Política

Alagoinha vai às ruas pedir justiça por Ezinho Construção após decisão que colocou acusados do assassinato em liberdade

Manifestação marcada para esta quinta-feira (15) promete reunir familiares, amigos e moradores em um clamor por justiça. Advogados da família divulgam nota de esclarecimento à imprensa, questionam a soltura dos acusados e demonstram preocupação com o retorno de suplente denunciado como mandante do crime à Câmara Municipal.

Por Flávio José Jardim atualizado há 3 horas
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Alagoinha vai às ruas pedir justiça por Ezinho Construção após decisão que colocou acusados do assassinato em liberdade

ALAGOINHA (PE) – Um assassinato que abalou profundamente a população de Alagoinha, no Agreste de Pernambuco, volta ao centro das atenções e provoca uma nova mobilização popular. Quase um ano e seis meses depois da morte do vereador Ézio Galindo Cordeiro, conhecido como Ezinho Construção, familiares, amigos e moradores se preparam para ocupar as ruas da cidade com uma reivindicação que permanece viva: JUSTIÇA PELO ASSASSINATO DE EZINHO CONSTRUÇÃO!

 

A manifestação está marcada para esta quinta-feira, 15 de outubro de 2026, às 9 horas da manhã, com concentração em frente à loja Ezinho Construção, em Alagoinha. O movimento pretende reunir a população em um ato pacífico de solidariedade à família e de cobrança pela responsabilização dos envolvidos no crime ocorrido em 26 de abril de 2025.

 

“Alagoinha é uma só voz: POR JUSTIÇA!” É com essa mensagem que os organizadores convocam a população. O chamado destaca a trajetória de Ezinho, lembrado como um homem trabalhador, que acreditava no desenvolvimento do município e deixou um legado na comunidade.

 

A mobilização acontece em um momento particularmente delicado do processo criminal. Uma decisão judicial proferida em 9 de outubro de 2026 determinou a soltura dos acusados, mediante medidas cautelares, provocando surpresa e preocupação entre os familiares da vítima.

 

O caso ganhou ainda maior repercussão porque, segundo a assistência de acusação, um suplente de vereador denunciado pelo Ministério Público de Pernambuco como mandante do assassinato poderá retornar à Câmara Municipal, utilizando tornozeleira eletrônica, para reassumir a cadeira que passou a ocupar após a morte de Ezinho.

 

ADVOGADOS DA FAMÍLIA SE PRONUNCIAM E DIVULGAM NOTA DE ESCLARECIMENTO À IMPRENSA

 

Diante da repercussão da decisão, os advogados Guthemberg Campos e Weryd Simões, que representam a família de Ezinho Construção como assistentes de acusação, divulgaram uma nota de esclarecimento à imprensa, apresentando o posicionamento dos familiares e questionando os fundamentos da soltura.

 

É importante destacar que o pronunciamento foi feito pelos advogados da família da vítima, no exercício da assistência de acusação, e não constitui uma manifestação oficial do Poder Judiciário ou do Ministério Público.

 

Conforme a nota, os familiares receberam com surpresa a decisão que colocou os acusados em liberdade, especialmente porque, segundo os representantes jurídicos, não houve fato novo ou alteração relevante das circunstâncias que anteriormente justificaram as prisões preventivas.

 

Os advogados ressaltaram que o Ministério Público de Pernambuco havia se manifestado pela manutenção das prisões, entendimento também defendido pela família. A nota sustenta ainda que a autoridade policial responsável pelas investigações considerava necessária a continuidade da custódia cautelar.

 

Outro ponto destacado pelos representantes da família é que o Tribunal de Justiça de Pernambuco já havia negado pedidos anteriores de habeas corpus apresentados pelos acusados. Para a assistência de acusação, a decisão mais recente representa uma mudança significativa em relação ao entendimento anteriormente adotado.

 

A nota também menciona declarações atribuídas à autoridade policial, em entrevista televisiva, sobre possíveis comportamentos dos investigados que teriam dificultado o andamento das apurações. Essas afirmações são apresentadas pelos advogados como parte dos argumentos contrários à soltura.

 

Apesar das críticas, a família afirma respeitar a decisão judicial e as instituições responsáveis pelo processo. Os advogados reforçam que a busca pela responsabilização continuará pelos meios legais e democráticos.

 

A soltura não representa absolvição, assim como a apresentação de denúncia não significa condenação. Os acusados permanecem sujeitos ao processo criminal, com direito à ampla defesa e à presunção de inocência até eventual condenação definitiva.

 

ASSASSINATO DE EZINHO CONSTRUÇÃO E SUSPEITA DE MOTIVAÇÃO POLÍTICA

 

O vereador Ezinho Construção foi assassinado a tiros na manhã de sábado, 26 de abril de 2025, em Alagoinha. O crime provocou forte comoção no município e levantou questionamentos sobre as circunstâncias e a motivação da morte do parlamentar.

 

As investigações passaram a trabalhar com a hipótese de que o homicídio estaria relacionado a interesses políticos, particularmente à possibilidade de ocupação da vaga de Ezinho na Câmara Municipal.

 

Essa linha investigativa ganhou relevância com o envolvimento de um suplente de vereador, posteriormente denunciado pelo Ministério Público como suposto mandante do assassinato.

 

A acusação é de extrema gravidade, sobretudo porque relaciona a morte de um representante eleito pela população a uma possível disputa por espaço no Poder Legislativo municipal. Entretanto, a motivação e a responsabilidade criminal deverão ser estabelecidas pela Justiça, a partir das provas produzidas no processo.

 

O retorno do suplente denunciado ao exercício parlamentar, após sua colocação em liberdade, tornou-se um dos principais pontos de preocupação manifestados pelos representantes da família.

 

Para os familiares, o que está em discussão ultrapassa a perda de uma cadeira na Câmara. Trata-se da morte de um pai, de um familiar, de um trabalhador e de um representante político cuja trajetória foi interrompida violentamente.

 

UMA CIDADE MOBILIZADA PELA MEMÓRIA DE EZINHO

 

A convocação para a manifestação desta quinta-feira resgata não apenas as circunstâncias do assassinato, mas também a lembrança do homem que Ezinho representava para familiares, amigos e moradores.

 

“Ele era um homem de bem, que trabalhou, acreditou em Alagoinha e deixou um grande legado”, destaca a mensagem divulgada pelos organizadores do movimento.

 

A concentração em frente à loja Ezinho Construção também carrega um significado simbólico. O estabelecimento associado ao nome pelo qual o vereador ficou conhecido será o ponto de encontro daqueles que desejam homenagear sua memória e cobrar justiça.

 

O movimento busca transformar a indignação em participação popular, mantendo o caso em evidência e reforçando a importância de que o processo tenha continuidade até o esclarecimento dos fatos e a definição das responsabilidades.

 

A mensagem dos organizadores é direta: a população está convidada a participar de forma pacífica e democrática, demonstrando solidariedade à família e respeito à memória do vereador.

 

“Justiça é o que queremos! Juntos somos mais fortes!” É com esse apelo que Alagoinha se prepara para mais um capítulo de uma história que ainda aguarda um desfecho judicial.

 

CRONOLOGIA DO CASO: DO ASSASSINATO À MANIFESTAÇÃO POR JUSTIÇA

 

6 de outubro de 2024 — Eleição de Ezinho


Empresário do setor de materiais de construção, Ezinho Construção foi eleito vereador de Alagoinha pelo Podemos, com 533 votos, conquistando seu primeiro mandato no Legislativo municipal. 

 

26 de abril de 2025 — O assassinato


Ezinho foi baleado nas proximidades de seu estabelecimento comercial, no Centro de Alagoinha. Socorrido inicialmente no município, foi transferido para o Hospital da Restauração, no Recife, onde morreu no mesmo dia. A Polícia Civil iniciou as investigações. 

 

14 de agosto de 2025 — Operação policial


A Polícia Civil realizou diligências em Alagoinha e Venturosa. Dois homens foram detidos e liberados mediante fiança. O celular de um suplente de vereador investigado foi apreendido. 

 

2 e 3 de junho de 2026 — Prisões preventivas


Após a decretação das prisões em 2 de junho, a Polícia Civil prendeu, no dia seguinte, Marcos André dos Santos, conhecido como Marcos de Esmeralda, sua esposa, Roseni Patrícia de Moraes, e Rubem Nelson Alves de Oliveira. A investigação apontava uma possível motivação política para o assassinato. 

 

Junho de 2026 — Polícia apresenta linha investigativa


O delegado Walkis Pacheco apontou a hipótese de que o assassinato tivesse sido planejado para permitir que o suplente assumisse a vaga na Câmara. Segundo a investigação, Rubem Nelson seria um possível intermediário. A defesa de Marcos negou seu envolvimento no crime. 

 

9 de outubro de 2026 — Justiça determina soltura


Uma decisão judicial autorizou a libertação dos acusados mediante medidas cautelares. Segundo os advogados da família, o Ministério Público havia defendido a manutenção das prisões. 

 

13 e 14 de outubro de 2026 — Repercussão e esclarecimentos


A decisão ganhou repercussão na imprensa. A assistência de acusação manifestou preocupação com a soltura e com o retorno de Marcos de Esmeralda à Câmara Municipal, sob monitoramento eletrônico. 

15 de outubro de 2026 — Manifestação por justiça


Familiares, amigos e moradores estão convocados para um ato público, às 9h, em frente à loja Ezinho Construção. A mobilização pretende cobrar justiça e manter viva a memória do parlamentar.

 

ALAGOINHA PEDE JUSTIÇA

 

Quinta-feira, 15 de outubro de 2026

9 horas da manhã

 

Em frente à loja Ezinho Construção, Alagoinha (PE)

“Manifestação: Pedimos Justiça pelo Assassinato do Nosso Vereador Ezinho Construção.”

A reportagem reúne informações divulgadas pela imprensa desde abril de 2025 e o posicionamento dos advogados da família. Até a conclusão desta apuração, não foi localizada manifestação atualizada da defesa dos acusados sobre a decisão de 9 de outubro. As responsabilidades criminais continuam dependendo do julgamento judicial.

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