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Números de pessoas com deficiência cresce a cada ano. Ativista Social, Júlia reivindica mais políticas públicas

Ativista social quer trabalhar mais pela inclusão social da mulher e das pessoas com deficiência em Pesqueira

Publicado em 6 de agosto de 2020 às 18:02
Atualizado há 2 meses

       “Nossas crianças são a base do futuro que será construído e nosso maior bem como cidade. Eles serão os futuros líderes, os criadores da nossa riqueza, aqueles que irão proteger e cuidar do nosso povo”.

       É com essa frase que a líder comunitária e ativista social Julia Maria Batista, observa para o futuro de Pesqueira. Não só olha, mas concretiza e desenvolve ações que promovem a igualdade social em todo o município.

       Ela revela um dado assustador: o número de crianças com algum tipo de deficiência aumentou nas últimas décadas no Brasil e no interior de Pernambuco. Os dados são do próprio Censo Escolar.

       Só para se ter uma ideia, o número de alunos com transtorno do espectro autista (TEA) que estão matriculados em classes comuns no Brasil aumentou 37,27% em um ano.

       No dia 21 de setembro, é comemorado, no Brasil, o Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência. Essa data foi oficializada em 2005 pela Lei Nº 11.133, entretanto, já era comemorada desde o ano de 1982. O 21 de setembro foi escolhido porque está próximo do início da primavera, estação conhecida pelo aparecimento das flores. Esse fenômeno representaria o nascimento e renovação da luta das pessoas com deficiência.

        É nessa data em 2020 que Júlia vai apresentar sugestões e uma pauta de reivindicações para apresentar aos poderes públicos de Pesqueira. As sugestões foram colhidas por ela durante anos de trabalho na defesa dos direitos da pessoa com deficiência.

DEFESA DA MULHER

       Assistente Social, pós-graduada em gestão/políticas públicas e serviços social, já foi Conselheira Tutelar e executou diversas ações na Secretaria de Agricultura, no INCRA (onde tem uma atuação exemplar e reconhecida por toda sociedade). Exerce também um amplo trabalho em Defesa da Mulher, sempre pregando o empoderamento feminino e a igualdade entre as pessoas.

       “Minha paixão sempre foi trabalhar pelo social, fazer valer a igualdade social”, diz, revelando que aprendeu desde cedo numa frase de Nelson Madela: “A coragem não é a ausência do medo, mas o triunfo sobre ele. O ser humano corajoso não é aquele que não sente medo, mas o que vence esse medo”.

       Tanto é que seu nome já foi lembrado diversas vezes por pessoas da comunidade e lideranças políticas para que aceite emprestar seu nome para um mandato na Câmara de Vereadores de Pesqueira. Ela avalia e vai decidir ainda se aceita. Se aceitar, o projeto é perfeitamente possível, porque Julia conta com o apoio das famílias e de instituições sociais.

       “Júlia do Incra, como é mais conhecida, é uma atuante líder comunitária e pode aplicar toda sua experiência em um mandato popular, altamente ligado ao povo”, diz a mãe de um aluno com transtorno do espectro autista (TEA). “Ela nos dá inspiração”, frisa.

       Se decidir ser pré-candidata e, caso eleita, “pretendo fazer diferente. Cumprir o mandato ouvindo o povo, visitando as comunidades, viver presente nos bairros”.

       Nisso, Julia já tem experiência, tanto que sabe os anseios e desejos do povo. “Priorizaria ações que são mais necessárias para melhorar a qualidade de vida das famílias de Pesqueira”, destaca.

AMOR AO TRABALHO COM A PESSOA COM DEFICIÊNCIA

       Júlia sabe que a Educação é a arma mais poderosa que se pode usar para mudar a sociedade. Encara toda sua trajetória de trabalho como uma missão, um chamado, um mecanismo para poder trabalhar em defesa do seu povo. “Com o apoio de várias pessoas posso lutar para ampliar programas e projetos para todos, principalmente para a pessoa com deficiência”, revela.

       “O número de pessoas com deficiência (PcD’s) é elevado em todo o mundo e o desenvolvimento de ações que ajudem a inclusão social é necessário ser ampliado em Pesqueira”, prega Júlia.

       A deficiência gera efeitos psicossociais singulares e é necessário buscar entender como se pode ajudar na vida de cada pessoa: inserção profissional, ter alguma atividade produtiva e participação ativa nos poderes.  Segundo Júlia, é imperativo compreender os fatores que podem levar as pessoas com deficiência a terem uma vida normal, abrindo perspectivas para novos caminhos.

        “Tenho uma experiência muito grande em deficiência múltipla. Sempre abracei a causa cuidando da Inclusão Social. Fui secretaria da Associação de Familiares, Amigos de Pessoas Com Deficiência e Pessoas Com Deficiências -AFAS, um projeto fundado para o povo Pesqueirense em agosto de 2008”, explica Júlia.

APOIO ÀS PESSOAS E ÀS ENTIDADES

       Júlia fez parte do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência (COMPDE), organizou e participou de palestras no combate à violência contra a mulher. Teve papel importante na Coordenadoria da Mulher, dentro das comemorações ao Dia Internacional da Mulher em Pesqueira. Também fez uma excelente atuação no Conselho Tutelar e tem projetos e programas que promovem a Inclusão Social.

       Um dos destaques é a sua participação em congressos, fórum e seminários sobre Inclusão Social, principalmente numa interação altamente produtiva no Programa de Emergência Socio-Sanitária, cuja reunião foi em Brasília, no Distrito Federal.

       Júlia acredita que já houve avanços nesse tema, onde as pessoas com deficiência conquistaram espaço e visibilidade na sociedade, mas agora precisam de uma voz mais ativa. Segundo ela, os familiares das pessoas com deficiência também devem buscar maior reconhecimento dos direitos.

       Assim como, explica ela, as pessoas com deficiência, os trabalhadores, as mulheres, os negros, os homossexuais, dentre outros com organizações próprias, devem reivindicar mais espaços de participação e direitos.

       “Elas devem ser protagonistas na sociedade. Por isso sempre trabalhei para promover a progressiva ampliação da participação social das pessoas. A inclusão deve se tornar mais aparente”, diz Júlia, anunciando que se precisa “fazer políticas sociais que viabilizem a inclusão social dessa parcela da população”.

       Júlia lembra que, mesmo com tantos esforços dos Governos, a sociedade ainda não vê a real inclusão do deficiente em suas diversas esferas. Ela quer buscar mais resultados concretos que beneficiem as pessoas com deficiência, as mulheres e os negros.       

Júlia do Incra é uma lutadora desses direitos e, caso aceite o desafio de concorrer a uma vaga na Câmara de Vereadores, será uma voz forte na aplicação desses direitos.

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