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FAZEDOR DE CULTURA | O legado de José Jorge de Almeida: uma jornada pela cultura pernambucana

José Jorge de Almeida, conhecido por muitos como um verdadeiro guardião da cultura, tem sua história contada de forma única e envolvente em um artigo imperdível escrito por Ana Paula Oliveira Soares. A Trajetória artística e cultural de um fazedor de cultura em Pernambuco

Publicado em 11 de março de 2024 às 20:56
Atualizado há 1 mês

Neste artigo, apresentaremos a vida artística e cultural de José Jorge de Almeida, um fazedor de cultura nascido e residente no interior de Pernambuco. José Jorge, nascido em 9 de setembro de 1973, na cidade de Venturosa/PE, demonstra desde a adolescência seu amor e paixão pelas artes, inspirando e motivando jovens, crianças e adultos a experimentarem a arte em suas vidas.


José Jorge de Almeida participou de diversas apresentações e criações culturais, desde peças de teatro nos grupos de jovens de sua comunidade até espetáculos renomados, como “Jesus, Alegria dos Homens” em Garanhuns/PE e “Origem” (videoarte – criação coletiva exibida no Brasil e no Festival Internacional da Grécia). Almeida também se destacou em programas sociais, como o PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil), atuando como Educador Social e Artístico, educando crianças e adolescentes em situação de risco e vulnerabilidade através da arte e da cultura.


A trajetória artística de José Jorge de Almeida será apresentada neste artigo, destacando seu início de carreira, suas contribuições no campo educacional e na comunidade religiosa cristã, além de considerações importantes sobre sua história e legado. Não pretendemos abordar todas as produções e trabalhos do artista, mas sim os mais relevantes, devido à extensão limitada deste artigo.

José Jorge de Almeida, conhecido por muitos como um verdadeiro guardião da cultura, tem sua história contada de forma única e envolvente em um artigo imperdível escrito por Ana Paula Oliveira Soares.

VEJA ARTIGO NA ÍNTEGRA ABAIXO:

PASSEIO PELA TRAJETÓRIA ARTÍSTICA E CULTURAL DE JOSÉ JORGE DE

ALMEIDA: Um fazedor de Cultura

ANA PAULA OLIVEIRA SOARES

Resumo

Este artigo pretende mostrar a trajetória artística e cultural de José Jorge de Almeida, refletindo sobre sua contribuição para a manutenção da cultura pernambucana. Esse artista tem realizado inúmeros trabalhos artísticos e ajudado na formação e manutenção da cultura tradicional e popular, principalmente através das artes cênicas, campo de maior formação e atuação do mesmo. Sua trajetória tem inspirado outras tantas pessoas que têm o sonho de se dedicar ao mundo das artes e tornar esse mundo o lugar melhor através da arte e da cultura. Não pretendemos expor todas as produções e trabalhos do artista, apontaremos apenas os mais relevantes, isso porque não daríamos conta de toda sua história em pouco mais de dez páginas.

Palavras-chave: trajetória artística, cultura, arte-educador.

Introdução

Neste artigo tratarei de apresentar a vida artística e cultural de um fazedor de cultura, nascido e residente no interior do estado de Pernambuco, José Jorge de Almeida, com o intuito de tornar ainda mais público o fazer artístico desse grande homem. José Jorge nasceu em nove de setembro de 1973, na cidade de Venturosa/PE, cresceu e reside até hoje em uma comunidade rural e desde a adolescência demonstra seu amor e paixão pelas artes, bem como impulsiona e motiva outros jovens, crianças e adultos a experimentarem a arte em suas vidas.

Almeida participou de várias apresentações e criações culturais e artísticas, desde os mais simples, como as peças de teatro nos grupos de jovens da comunidade onde reside, até os mais famosos, como o espetáculo “Jesus, Alegria dos Homens” (Garanhuns/PE) e Origem (Videoarte – criação coletiva fig. Exibição, Brasil e Festival Internacional da Grécia Outro aspecto que merece destaque é sua participação em programas sociais, como o PETI -Programa de Erradicação do Trabalho Infantil-, nos quais o mesmo atuou como Educador Social e Artístico, educando através da arte e da cultura as crianças e os adolescentes em situação de risco e vulnerabilidade.

O presente artigo está assim organizado: primeiramente será apresentado como foi o início da carreira deste artista, na sequência se vislumbra suas contribuições no campo educacional e depois na comunidade religiosa cristã, por último trarei considerações importantes sobre a história de Almeida.

Como e onde começou essa história

A paixão de Almeida pelas artes começou desde muito cedo, quando ainda era criança, com a admiração por artistas renomados, como Tony Ramos, nessa época José Jorge acompanhava e admirava a teledramaturgia exibida nas novelas. Foi na escola, em que cursou o ensino fundamental e médio, que Almeida começou seu fazer artístico, na década de 90, em peças teatrais. Logo em seguida iniciou sua caminhada em grupos de Jovens da igreja Católica e, junto com os amigos de caminhada, o teatro foi se tornando uma marca na vida de almeida e do grupo de jovem. Tais peças teatrais tinham como temática a religiosidade e a fé, buscavam levar a religião através das artes e ensinar as pessoas a se tornarem cristãs atuantes na comunidade religiosa. Foi nesse cenário religioso e escolar que o artista se revelou. participando em grupos de teatro e Associação Teatral de Venturosa, atuando em peças como paixão de Cristo.

Após essas experiências o artista percebeu que seu talento e paixão pelo teatro, e artes-cênicas de modo geral, poderiam alcançar patamares maiores, foi então que decidiu ir para São Paulo, com o propósito de estudar e se tornar um ator profissional. Fez teste em uma das emissoras televisivas mais renomadas do país, chegando a ser aprovado e selecionado para atuar em uma novela (Torre de Babel), mas alguns contratempos o impediram de chegar ao Rio de Janeiro para assinar o contrato, de modo que seu sonho de ser ator profissional teve que ser adiado por um tempo.

De volta a sua terra natal, em meados dos anos, José Jorge voltou a engajar-se nos movimentos da igreja e iniciou trabalhos artísticos em projetos sociais do município de Venturosa e do estado de Pernambuco. Nos projetos sociais dedicou-se a levar cultura e formação para crianças e adolescentes em situação de

vulnerabilidade. Seus trabalhos contribuíram e contribuem para a formação cultural e cidadã de muitos jovens. Na igreja foi, durante muito tempo, um líder de comunidade e junto dos seus pares fez inúmeras apresentações culturais que renderam entretenimento, conhecimento, tradição cultural, envolvimento e o despertar da fé.

Formação e reconhecimento

José Jorge de Almeida é ator, diretor em audiovisual, produtor cultural educador social. O mesmo tem uma vasta formação em seu currículo, bem como atuação em diferentes eventos culturais, principalmente em Garanhuns e Venturosa. Almeida participou de várias oficinas e cursos Expressão Corporal e Vocal, Interpretação, Cenografia, Dança Popular, Maquilagem Artística, Encenador Teatral. Vídeoarte (Oscar Malta. cineasta), Fotonovela (Tuca Siqueira. cineasta) 2006/2007 FIG. Workshop: apresentação de argumento, roteiro, estratégia de realização, plano de filmagem e dicas de realização (Tuca Siqueira. Cineasta). Captação de imagem, decupagem, edição, e produção em vídeo digital, possibilidade de transffer em 35 mm ou 16 mm. (Oscar Malta. cineasta). Teoria do Cinema. (Ana Catarina Galvão crítica de cinema). Técnica em desenho de animação. (Lula Gonzaga – cineasta).

Tanto conhecimento adquirido resultou em várias produções e participações em eventos culturais, dentre elas temos: diretor de documentários de curta e de média- metragem na 1ª MOSTRA DE VIDEO/Garanhuns -2008, especialmente com o Videoarte Origem, uma criação coletiva exibida no Brasil e selecionada para ser apresentada no Festival Internacional da Grécia. Documentário Pensar Universal Samba de Coco parelha trocada no Quilombo Estrela 2010. Como ator, o trabalho de maior destaque foi no espetáculo Paixão de Cristo: Jesus, alegria dos Homens, atuando como personagem Jesus nos anos de 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012- Garanhuns/PE. Como produtor realizou duas mostras de vídeo amador em Garanhuns/PE, nos anos de 2008 e 2009, sendo um dos idealizadores e organizadores do evento.

Seu talento e dedicação trouxeram também o reconhecimento desse grande artista, tanto pela imprensa local quanto por órgãos governamentais, a exemplo disso temos várias publicações e aparições em jornais como: Folha Vox, Revista de Balanço: cultura.PE, Correio Sete Colinas, Rota do Crime principalmente entre 2010 e 2013. Foi citado no livro de Emerson Almeida (2013) – Uma História Venturosa: de vila à cidade – como um artista que contribuiu para a formação cultural do município, principalmente na atuação em peças teatrais. Nesse mesmo ano recebeu Prêmio de Ator Destaque em Venturosa/PE.

Recentemente, Almeida foi selecionado para receber a premiação do Estado de Pernambuco na área de “Técnicos e Técnicas da Cultura e das Artes”. Prêmio esse que comprova sua relevância para a comunidade, seja na produção e divulgação das artes, seja na manutenção e incentivo à cultura popular pernambucana. Aqui entendemos cultura popular tal como define a UNESCO:

A cultura tradicional e popular é um conjunto de criações que emanam de uma comunidade cultural fundada na tradição, expressas por um grupo ou por indivíduos e que reconhecidamente respondem às expectativas da comunidade enquanto expressão de sua identidade cultural e social; as normas e os valores se transmitem oralmente, por imitação ou de outras maneiras. Suas formas compreendem, entre outras, as línguas, a literatura, a música, a dança, os jogos, a mitologia, os rituais, o artesanato, a arquitetura e outras artes (UNESCO, 1989).

Como vemos, o reconhecimento desse artista nos mostra que o mesmo é um fazedor de cultura, que vem construindo um legado há mais de três décadas, impactando positivamente as vidas das pessoas e mantendo viva a cultura popular das comunidades por onde passa.

No início desse ano, José Jorge se inscreveu no edital José Tenório Galindo de Ações Criativas e Formativas em Audiovisual, no município de Venturosa, tendo sido selecionado na categoria Capacitação e formação em audiovisual, o mesmo ministrará oficinas. Também teve, em janeiro do ano em curso, uma matéria publicada em um Jornal da cidade de Garanhuns, matéria essa que conta um pouco da trajetória desse artista.

Contribuições para a educação

Falar das parcerias e da dedicação de Almeida no campo Educacional é, antes de tudo, mostrar que ele sempre esteve a frente do seu tempo, contribuiu e contribui para uma educação plural e integral, principalmente de crianças e jovens, já que suas atuações enquanto monitor de artes e educador social, em programas sociais e projetos de extensão, proporcionaram conhecimento social e cultural, despertaram o pensamento criativo, valorizaram e ampliaram o repertório cultural e a comunicação por meio das artes, utilizaram a tecnologia a serviço da produção artística, desenvolveram o senso crítico, o autoconhecimento, a cooperação de maneira criativa e responsável (competências gerais previstas na BNCC ).

A caminha de José Jorge esteve diretamente ligada à educação. Não por acaso, suas primeiras atuações, escrevendo e encenado peças teatrais, foram na escola e para além do fazer arte o mesmo começou desde cedo a incentivar e ensinar artes- cênicas aos colegas. Sua primeira atuação como adestrador/oficineiro foi em um projeto de extensão Férias na Escola, no ano de 1999, quando ministrou oficinas de teatro na Escola Estadual Quitéria Wanderley Simões, no município de Venturosa/PE.

Almeida foi monitor de artes e educador social no Programa de Erradicação do Trabalho Infantil em 2004,  em uma escola da zona rural do município de

Venturosa/PE, no qual fez inúmeras oficinas, peças de teatro, apresentações culturais de quadrilha junina, samba de coco, desfiles, incentivando as crianças a se engajarem no esporte e em atividades culturais que eram apresentadas à comunidade local, bem como na cidade. Sem dúvida, esse trabalho rendeu muito crescimento profissional a José Jorge, e aos que tiveram a oportunidade de telo como “Mestre” um vasto conhecimento cultural além do despertar da sensibilização que as artes proporcionam. O artista também colaborou com a formação de crianças e adolescentes no Programa Mais Educação em uma escola Estadual do município de Garanhuns em 2010, e em uma escola municipal de Venturosa em 2014, atuando como instrutor de artes cênicas. A seguir temos um registro de Almeida atuando na escola municipal de Venturosa.

Pensando nos desafios que a educação enfrena na contemporaneidade e também nas mudanças constantes que enfrentamos, percebemos que trabalhos como os de Almeida se tornam essenciais para as crianças, os jovens e os adultos em formação, pois como afirma Moran

Quanto mais avançadas as tecnologias, mais a educação precisa de pessoas humanas, evoluídas, competentes, éticas. São muitas informações, visões, novidades. A sociedade torna-se cada vez mais complexa, pluralista, e exige pessoas abertas, criativas, inovadoras, confiáveis (MORAN, 2014, p. 116).

É dessa forma que podemos definir o trabalho de José Jorge, um educador inovador, criativo, que tem feito um trabalho inspirador e sério, contribuindo significativamente para uma formação plural através do seu fazer artístico.

Almeida fez outros tantos trabalhos, a exemplo temos a parceria com a Universidade de Pernambuco – Campus Garanhuns – na qual participou como colaborador externo no Projeto de Extensão e Cultura “PENSAR UNIVERSAL: samba de coco parelha trocada e o tic tac do tempo, na comunidade Quilombola Estrela – Garanhuns – em 2010 e nesse mesmo ano realizou uma Oficina de Teatro às crianças e aos adolescentes do Quilombo Estrela, essa atividade foi citada em uma matéria no Jornal Correio Sete Colinas (2010), como mostra a imagem abaixo.

Além disso, o trabalho no Quilombo Estrela, rendeu também um artigo científico – no qual Almeida foi um dos autores – publicado em uma revista da América Central, o artigo fala sobre essa comunidade, e faz um resgate da história da mesma, nele os autores defendem que “o samba de coco parelha trocada representa a luta para manter viva a identidade e dignidade quilombola; seus valores culturais e principalmente a luta contra a opressão da sociedade” (AQUINO, et al, p.12). Houve ainda a criação de um documentário que foi exibido em um Quilombo na África. Além desse projeto, o artista ofertou Oficina de caracterização afro na semana universitária em 2010 e Oficina de Montagem de Vídeo na comemoração ao dia do Geógrafo em 2013, ambas na UPE.

José Jorge trabalhou no CEAC (centro de acolhimento a criança e ao adolescente) – Garanhuns – durante mais de cinco anos como Educador Social e Artístico, nesse período teve a oportunidade de ajudar dezenas de crianças a perceber e valorizar a arte. Também pôde ofertar oficinas artísticas aos adolescentes do abrigo.

Vale destacar que as contribuições de Almeida para a educação não se encerram apenas em instituições públicas, e que nesse artigo não conseguimos listar todas elas, dado o vasto currículo desse artista. Então, vamos expor apenas mais um de seus trabalhos, dessa vez em uma escola particular de grande reconhecimento na cidade de Garanhuns. No ano de 2011 José Jorge atuou como diretor da encenação teatral – Um rei diferente, na cantata natalina do Colégio Santa Sofia.

Arte e a fé juntas

Como mencionado no início desse trabalho, as primeiras participações e criações de Almeida tinham como temática central a religiosidade e a fé. Sua caminhada no campo das artes cresceu lado a lado com sua caminhada cristã, nesse sentido a arte foi colocada a serviço da fé, dos ensinamentos cristãos para uma vivência harmoniosa na sociedade. Uma das primeiras apresentações do ator foi em uma peça teatral intitulada “A libertação”, realizada pelo grupo de jovem da igreja Católica Caminho Aberto, do qual ele fazia parte. Pouco tempo depois José Jorge fez parte de uma Associação Teatral de Venturosa, quando teve a oportunidade de encenar no Espetáculo Paixão de Cristo, no primeiro ano viveu o personagem “Cego de Jericó”, depois foi o “Cristo” por alguns anos. As peças teatrais animavam a pequena cidade de Venturosa e alimentavam as tradições Cristãs dos fiéis, que contemplavam e admiravam a fé traduzida em forma de arte.

Vale mencionar ainda as atividades culturais realizadas na igreja da comunidade onde reside, principalmente nas festas da Padroeira e nas celebrações natalinas. Almeida fez, junto com moradores da comunidade, Alto de Natal, cantatas, dentre outras encenações. Além de dirigir e atuar nessas apresentações culturais, o artista trouxe para a comunidade grupos culturais variados como Mestre Benone, Mestre Gonzaga e Banda de Pífanos. Nessas ocasiões a comunidade se reuniu para celebrar

a fé, relembrar momentos marcantes da vida de Jesus e se confraternizar em fraternidade. Sem dúvida foram momentos de grande valia para manter viva as tradições culturais da comunidade e animar a fé do povo, comunidade essa que tem uma tradição religiosa muito forte, desde os antepassados, quando as famílias se reuniam em casas e até na pequena igreja do cemitério para rezar o terço e as novenas dedicadas a padroeira.

É bem verdade que durante alguns anos a comunidade supracitada parou suas atividades religiosas e foi graças a iniciativa de José Jorge que o povo voltou a se reunir, participar de grupo jovem, se organizar enquanto comunidade cristã e desde então essas tradições só aumentaram. Hoje a pessoas se reúnem na igreja, nas casas e realizam celebrações durante todo o ano.

Como já mencionado antes, Almeida conseguiu realizar muitos trabalhos artísticos e culturais, não só no seu município de origem, como também fora dele, dentre os trabalhos artísticos de cunho religioso seu trabalho de maior destaque foi em um dos eventos artísticos mais importantes de Pernambuco – o Espetáculo Jesus, Alegria dos Homens (Garanhuns/PE) – foi nesse trabalho que o sonho de se ator profissional se realizou, José Jorge teve a oportunidade de encenar o Cristo, tendo alcançado uma excelente performa-se e conseguindo o registro de ator no Sindicato dos Artistas e Técnicos de Diversões no Estado de Pernambuco. O Ator participou do Espetáculo por quatro anos, como o personagem principal “Cristo”. Mais uma vez seu fazer artístico esteve a serviço da fé, emocionando e levando a história de cristo a milhares de pessoas, em um evento que foi e é um dos mais marcantes para os cristãos católicos, como mostra a matéria abaixo, publicada no jornal O Espetáculo:

Assim percebemos que José Jorge tem contribuído na construção e valorização do patrimônio cultural imaterial dos municípios, onde tem atuado, e portanto do estado de Pernambuco. A UNESCO diz:

Entende-se por patrimônio cultural imaterial as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas – junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhe são associados – que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos, reconhecem como parte integrante do seu patrimônio imaterial. Este patrimônio cultural imaterial, que se transmite de geração em geração, é constantemente recriado por grupos em função de seu ambiente, de sua interação com a natureza, gerando um sentimento de identidade e continuidade e contribuindo assim para promover o respeito à diversidade cultural e a criatividade humana. O patrimônio imaterial, como foi definido acima, se manifesta nos seguintes campos: a) tradições e expressões orais; incluindo o idioma como veículo do patrimônio cultural imaterial; b) expressões artísticas; c) práticas sociais, ritos e atos festivos; d) conhecimentos e práticas relacionadas à natureza e ao universo; e) técnicas artesanais tradicionais (Unesco, 2003).

Nota-se que ao despertar nas comunidades o interesse pela cultura, através principalmente das artes cênicas, seu legado tem ajudado a construir a identidade da comunidade e esse legado ficará por muito tempo na memória, na história dos envolvidos, será recriado e ampliado pelas atuais e futuras gerações.

Considerações finais

Diante de tudo que foi exposto até aqui, podemos dizer que Almeida é um grande artista, um fazedor de cultura como poucos, preocupado com as crianças e

adolescentes e empenhado a lhes oportunizar e experienciar tradições culturais e conhecimento sobre as artes. E mais do que isso esse artista tem influenciado positivamente as pessoas a se organizarem e atuarem na comunidade, pois como diz Arantes:

fazer teatro, música, poesia ou qualquer outra modalidade de arte é construir, com cacos e fragmentos, um espelho onde transparece, com as suas roupagens identificadoras particulares, e concretas, a que é mais abstrato e geral num grupo humano, ou seja, a sua organização, que é condição e modo de sua participação na produção da sociedade. Esse é, a meu ver, o sentido mais profundo da cultura, “popular” ou outra (ARANTES, p.78).

Fica evidente que o mesmo merece todo apoio por parte da sociedade e do poder público para poder continuar levando as tradições culturais, a fé e o conhecimento às pessoas de maneira geral. Me atrevo a dizer que José Jorge é um Patrimônio Vivo e deviria ser reconhecido como tal, digo isso baseada no que consta no decreto do Estado de Pernambuco sobre patrimônio vivo, onde está escrito:

patrimônio vivo do Estado de Pernambuco: pessoa natural ou grupo de pessoas naturais, que detenham os conhecimentos ou as técnicas necessárias para a produção e a preservação de aspectos da cultura tradicional ou popular, de comunidades localizadas no Estado de Pernambuco e em especial, os que sejam capazes de transmitir seus conhecimentos, valores, técnicas e habilidades, objetivando a proteção e a difusão da cultura tradicional ou popular pernambucana, com prioridade para os artistas, criadores, personagens, símbolos e expressões ameaçados de desaparecimento ou extinção, pela falta de apoio material ou incentivo financeiro por parte do Poder Público ou da iniciativa privada (DECRETO 27.503/2004, Art. 2º, VII).

Durante todo o artigo já mostramos que Almeida é um conhecedor das artes, da cultura popular e que tem transmitido esse conhecimento de maneira responsável e com muito afinco a sociedade de modo geral. Seu fazer artístico é também um fazer história, que tem formado identidades e mantido vivas as tradições culturais.

TOUR THROUGH JOSÉ JORGE DE ALMEIDA’S ARTISTIC AND CULTURAL

TRAJECTORY: A maker of Culture

This article aims to show the artistic and cultural trajectory of José Jorge de Almeida, reflecting on his contribution to the maintenance of Pernambuco culture. This artist carried out numerous artistic works and helped in the formation and maintenance of traditional and popular culture, mainly through the performing arts, his field of greatest

training and activity. His trajectory has inspired so many other people who dream of dedicating themselves to the world of arts and making this world a better place through art and culture. We will not mention all of the artist’s productions and works, we will only point out the most relevant ones, because we would not be able to cover his entire story in just over ten pages.

Keywords: artistic trajectory, culture, art educator.

Referências

ALMEIDA, Emerson L.G. Uma História Venturosa: de vila à cidade. Venturosa, 2013.

AQUINO, Denise T. de et al. Pensar universal: samba de coco parelha trocada e o tic tac do tempo. Revista Geográfica da América Central, 2012, 2 (47E). Disponível em: https://www.revistas.una.ac.cr/index.php/geographica/article/view/3087. Acesso, fevereiro de 2024.

ARANTES, Antonio Augusto. O que é cultura popular. 8ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1990. (Coleção primeiros passos).

BEZERRA, Rafaely. Breve relato narrando a vida do artista multicultura José Jorge. Jornal Rota do Crime, Garanhuns, 24 de Fevereiro de 2024.

JANDUY, Carlos. Muitos atores e personagens: uma só história. Jornal O Espetáculo, Garanhuns, Março de 2010.

MORAN, José Manuel. A educação que desejamos: novos desafios de como chegar lá. Campinas-SP. Editora Papirus. Edição Digital 1/2014.

PERNAMBUCO.         Decreto         Nº          27.503/2004.                                   Disponível      em: https://legis.alepe.pe.gov.br/texto.aspx?tiponorma=6&numero=27503&complemento

=0&ano=2004&tipo=&url= Acesso em Fevereiro de 2024.

PIMENTEL, Josalia. 3ª Festa Quilombola – Quilombo Estrela. Jornal Correio Cultural, Garanhuns, 2ª Quinzena de Março de 2010.

UNESCO E MINISTÉRIO DA CULTURA. Recomendação Sobre a Salvaguarda da Cultura Tradicional e Popular (1989). Paris.

UNESCO. Convenção Para Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial (2003). Paris.

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