Quinta, 25 de abril de 2024 hh:mm:ss

PESQUEIRA | CATRACA: UMA INCRÍVEL HISTÓRIA A SER CONTADA

Prato genuinamente pesqueirense tem uma história incrível e um sabor inigualável. O texto é de Monique Oliveira.

Publicado em 14 de setembro de 2023 às 23:25
Atualizado há 7 meses

PESQUEIRA (PE) – Em Pesqueira, agreste de Pernambuco, a origem da Catraca remonta aos anos 80, quando os jogadores do Time Tricampeão pesqueirense Comercial Esporte Clube, após treinarem no Estádio Joaquim de Brito, tinham como destino certeiro: A Rodoviária.

       Lá iam tomar um café reforçado e encontrar o combustível necessário para suas forças revigorarem.

       Alguns deles pediam mocotó, bode, galinha, entre outros itens do cardápio de outrora. Os mais modestos pediam o bom e velho “bife do oião”, um pouco de cuscuz e o caldo do mocotó que sobrava aos montes naquela época. Vale ressaltar que na rodoviária antes havia o desperdício do caldo do mocotó e com a invenção da Catraca, ele passou a ser essencial em sua composição.

       Ninguém ainda sabia, todavia, a alquimia da Catraca ali nascia, naqueles pedidos pós-treino, naquele misto de resenha e degustação. Aquela iguaria ainda não nomeada foi se aperfeiçoando também com as verduras que se harmonizavam e sacramentavam a receita que hoje é copiada, mas nunca igualada.

       Começou assim com um jogador, depois dois, três, quatro e logo a moda pegou e todos do time, inclusive o treinador passou a pedir aquele mesmo prato que só de olhar fazia a boca salivar e a pupila dilatar.

       Em uma manhã trivial, pousou um ônibus vindo de Teresina e os passageiros logo desceram para tomar um cafezinho. O motorista ao se deparar com aquela cena, quase cinematográfica, dos jogadores do Comercial Esporte Clube se deliciando com aquela refeição diferenciada, questionou: Que prato era aquele que em sua existência ele nunca vislumbrou? O treinador espontaneamente de “Catraca” batizou. Todos riram e não houve quem não se deleitou.

       E eis que chegou o grande dia da final do campeonato futebolístico. Dois times iriam se enfrentar: União Peixe Futebol Clube versus Comercial Esporte Clube. Vale salientar que enquanto os jogadores do União iam comer churrasco em um famoso restaurante da cidade, os jogadores do Comercial iam se abastecer de catraca na rodoviária.

       Estádio Joaquim de Brito lotado. Torcedores a prestigiar os dois grandes rivais a duelar. Muita emoção na disputa mais aguardada. Não deu outra, o Comercial conquistou o campeonato, venceu o União na raça e movidos a catraca. Não restam dúvidas que a vitória é atribuída a catraca e foram todos para a rodoviária comemorar o glorioso título e comer ainda mais catraca em clima de celebração. Como vocês podem ver a catraca é sim elixir de campeão. É a borboleta de ouro. Símbolo de regeneração. Levanta quem está indisposto e acalenta o coração.

       O tempo passou, a catraca se popularizou e sua fama se espalhou.  Ela é pura tradição. Legítimo patrimônio. Perfeita junção. E ouso dizer que para conhecer Pesqueira de verdade, turista ou não, tem que provar do seu autêntico sabor. Só assim vai entender toda sua dimensão. A rodoviária virou o palco e a catraca, sua principal atração.

Monique Oliveira

Na foto: “Painho (Zito) e os irmãos. Eles que desde o início conduziram essa história. E in memoriam Seu Tôta (padrasto deles) que não está na foto mas fez parte também da história da Catraca”.

Saiba Mais no Portal www.flaviojjardim.com.br (Link nos stories).

Voltar ao topo