20 DE MAIO DE 1998 | 26 anos da morte do cacique Xicão. Jornalista Flávio J Jardim fez cobertura para o JC
20 de maio de 1998. Assassinato de Xicão Xukuru comoveu todo o país e o mundo, e saiu na capa do Jornal do Commercio
Por Flávio José Jardim
atualizado há 2 anos
Publicado em
PESQUEIRA (PE) – 20 de maio. Nesta data, há 26 anos, a morte do cacique Xicão Xukuru, um líder indígena de grande importância, chocou o Brasil e trouxe à tona questões urgentes sobre a segurança e os direitos dos povos indígenas.
O repórter Flávio J Jardim, que era o correspondente do Jornal do Commercio, cobriu o trágico acontecimento, cujo impacto foi tão profundo que a reportagem estampou a capa do jornal diário.
O ASSASSINATO DE XICÃO XUKURU
Francisco de Assis Araújo, conhecido como Chicão, foi brutalmente assassinado em frente à casa de sua irmã em Pesqueira, Pernambuco. Antônio Pereira, um índio vereador da cidade, relatou que Chicão vinha sofrendo ameaças por mais de oito anos, evidenciando um longo período de perseguição e insegurança.
Após o assassinato, a comunidade Xukuru e líderes de diversas entidades, incluindo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), exigiram uma audiência com a administração regional da Funai em Recife. O objetivo era pressionar por providências e justiça. A morte de Xicão deixou um vácuo na liderança Xukuru, e a escolha de um novo líder tornou-se uma prioridade para a continuidade da luta e preservação dos direitos indígenas.
24ª ASSEMBLEIA XUKURU DO ORORUBÁ
Coincidindo com o aniversário da morte de Xicão, de 17 a 20 de maio, ocorre a 24ª edição da Assembleia Xukuru do Ororubá. Este evento, realizado na Aldeia Pedra D’Água em Pesqueira, teve como tema "Mandaru: cultivando as raízes, preparando as novas gerações e lutando contra a criminalização".
Guilherme Araújo, membro do povo Xukuru do Ororubá, destacou que a luta contra a criminalização dos povos indígenas é contínua e remonta à época da colonização, com estratégias que evoluíram ao longo do tempo.
PROGRAMAÇÃO E ATIVIDADES
Durante os quatro dias de Assembleia, os participantes discutiram temas cruciais como a criminalização dos povos Xukuru e justiça climática. As noites foram reservadas para atividades culturais, incluindo apresentações de Samba de Coco e Pífanos, reforçando a importância da cultura na resistência e identidade indígena.
No dia de encerramento, 20 de maio, a programação incluiu um ritual de celebração no local onde Xicão está plantado pela manhã, seguido de uma caminhada e ato público à tarde, simbolizando a continuidade da luta e a memória viva do cacique assassinado.
A morte de Xicão Xukuru não apenas revelou a vulnerabilidade dos líderes indígenas, mas também galvanizou uma resistência que perdura até hoje. As Assembleias Xukuru do Ororubá são um testemunho da resiliência e determinação do povo Xukuru em honrar suas raízes e preparar as novas gerações para enfrentar desafios futuros.
A jornada marca o encerramento da 24ª Assembleia Xukuru do Ororubá, um evento que reuniu os membros do povo Xukuru das 24 comunidades situadas na Serra do Ororubá. Durante os dias 17 a 20 de maio, a Aldeia Pedra d'Água tornou-se o epicentro das discussões e celebrações que visam fortalecer a unidade e a cultura desta respeitada nação indígena.
O Assassinato de Cacique Xicão Xukuru e sua Cobertura
A morte de Xicão Xukuru, em 20 de maio de 1998, ressoou além das fronteiras locais, ganhando destaque tanto nacional quanto internacionalmente. Este ato hediondo foi uma tentativa de silenciar o levante do povo Xukuru, que há muito lutava pela demarcação e proteção de suas terras ancestrais.
O cacique Xicão, cuja liderança era fundamental na reorganização política e na defesa dos interesses do povo Xukuru do Ororubá, emergiu como uma figura central após a promulgação da Constituição de 1988.
"Xicão vive em cada um dos Xukuru, e vive naqueles que estão chegando inclusive, ou seja, ele renasce a cada momento, a cada Xukuru que nasce, ele nasce junto", ressaltou Marcos Luidson, o Cacique Marcos Xukuru, destacando a perenidade do legado e da inspiração de Xicão para as gerações futuras. Neste dia solene, o povo Xukuru se reúne para honrar a memória de seu líder.
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