Quarta, 28 de outubro de 2020 hh:mm:ss

Você sabe o que é um “Fileiro”? Auxílio Emergencial do Governo cria nova “profissão”: o “fileiro”

“Guardar vagas” na fila de banco ou lotérica vira atividade informal remunerada em toda região Agreste de Pernambuco. São os “fileiros”

Publicado em 27 de maio de 2020 às 20:31
Atualizado há 5 meses

       A dona de casa Josefa (nome fictício) é mãe de dois filhos, está desempregada, mora numa das cidades da região e oferece seus “serviços” em grupos de WhatsApp.

       Ela levanta da cama às 2h ou 3h da manhã e vai para a frente da Caixa Econômica Federal ou para uma das lotéricas da cidade. Não, ela não vai sacar algum dinheiro, depositar cheques ou fazer aplicações. Simplesmente vai pra lá para “guardar” uma vaga na fila da instituição financeira.

       Josefa*, como mais de uma dezena de pessoas de cidades da região, desenvolve a função de “fileira”. Isso mesmo. “Fileira” é a pessoa que chega na madrugada, entra na fila dos bancos ou das lotéricas e “guarda” uma vaga para outras pessoas que preferem ter a “comodidade” de chegar aos bancos por volta das 9h, quando oficialmente as instituições abrem.

       As pessoas beneficiadas pelo serviço não são abastadas. Elas simplesmente precisam ir ao banco para receber o auxílio emergencial do Governo Federal e não querem enfrentar a fila. Preferem tirar a uma pequena parte de seu benefício e pagar aos fileiros.

       Pelo serviço, os fileiros recebem R$ 10, R$ 15 ou até R$ 20,00. Utilizam esses recursos para completar o orçamento familiar ou porque não têm nenhuma renda mensal. “Faço isso porque não consegui me cadastrar a tempo para conseguir o auxílio do Governo Federal”, diz Josefa*

       A oferta do serviço geralmente tem publicidade em grupos de WhatsApp, muito populares todo o país. O fileiro oferece o serviço e espera que o “cliente” entre em contato.

       “Olá!

        Me chamo ********, quem quiser que eu vá até a Casa Lotérica ou a Caixa Econômica guardar uma vaga pra você na fila, entre em contato comigo através do número (**) ****-***. Desde já agradeço”, diz uma das mensagens utilizadas pelos “fileiros”.

       Simples assim. O cliente liga, diz o nome e marca o horário onde vai “receber” o serviço, ou seja, a vaga na fila. Ao tomar posse de seu lugar que alguém guardou, segue na fila normalmente até ser atendido.

       Os “fileiros” são profissionais e seguem uma espécie de “código de ética”. Nunca guardam vagas para duas pessoas. Apenas um “cliente” por dia pode adquirir uma vaga na fila.

ATIVIDADE

       Segundo artigo da Revista Consultor Jurídico, “Para os desempregados e ou subempregados, a procura de um “bico” possibilita um rendimento extra. Atende uma indispensável necessidade de complementação de renda, diante dos parcos salários então recebidos que não atende as necessidades familiares básicas com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social”.

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