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ASTRONOMIA | Centenário do Dia do Estrondo: Comemoração e Ciência em Alagoinha, agreste de Pernambuco

Uma comemoração de 100 anos desde a queda do meteorito na Serra do Magé. Em podcast, o Professor e Astrônomo Antônio Carlos Miranda (UFRPE) fala sobre o evento e sua excitação pelo centenário do Dia do Estrondo. Prefeito Uilas Leal convida a todos para o evento nesta sexta-feira (29)

Publicado em 27 de setembro de 2023 às 16:48
Atualizado há 7 meses

ALAGOINHA (PE) – Há exatos 100 anos, em um dia que ficaria marcado na memória de todos, um evento extraordinário e cósmico abalou os tranquilos campos do agreste de Pernambuco, mais precisamente em Alagoinha. Era o primeiro dia de outubro de 1923, quando, por volta das 11 horas da manhã, um meteorito decidiu escrever sua história nos céus daquela região.

       O local escolhido para seu grandioso espetáculo foi a Serra do Magé, uma majestosa testemunha da passagem dos séculos. Alagoinha, então um distrito de Pesqueira, e o Sítio Cacimbinha, ao norte da mesma serra, seriam os palcos dessa surpreendente odisseia cósmica. Outros lugares não escapariam de sua influência, pois fragmentos desse visitante celestial também caíram em diversos pontos da região.

A trajetória desse meteorito foi impressionante. De uma distância de cerca de 60 quilômetros, ele percorreu uma trajetória do sudeste para o noroeste, passando pelos céus de Garanhuns antes de finalmente explodir na Serra do Magé. Era como se as estrelas tivessem escolhido esse lugar remoto para um espetáculo único.

       As testemunhas oculares descreveram o evento com uma mistura de assombro e êxtase. Tudo começou com um clarão, tão intenso que parecia um relâmpago. Em seguida, uma trovoada avassaladora ecoou pelos céus, acompanhada de um estrondo que estremeceu a terra. Por cerca de três minutos, uma região inteira viveu em meio a esse espetáculo celestial.

       No momento da explosão, o meteorito, essencialmente composto de pedra, fragmentou-se em uma miríade de pedaços que caíram do céu como uma chuva de estrelas. Eles desprendiam gases, criando uma espécie de fumaça que acrescentava ainda mais mistério às características. Esses fragmentos variavam em tamanho, com os maiores medindo entre 7 e 10 centímetros de lado, enquanto a maioria tinha menos de 5 centímetros.

       A notícia desse evento surpreendente se propagou como fogo selvagem nas diversas cidades, vilas, povoados e sítios da região. Até mesmo em Serra Talhada, que na época era conhecida como Vila Bela, o aspecto foi observado.

       O impacto desse meteorito foi notável em todos os aspectos. O gado, em lugares próximos à Serra do Magé e Garanhuns, ficou em estado de choque e saiu em disparada, incapaz de compreender a grandiosidade do acontecimento. A população, tomada pelo pânico, abandonou suas casas amedrontadas com o que poderia acontecer a seguir.

       Em Garanhuns, a grande distância de ar causada pela explosão foi tão poderosa que diversas vidraças se estilhaçaram e objetos foram arremessados ​​das prateleiras. Na Serra do Magé e em Cacimbinha, fragmentos do meteorito caíram em cima dos telhados, geralmente rolando para o chão sem causar danos significativos. Apenas uma casa teve o infortúnio de ter telhas quebradas.

       Assim, há 100 anos, Alagoinha e suas redondezas testemunharam um espetáculo cósmico que deixou marcas profundas na memória e no coração das pessoas. A queda do meteorito na Serra do Magé não apenas iluminou os céus com seu clarão, mas também iluminou a imaginação daqueles que presenciaram esse evento raro e deslumbrante, tornando-se uma parte indelével da história de Alagoinha e de Pernambuco.

O DIA DO ESTRONDO COM FESTA

       Nesta sexta-feira, 29 de setembro, a cidade de Alagoinha se prepara para comemorar o centenário do Dia do Estrondo, um evento histórico que ocorreu em 1923, quando um meteorito caiu na Serra do Magé, no distrito de Pesqueira. A queda desse meteorito deixou uma marca indelével na história local e agora, cem anos depois, a comunidade se reúne para celebrar esses dados significativos.

       O meteorito caiu originalmente no dia 1º de outubro de 1923, na Serra do Magé, Alagoinha, que na época era um distrito de Pesqueira. Fragmentos do meteorito também foram encontrados em outros lugares próximos, incluindo o Sítio Cacimbinha, ao norte da mesma serra. Essa ocorrência deixou uma lembrança de tensão na comunidade e agora é uma parte importante da história local.

       O prefeito Uilas Leal está integrado ao evento e informou que “Para marcar esse centenário de maneira especial, Alagoinha está organizando uma série de eventos emocionantes”. O destaque do programa será a presença do renomado astrônomo e professor Antônio Carlos Miranda, da Universidade Federal Rural de Pernambuco. O professor Miranda recebeu um prêmio nacional da revista AstroNova por suas contribuições à pesquisa astronômica.

       Segundo o Secretário de Turismo de Alagoinha, Kiko, uma ampla programação foi pensada para o dia. O professor Miranda estará na Escola do Campo do Magé durante a sexta-feira, onde realizará experiências e interações educativas com os alunos das escolas públicas de Alagoinha. As atividades estão programadas para ocorrer em dois turnos, pela manhã, às 10h, e à tarde, às 15h. Os alunos terão a oportunidade única de aprender sobre astronomia e ciências espaciais com um dos principais especialistas do país.

       Além disso, a cidade promoverá um evento no centro da cidade a partir das 17h. A praça central será o epicentro das comemorações, com uma exposição de artesanato da Feirinha local e apresentações culturais que irão destacar a rica herança da região. O evento contará ainda com uma emocionante atividade de teste de lançamento de foguetes, que promete encantar visitantes de todas as idades.

       Para os entusiastas da astronomia, um observatório de astros será montado, equipado com telescópios para observações. Este é um momento perfeito para explorar o céu noturno e descobrir mais sobre o universo que nos cerca.

       Em entrevista, o Professor Antônio Carlos Miranda manifestou sua excitação pelo evento: “Estou muito animado por fazer parte das comemorações do centenário da queda do meteorito em Alagoinha. É uma oportunidade única para inspirar jovens mentes a se interessarem pela astronomia e ciência espacial. Mal posso esperar para compartilhar meu conhecimento e paixão com os alunos e a comunidade local”, destacou.

OUÇA ABAIXO A ENTREVISTA, EM PODCAST, COM O PROFESSOR ANTÔNIO CARLOS MIRANDA.

       A cidade de Alagoinha convida todos a se juntarem a eles nesta celebração única, que combina educação, cultura e ciência para homenagear o Dia do Estrondo e seu impacto duradouro na história local. É uma oportunidade para aprender, celebrar e se maravilhar com os mistérios do cosmos, enquanto se registra este evento icônico que ocorreu há cem anos. Venha fazer parte desta festa que promete ser inesquecível.

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