A FÉ CONTRA O VANDALISMO | João da Bomboniere foi rápido e já começou ampla ação para restaurar as imagens, consertar a parte elétrica e criar uma força-tarefa para coibir futuros ataques ao Santuário
Santuário Monte da Graça sofreu ataque cruel e pede socorro: presépio destruído, fé abalada e ameaça de fechamento mobilizam Pesqueira. Você pode ajudar! João Jozinaldo, o incansável guardião do Monte da Graça, João da Bomboniere, que há 15 anos dedica seus dias à manutenção do lugar sagrado, pede a ajuda de todos.
Por Flávio José Jardim
atualizado há 6 meses
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PESQUEIRA (PE) — O que deveria ser um refúgio de paz e espiritualidade transformou-se, da noite para o dia, em palco de indignação, dor e revolta. O Santuário Monte da Graça, no alto do Cruzeiro, um dos maiores símbolos de fé do Agreste, foi covardemente atacado por vândalos que destruíram imagens sacras, danificaram a parte elétrica e deixaram um rastro de desolação. A cena, descoberta na manhã de sábado, 12 de julho, chocou fiéis e moradores da cidade. Agora, diante da ameaça de fechamento do santuário, João da Bomboniere, administrador do local, clama por segurança, ajuda e união.
"É como se tivessem invadido o coração da cidade e o estilhaçado com requintes de crueldade", disse um religioso, ao ver o presépio — que simboliza o nascimento de Cristo — jogado ao chão, com duas peças mutiladas.
Neste domingo, na tradicional missa das 9h30, a comunidade deparou-se com o silêncio cortante da decepção. Mas João Jozinaldo, o incansável guardião do Monte da Graça, mais conhecido como João da Bomboniere, que há 15 anos dedica seus dias à manutenção desse lugar sagrado, agiu rápido Apesar do abalo, João teve mais forças para trazer normalidade ao local. Segundo ele, os artesãos que confeccionaram o presépio já estão sendo contatados para realizar o conserto imediato das peças quebradas. “Não vamos deixar o mal vencer. Já começamos a reparar a parte elétrica também. Só não podemos fazer isso sozinhos. Precisamos de união”, declarou.
João, que tinha desabado emocionalmente no último sábado, informou que: “O presépio ainda nem foi pago. Estávamos nos virando com doações, fazendo um bazar e esperando ajuda de todos... e agora temos que começar do zero. Vamos continuar? Vamos. Mas precisamos de ajuda”, clamou, com lágrimas visíveis nos olhos.
O administrador revelou ainda que está articulando um plano de segurança robusto, que envolverá medidas drásticas, como a proibição da entrada de motos com capacete no período noturno, uma prática comum que, segundo ele, facilita ações criminosas. “Vamos conversar também com o proprietário da pousada Arawi (que fica ao lado do Monte), pensar juntos em alternativas para proteger o Santuário e a circunvizinhança. Isso é maior que eu, maior que qualquer um. É o patrimônio espiritual de Pesqueira”, pontuou.
João disse que não era a hora de responsabilizar ninguém, mas buscar soluções. “Se algumas pessoas se omitem, a sociedade precisa reagir. O Santuário é de todos nós. Não podemos aceitar que o medo domine a fé”, disse com veemência, convocando empresários, fiéis, a Igreja e toda a cidade para uma ação emergencial de restauração e segurança.
Neste domingo, ao fim da missa, já mais sereno, João falou com os fiéis e apresentou o caminho da reconstrução. “Vamos precisar de doações, de apoio, de voluntários. Quem quiser ajudar pode fazer isso agora mesmo, através do Pix. Esse é o momento de mostrar quem realmente ama o Monte da Graça”, afirmou. Os dados bancários do monte estão aqui abaixo:
A comoção tomou conta das redes sociais. Fotos do presépio destruído viralizaram. Centenas de mensagens chegaram de todas as partes do Estado, em apoio ao Santuário. “É revoltante. Um lugar de fé, onde a gente sobe para encontrar paz, agora está sendo ameaçado por criminosos. É preciso agir!”, escreveu uma moradora indignada.
O Monte da Graça não é apenas um ponto turístico. É um símbolo de resistência espiritual. Famílias inteiras sobem o Cruzeiro em romarias, levam promessas, agradecimentos, orações. É o “pedacinho do céu”, como João costuma dizer. E vê-lo ferido desse modo é como se o céu tivesse, por instantes, caído sobre Pesqueira.
As imagens das estátuas quebradas, dos fios arrancados, e da expressão de dor nos rostos dos devotos que visitaram o local logo após o crime, permanecerão gravadas na memória da cidade. Um ataque não apenas à arte sacra, mas à própria fé popular nordestina.
Mas, entre os escombros, brota a esperança. “Vamos reconstruir, sim. E com ainda mais força. Cada pedaço quebrado vai voltar mais firme, mais bonito, mais protegido. Esse atentado foi um despertar. Precisamos unir forças”, afirmou João.
A dor é grande, mas a fé é maior. A revolta é justa, mas o amor pelo Monte da Graça pode transformar esse momento de escuridão em um novo recomeço. João da Bomboniere segue em frente — e espera que todos sigam com ele. Porque quando se ataca um altar, não se destrói apenas pedra ou madeira. Destrói-se um elo com o divino. E isso, Pesqueira não vai permitir.
As providências já estão sendo tomadas. A restauração começou. E o clamor de João ecoa entre os montes: “O Santuário é de todos nós. Vamos salvá-lo.”
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