35ª MISSA DO POETA | Uma missa em verso e prosa para Zé Marcolino, em Tabira (PE)
Os jornalistas Arijaldo Carvalho e Flávio J Jardim fizeram a total cobertura do evento, que será amplamente difundido numa edição especial da Revista Movimentto. A Associação dos Poetas e Prosadores de Tabira (APPTA) realizou a 35ª Missa do Poeta, em memória do poeta e compositor Zé Marcolino. Violeiros, cantadores e glosadores participaram das festividades. A data exata dos 35 anos de falecimento de Zé Marcolino é nesta terça-feira (20 de setembro).
Por Flávio José Jardim
atualizado há 4 anos
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TABIRA (PE) – Verso, prosa, violeiros e muita emoção. A 35ª Missa do Poeta, em memória do poeta e compositor Zé Marcolino, foi a culminância dos eventos populares em Tabira, município de alto valor cultural no Vale do Pajeú, Sertão de Pernambuco.
Promovido em parceria com o Governo de Pernambuco e a Prefeitura de Tabira, o evento terminou no último sábado (17), mas a data exata dos 35 anos de falecimento de Zé Marcolino é nesta terça-feira (20 de setembro), como mostra a reportagem abaixo do Blog Ney Vital.
Durante as celebrações, houve o Sarau das Tradições, apresentação da Banda de Pífano Frei Damião e o lançamento do livro “Memórias de um motorista de turnês” de Paulo André Pires. A banda Sertão Biocultural também se apresentou

ENTREVISTA COM ANDRÉIA MIRON, presidente da APPTA
Segundo a presidente da Associação dos Poetas e Prosadores de Tabira (APPTA), Andréia Miron, um dos pontos altos foi a 26ª Mesa de Glosas do Pajeú. Participaram poetas e glosadores de Tabira, Itapetim, Afogados da Ingazeira, Tuparetama, Iguaracy, Ingazeira, Brejinho, Serra Talhada, Solidão, Triunfo, São José do Egito e Carnaíba. Andreia falou sobre a 26ª Mesa de Glosas, realizada dentro das comemorações do evento, em Tabira.
Ouça a entrevista com Andréia Miron, presidente da APPTA. Logo abaixo.

EVENTOS
Houve ainda uma participação mais que especial do tenor Igor Alves, que cantou clássicos e uma verdadeira exaltação à sua terra natal, na música “Triunfo”, de sua autoria.
No sábado, a Paróquia de Nossa Senhora dos Remédios, a Igreja Matriz de Tabira, parou para a Missa do Poeta, que foi celebrada e presidida pelo Padre José Cicero (Pároco) com a participação do Padre Nathaelson Santos, pároco de Sumé. Houve homenagens à poetisa Fátima Marcolino e ao poeta Bira Marcolino, filhos de Zé Marcolino.
Os jornalistas Arijaldo Carvalho e Flávio J Jardim fizeram a total cobertura do evento, que será amplamente difundido numa edição especial de uma revista sobre Tabira. Arijaldo Carvalho é o editor da Revista Movimentto.
Logo após a missa, houve shows com As Severinas, Petrúcio Amorim e Bira Marcolino. Zé Marcolino faleceu no dia 20 de setembro de 1987, nas proximidades de Afogados da Ingazeira, em acidente de carro. Veja abaixo parte da História de Zé Marconlino, numa reportagem escrita pelo pesquisador e blogueiro Ney Vidal. As fotos da reportagem são de Maria Ruana.


POETA ZÉ MARCOLINO, CANTOR E COMPOSITOR, 35 ANOS DE SAUDADES
“Quem, morrendo, deixa escrito um verso belo deixou mais ricos os céus e a terra e mais emotivamente misteriosa a razão de haver estrelas e gente”.
TEXTO: NEY VITAL
TABIRA (PE) - A frase de Fernando Pessoa traduz o sentimento que o poeta, compositor Zé Marcolino vive na memória do povo brasileiro. Basta citar a música Numa Sala de Reboco que logo o talento do poeta é lembrado.
Pela sua importância na história da música brasileira, o Poeta Zé Marcolino, merecia mais de atenção das entidades culturais. Zé Marcolino morou nos anos 70 em Juazeiro, onde foi comerciante. Juazeiro e Petrolina tem uma dívida com a memória de José Marcolino.
No dia 20 de setembro de 1987 partiu para o Sertão da Eternidade. Portanto são 35 anos de saudades do Poeta, José Marcolino Alves silenciava por ocasião da morte causada de acidente de carro próximo a São José do Egito, Pernambuco. Em Sumé, na Paraíba, Zé Marcolino nasceu no dia 28 de junho de 1930. Venceu os obstáculos da vida simples e quando teve oportunidade deixou o Rei do Baião...digamos "bestim com tamanha genialidade".
No ano de 1962, metade do repertório do LP Ô Véio Macho, tem Luiz Gonzaga interpretando as composições que José Marcolino lhe mostrou em Sumé, Paraíba: Sertão de aço, Serrote agudo, Pássaro carão, Matuto aperriado, A Dança do Nicodemos e No Piancó. Estes seriam os forrós de Zé Marcolino gravados pelo Rei do Baião. Ele interpretaria várias outras, entre as quais as antológicas Numa Sala de reboco Cacimba Nova e Quero chá.
Zé Marcolino participou da turnê de divulgação do LP Veio Macho, viajando de Sul a Norte do País com Luiz Gonzaga, no entanto, a saudade da família e suas raízes sertanejas foram mais fortes. Depois de um show no Crato, Ceará, ele tomou um ônibus até Campina Grande e de lá foi para Sumé, de onde fretou um táxi para a Prata, onde morava.
Com o sucesso de suas canções cantadas por vários artistas (Quinteto Violado, Assisão, Genival Lacerda, Ivan Ferraz, Dominguinhos, Fagner, Jorge de Altinho, Elba Ramalho, Mastruz com Leite e tantos outros nomes da música brasileira), é atualmente Zé Marcolino um dos mais talentosos compositores da música brasileira de todos os tempos.
Somente em 1983, produzido pelos integrantes do Quinteto Violado, Zé Marcolino lançou seu primeiro e único, hoje fora de catálogo, LP Sala de Reboco (pela Chantecler). Um disco que está merecendo uma reedição em CD, assim como também seu único livro, necessita uma reedição. No citado disco Véio Macho, com seis músicas de Marcolino, ele toca gongue. No LP A Triste Partida, Luiz Gonzaga gravou Cacimba Nova, Maribondo, Numa Sala de Reboco e Cantiga de Vem-vem.
Zé Marcolino morou em Juazeiro da Bahia e ficou até 1976, quando foi para Serra Talhada, Pernambuco. Inteligente, bem-humorado, observador, Zé Marcolino tinha os versos nas veias como a caatinga do Sertão.
Zé Marcolino casou com Maria do Carmo Alves no dia 30 de janeiro de 1951 com quem teve os filhos Maria de Fátima, José Anastácio, Maria Lúcia, José Ubirajara, José Walter, José Paulo e José Itagiba. Zé Paulo e Fátima residem atualmente em Petrolina.
Recentemente Walter Marcolino, lançou o CD ao vivo "Pai, Filho e Neto". No trabalho consta participação da Banda Corrupio, Walter Junior, Ruy Grudi e Dany Feitosa. No CD Walter Marcolino "Pai, Filho e Neto", tem a interpretação Socorro Moreninha, Amor Divino, Rolinha Branca, Recordando o Ceará e Lata de Lixo.
Fátima é compositora. Em 1996, numa conversa com o seu irmão, cantor e compositor Bira Marcolino, escreveram a música Siá Filiça.
"Cadê a lenha da fogueira
Siá Filiça
Cadê o milho pra assar
Cadê aquele teu vestidinho de chita
Que tu vestia pra dançar
Cadê aquele sanfoneiro
Que eu pedia pra tocar
A canção da minha terra
Um forró de pé-de-serra
Que eu ajudava a cantar
Quando me lembro disso tudo
Siá Filiça
Me dá vontade de chorar"
A música marcou o período junino porque faz qualquer nordestino lembrar dos simbolismos que marcam essa época: o vestido de chita, o milho, a fogueira, balão e o sanfoneiro. Bira e Fátima jamais imaginariam que ela realmente fosse representar dor em algum momento.
Mas quem é Siá Filiça? Siá vem do termo "sinhá", uma espécie de abreviação. E Filiça vem de Felícia, uma senhora que morava na cidade da Prata, na Paraíba, e que todos gostavam muito de brincar com ela quando eram pequenos. Segundo Bira, ela sempre andava com uma lenha. Certo dia, ele estava com a irmã em Caruaru e pensou em "Siá Filiça", que era como chamavam Felícia, e a irmã disse que dava uma boa música.
Então começaram a escrever. Fátima Marcolino foi a autora da frase: "minha esperança ainda dorme, e eu com pena de acordar", que retrata um pouco a espera e o desejo de que a pandemia do coronavírus passe, e o São João volte a ser como era.
Quando foi escrita, muitos artistas queriam gravar a música. O primeiro foi Ezequias Rodrigues, que gravou com voz e violão. Depois veio Santanna e Adelmário Coelho, da Bahia. Mas foi com O Cantador que a música fez sucesso.
Hoje, Bira tem 62 anos. Para um compositor de forró, deixar o São João morrer seria até um crime. "O São João está na veia da gente, o forró está na veia da gente. Sem São João a gente se sente fora d'água, mas não deixa de ouvir não. Eu fiz meu São João sozinho, no mato", conta.
A música foi a grande emoção da live de Santanna na véspera de São João de 2020. Quem assistiu, certamente se emocionou. Antes de cantar, disse algumas palavras: "vou me despedir de vocês com uma música... eu não vou pedir desculpa por me emocionar, porque é a emoção que move o mundo. A emoção é impressionante. Me despeço de vocês com essa canção, que é a música que melhor representa o São João este ano".
Ao fim, tirou o chapéu. Ali, estava representada a tristeza, mas também a esperança de todos se reencontrarem novamente entre público e palco, forró, xaxado e baião.
"A música foi que me escolheu, me escolheu como intérprete principal dela. Ela faz parte da minha vida. Ela foi eleita a música do São João e o sentimento é muito grande. A gente que é sertanejo, a gente sabe o que significa uma festa junina para nós. Eu fico impressionado como a música Siá Filiça entra na vida das pessoas", relata.


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