As perguntas “É Seridó ou Solidó?” ficaram para o dever de casa de cada espectador. Além do recado preservacionista, onde cada um deve cuidar do meio ambiente, a peça enfocou a desertificação, a miscigenação, o papel da mulher, da Igreja, do branco, do negro e do índio.

       Nunca, em momento algum, uma peça teatral foi tão comparativa na cabeça do público. Ou seja, por mais que a Casa de Zoé citasse a ancestralidade do Sertão do Seridó, o atento espectador pesqueirense “se via” na trama, vestindo a célebre frase de Leon Tolstói: “fale sobre sua aldeia e falará sobre o mundo”. Peça Excelente. Parabéns ao SESC e ao excelente trabalho da gerente da unidade Pesqueira, Ticiana Prudêncio.

O excelente espetáculo “Meu Seridó”, em Pesqueira.

 

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