Sociedade

Acidente matou 15 pessoas: 11 mulheres e 4 homens, na noite desta sexta-feira (17), em Saloá (PE)

Veículo com cerca de 30 passageiros perdeu o controle e tombou após bater em barranco. O acidente matou 15 pessoas, sendo 11 mulheres e 4 homens, na noite desta sexta-feira (17) após um ônibus perder o controle e tombar no município de Saloá, Agreste de Pernambuco

Por Da Redação atualizado há 6 meses
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Acidente matou 15 pessoas: 11 mulheres e 4 homens, na noite desta sexta-feira (17), em Saloá (PE)

 

GRAVÍSSIMO ACIDENTE
GRAVÍSSIMO ACIDENTE (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

SALOÁ, AGRESTE DE PERNAMBUCO (BR) - Desespero, gritos e cenas de horror marcaram o resgate de uma das maiores tragédias rodoviárias do Agreste pernambucano. A noite de sexta-feira (17) transformou-se em um pesadelo sem fim para dezenas de famílias. Um ônibus com cerca de trinta passageiros tombou violentamente na BR-423, em Saloá, Agreste de Pernambuco, deixando um rastro de destruição e dor: quinze mortos — onze mulheres e quatro homens — e vários feridos em estado grave. O relógio marcava 19h45 quando o silêncio da serra foi rompido pelo som seco do impacto, seguido de gritos e choros de desespero.

 

Segundo informações iniciais, o veículo perdeu o controle ao descer um trecho sinuoso da rodovia. O motorista, desesperado, teria tentado retomar o controle, mas o ônibus invadiu a contramão, colidiu com pedras na margem e, em seguida, bateu contra um barranco de areia antes de tombar de lado. O resultado foi devastador. O asfalto se transformou em um cenário de horror iluminado apenas pelas luzes piscantes das ambulâncias e das viaturas.

 

Testemunhas que passavam pelo local relataram momentos de pânico. “O ônibus rodou duas vezes antes de tombar. Depois, só se ouviam pedidos de socorro”, contou um motorista que parou para ajudar. A tragédia aconteceu próximo à temida Serra dos Ventos, região conhecida por curvas fechadas e descidas perigosas — um trecho que há anos assusta motoristas e coleciona histórias de acidentes fatais.

 

Das trinta pessoas que estavam a bordo, quinze morreram na hora. O impacto foi tão forte que alguns passageiros foram arremessados para fora do veículo, o que levanta a suspeita de que muitos viajavam sem o cinto de segurança. As vítimas foram encontradas entre bancos retorcidos, malas abertas e objetos espalhados pelo chão. “Parecia um campo de guerra”, descreveu um bombeiro que participou do resgate.

 

Equipes do SAMU, Corpo de Bombeiros, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Militar foram acionadas imediatamente. Em meio à escuridão e à chuva fina, os socorristas trabalharam por horas, revezando-se em uma corrida contra o tempo. Cada grito vindo dos destroços reacendia a esperança de encontrar alguém com vida.

 

Os feridos foram levados para hospitais de Garanhuns, Paranatama e outras cidades próximas. Muitos em estado gravíssimo. Médicos e enfermeiros relataram cenas comoventes: famílias inteiras desesperadas à porta das unidades de saúde, tentando obter notícias de seus parentes. Em Garanhuns, a madrugada foi de lágrimas e orações.

 

O motorista, identificado apenas como um homem de cerca de 40 anos, sobreviveu com ferimentos leves. Ele foi submetido ao teste do bafômetro, que deu negativo para consumo de álcool. Após receber atendimento, foi conduzido à Delegacia de Garanhuns, onde prestou depoimento por horas. Ainda abalado, teria dito que “o ônibus perdeu o freio” e que tentou evitar algo pior.

 

 

SALOÁ
SALOÁ (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

O Instituto de Criminalística (IC) e o Instituto Médico Legal (IML) também estiveram no local. Os corpos das vítimas foram removidos ao longo da madrugada sob forte comoção. Policiais precisaram conter familiares que chegaram à rodovia chorando e clamando por informações. A BR-423 permaneceu interditada até as quatro da manhã, quando o tráfego foi finalmente liberado.

 

De acordo com investigações preliminares, o ônibus fazia o trajeto entre Brumado, na Bahia, e Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste de Pernambuco. O veículo retornava à Bahia no momento da tragédia. A Polícia Civil abriu inquérito para apurar as causas do acidente e se o veículo apresentava problemas mecânicos.

 

Peritos não descartam falha nos freios, mas também investigam o excesso de velocidade como possível causa. Moradores da região afirmam que o trecho da serra é traiçoeiro e que muitos motoristas evitam trafegar por ali à noite. “Quando chove, parece sabão. Todo mundo aqui tem medo dessa curva”, relatou um agricultor que mora nas proximidades.

 

Enquanto as investigações avançam, a dor se espalha por cidades inteiras. Em Brumado, escolas e comércios amanheceram de portas fechadas em luto. Igrejas organizaram vigílias em memória das vítimas, e prefeituras da região decretaram três dias de luto oficial.

 

Nas redes sociais, mensagens de solidariedade e indignação se multiplicaram. “Poderia ter sido qualquer um de nós”, escreveu uma internauta, resumindo o sentimento de impotência que tomou conta da população. O caso reacendeu o debate sobre a segurança nas rodovias do interior e a precariedade do transporte intermunicipal.

 

A Polícia Rodoviária Federal reforçou o alerta: o uso do cinto de segurança em ônibus é obrigatório, embora pouco respeitado. Segundo dados recentes, mais de 70% dos passageiros em viagens rodoviárias de longa distância ainda viajam sem o cinto. E, em acidentes como o de Saloá, esse detalhe pode ser a diferença entre a vida e a morte.

 

Agora, o que restam são as lembranças e as promessas de que algo será feito. Mas, entre as cruzes improvisadas à beira da BR-423 e as lágrimas dos que ficaram, a sensação é de que a estrada, mais uma vez, cobrou seu preço. Um preço alto demais: quinze vidas, quinze histórias interrompidas em uma noite de sexta-feira que jamais será esquecida no Agreste pernambucano.

 

ACIDENTE
ACIDENTE (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

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