ANIVERSÁRIO DE PESQUEIRA | UMA CIDADE VESTIDA DE FESTA, POR ANDRÉA GALVÃO
Ao cerrar os meus olhos, imagino-me num passado recente, foi possível me transportar até ele rapidamente.
Por Flávio José Jardim
atualizado há 4 anos
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Desembarquei aturdida em abril do ano de 1980, exatamente na festa do Centenário de Pesqueira. Lá estava eu na Praça Dom José Lopes, ainda criança e vestida de organdi. O azul-claro da roupa se emparelhava com o céu limpo daquele tão esperado dia. Cabelos negros e soltos ao vento, ricamente enfeitados com laços de fita.
Jamais vira tanta gente reunida em um só lugar, o burburinho se misturava com os gritos dos vendedores ambulantes: As carroças de confeito transbordavam em cores aos nossos olhares. " Olha a pipoca! Ciriguela, pitomba, ingá... Quem vai querer? "Havia um carro com alto-falantes bem próximo ao casarão de Nelson Avelar que tocava exaustivamente uma música muito alegre”.
Só vendo de perto como é Pesqueira, histórica e hospitaleira. Cidade de tradição secular! Era a composição (Frevo Pesqueira) do ilustre conterrâneo, Cláudio Almeida, preparada cuidadosamente para a comemoração. Até hoje ela ecoa em minh’alma e me remete ao que fui e aos meus sonhos de menina.
Àquela altura, os shows se sucediam, a tarde logo se fez noite e a multidão não arredava o pé. Mas era chegada a hora de ir pra casa... Ôpa! Temos um mimo para lembrar do colossal e inesquecível evento... Um chaveirinho metálico oval e com os 100 anos da cidade em alto-relevo, dado pelas mãos generosas do saudoso Eutrópio Monteiro Leite. Fui para casa com as cenas impressas em minha memória e até hoje elas me inundam de emoção e certamente habitarão em mim para todo o sempre!

CENÁRIOS DE PESQUEIRA, EM VERSOS
ROSÁCEO
De tão trivial que é
Chega a ser irrelevante
A observação costumeira.
No caminhar vesperal
Mergulho no deslumbramento
De uma cena desconcertante.
Um crepúsculo outonal
Arrebata os sentidos
Dos passantes desprevenidos
Que por ora fitam nuvens no céu.
Matizes rosáceas e borradas
Sugerem beleza naquilo que é banal.
Na dúvida se paro ou sigo,
Pego-me a devanear
Em meio aos ruídos da Praça.
E por mais habituada que esteja,
Os cenários da minha Pesqueira
Ainda me fazem suspirar!
Andréa Galvão

PESQUEIRA (APLA) E DA SOPOESPE
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