A partida de Preta Gil, a nossa Preta, a Preta do Brasil
Ela partiu.
Por Flávio José Jardim
atualizado há 1 ano
Publicado em
Preta Gil, a nossa Preta, a filha do Gil, a mulher de riso largo, voz potente e alma exposta, se despediu. Não foi por falta de luta. Não foi por falta de fé. Foi o corpo que cansou — como tantos outros que enfrentam o câncer nessa batalha desigual. Mas o que ela deixou, isso o tempo não leva.
A Preta que cantava e encantava, que chorava sem medo, que sorria mesmo ferida. Que falava de amor, de dor, de corpo, de alma, de racismo, de machismo, de vida. Mulher forte num país que ainda se recusa a abraçar sua própria pele. Mulher negra num Brasil que teima em marginalizar o que há de mais bonito em si. Ela era o espelho de muitas. De muitas que também lutam, que também sangram, que também não desistem.
Preta Gil nunca se escondeu. Nem quando foi alvo do preconceito mais rasteiro. Nem quando seu corpo virou manchete. Nem quando seu diagnóstico virou sentença. Seguiu sendo luz, sendo cor, sendo coragem. Fez da dor um palco, do medo um manifesto, da doença um motivo a mais para viver intensamente.
E hoje, o Brasil chora.
Chora não só pela artista, mas pela mulher que se impôs, que se reinventou, que se fez necessária. Uma mulher que desafiou padrões e escancarou verdades. Que fez da vida um ato de resistência. Que foi mãe, filha, avó, amiga, guerreira — e, acima de tudo, humana. Profundamente humana.
O câncer venceu, sim. Mas não a venceu inteira. Porque Preta virou símbolo. Virou voz. Virou memória. E símbolos não morrem. Vozes ecoam. E memórias resistem.
Adeus, Preta do Brasil.
Que a sua partida seja leve, como as canções que cantou.
E que sua presença continue viva em cada mulher que, como você, insiste em existir com dignidade, alegria e amor — mesmo quando o mundo parece não querer.
Galba Macêdo
20/07/2025
🌻🖤
“Adeus, Preta Gil: Música, Coragem e Amor se Despedem de Uma Estrela
Velório será no Rio e sepultamento em Salvador, conforme desejo da artista. Lula e o Brasil lamentam
O Brasil amanheceu mais triste. Neste domingo (20), aos 50 anos, a cantora Preta Gil perdeu a batalha contra um câncer colorretal que enfrentava com coragem há dois anos. A notícia abalou o país, deixando um vazio nos palcos, nos carnavais e nos corações de milhões de fãs.
Preta faleceu nos Estados Unidos, onde buscava um tratamento alternativo após o retorno da doença em estágio avançado. Mesmo doente, nunca deixou de sorrir, cantar e lutar. Sua trajetória foi marcada por resistência, irreverência e uma força que emocionava a todos.
O velório será no Rio de Janeiro, onde nasceu e construiu sua carreira, mas o sepultamento acontecerá em Salvador, cidade onde viveu parte da infância e onde seu coração sempre encontrou raízes. O desejo foi expresso pela própria artista, em conversas com amigos próximos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestou homenagem emocionada: “Preta era alegria em forma de gente. Uma mulher batalhadora, querida e admirada. Os palcos sentirão sua falta. Liguei para Gilberto Gil e Flora para oferecer meu carinho nesse momento de dor.”
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