A corrida de 2028 já começou? Serra Talhada e Pesqueira entram no jogo político
Pré-candidaturas antecipadas movimentam bastidores em duas das principais cidades do Sertão
Por Flávio José Jardim
atualizado há 1 ano
Publicado em
A sucessão municipal de 2028 parece distante, mas os movimentos políticos em cidades como Serra Talhada e Pesqueira já deixam claro que o futuro está sendo desenhado agora. Em um cenário de intensa polarização, o anúncio de pré-candidaturas e a especulação sobre nomes viáveis trazem à tona debates que ultrapassam o campo eleitoral e atingem o cotidiano das comunidades sertanejas.
Em Serra Talhada, a “Capital do Xaxado”, o primeiro nome já desponta com ousadia. Trata-se do subtenente da Polícia Militar, Jucélio Souza, filiado ao PL. Ele não hesitou em oficializar sua pré-candidatura a prefeito em 2028, ainda que a disputa esteja a três anos de distância. A decisão, para muitos, soa precoce, mas revela um cálculo estratégico: marcar terreno e consolidar apoio entre setores da direita local.
Jucélio, que em 2024 surpreendeu ao conquistar mais de 2 mil votos, busca se afirmar como alternativa. Seu desempenho anterior, embora modesto em termos proporcionais, contrariou as pesquisas de opinião, que o apontavam como o último colocado. Essa brecha alimenta seu otimismo e o encoraja a continuar a caminhada, reforçada por sua ligação ideológica com o bolsonarismo.
Durante entrevista, o subtenente não escondeu a confiança: “Irei continuar”, disse, demonstrando a convicção de que um dia será eleito prefeito de Serra Talhada. Mais do que uma fala política, a declaração expõe a fé que ele associa à trajetória, conectando militância, religiosidade e ideologia. Para seus apoiadores, essa persistência é vista como coragem; para críticos, é insistência em um projeto distante da realidade eleitoral.
Além do discurso pró-Bolsonaro, Jucélio mantém posições polêmicas. Ele já manifestou apoio à anistia dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e até a defesa de uma intervenção estrangeira nos rumos do Brasil. Essas posturas, embora controvertidas, consolidam sua imagem junto a um público fiel, disposto a sustentá-lo em futuras disputas. Serra Talhada, portanto, já tem seu primeiro pré-candidato oficializado, inaugurando o calendário político antes da hora.
Se no Sertão do Pajeú as cartas começam a ser postas na mesa, em Pesqueira o cenário é bem mais fragmentado. Ali, a disputa promete ser marcada por múltiplas possibilidades, sem um nome definido até agora. Nos bastidores, especula-se sobre políticos tradicionais, lideranças comunitárias, empresários e até novas figuras que podem surpreender no tabuleiro.
Entre os nomes lembrados estão João Eudes, Maria José, Cleide Oliveira, Vanbrugh, o delegado Rossine e até Mateus Leite, seu aliado. Também circulam conversas sobre João da Bomboniere, o Cacique Marquinhos Xukuru e o atual presidente da Câmara, Guila Araújo. A radialista Edna Soares, conhecida como “Peito de Aço”, e a jovem Dra. Thaynara Almeida também figuram na lista de possíveis candidaturas, revelando a diversidade de perfis em discussão.
Outro elemento que pode embaralhar a disputa é a possível entrada de um grupo de empresários e comerciantes locais, que cogitam lançar um nome de fora da política tradicional. Essa hipótese é vista com curiosidade, já que poderia trazer frescor à corrida, desafiando os caciques políticos e atraindo parte da população que clama por renovação.
Nesse contexto, Pesqueira vive um clima de indefinição. Ao contrário de Serra Talhada, que já tem um pré-candidato de carne e osso se apresentando, o município do Agreste mantém a política em suspenso, como um tabuleiro em que as peças ainda não foram mexidas. A multiplicidade de nomes indica que a batalha será intensa, mas só o tempo revelará quais deles terão fôlego para chegar até 2028.
O que parece certo, entretanto, é que tanto em Serra Talhada quanto em Pesqueira a sucessão já começou, ainda que de forma não oficial. As conversas de bastidores, os anúncios precoces e as especulações são apenas os primeiros capítulos de uma história que se escreverá ao longo dos próximos anos. E como em toda eleição no Sertão, essa trama promete ser carregada de paixões, rivalidades e surpresas que podem redefinir o mapa político da região.
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