Política

APLA celebra 25 anos de história e transforma Pesqueira em palco vivo da memória, da literatura e da eternidade cultural

Em clima de júbilo e emoção, Academia Pesqueirense de Letras e Artes chega ao Jubileu de Prata enquanto seus membros recebem homenagens históricas no projeto “Pesqueira das Letras”, reafirmando o título de “Atenas do Sertão”

Por Flávio José Jardim atualizado há 15 horas
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APLA celebra 25 anos de história e transforma Pesqueira em palco vivo da memória, da literatura e da eternidade cultural

 

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Pesqueira voltou a respirar literatura com a intensidade das grandes cidades que aprenderam a eternizar sua história por meio da palavra. Em 2026, a Academia Pesqueirense de Letras e Artes alcança o simbólico marco de 25 anos de existência, celebrando seu Jubileu de Prata em meio a um cenário de emoção, reconhecimento público e reverência à cultura. Mais do que uma simples data comemorativa, o aniversário da instituição converteu-se em um acontecimento histórico para a intelectualidade pesqueirense, especialmente após a grata surpresa de ver diversos de seus membros homenageados pelo projeto municipal “Pesqueira das Letras”, inserido nas festividades do aniversário da cidade.

 

Fundada sob o ideal de preservar a memória cultural e literária da chamada “Atenas do Sertão”, a APLA consolidou-se, ao longo de duas décadas e meia, como uma verdadeira guardiã das letras, das artes e das identidades que moldam a alma de Pesqueira. Entre livros, discursos, encontros literários e ações culturais, a entidade tornou-se um dos mais importantes patrimônios imateriais do município, reunindo escritores, jornalistas, pesquisadores, poetas e intelectuais comprometidos com a valorização da história local.

 

A celebração oficial dos 25 anos acontecerá no sábado, 30 de maio de 2026, às 20 horas, na sede da instituição, localizada na Praça Comendador José Didier, no coração de Pesqueira. O evento promete reunir acadêmicos, familiares, autoridades e admiradores da cultura regional em uma noite marcada pela emoção, pela memória e pela gratidão. Ainda que em formato mais intimista, a solenidade carregará o brilho simbólico de uma instituição que atravessou décadas resistindo às dificuldades financeiras e ao esquecimento que tantas vezes ameaça os espaços culturais do interior nordestino.

 

Em palavras profundamente sensíveis, a presidente da Academia, Conceição Alves, descreveu a celebração como um reencontro afetivo entre aqueles que ajudaram a construir a trajetória da entidade. Segundo ela, a APLA ainda é “uma jovem adulta”, carregando histórias, sonhos e, sobretudo, gratidão. Sua declaração revelou o sentimento coletivo de quem compreende que manter viva uma academia literária no interior pernambucano exige mais do que recursos: exige devoção, persistência e amor incondicional pela cultura.

 

Mesmo diante das limitações estruturais, a presidente ressaltou que a instituição optou por uma comemoração marcada pela essência humana e pelo afeto. Sem grandes luxos, mas repleta de significado, a festividade será abrilhantada pelos próprios acadêmicos e seus familiares — homens e mulheres que transformaram a palavra em missão de vida. Na visão da dirigente, é justamente essa união silenciosa que sustenta a chamada Casa Gilvan de Almeida Maciel, espaço que se converteu em refúgio intelectual e símbolo de resistência cultural em Pesqueira.

 

PESQUEIRA DAS LETRAS

 

O Jubileu de Prata da Academia ganhou contornos ainda mais emocionantes após a realização do projeto “Pesqueira das Letras”, iniciativa criada para aproximar os estudantes da rede municipal dos escritores e agentes culturais que ajudam a preservar a memória da cidade. Em uma época marcada pela velocidade das redes sociais e pelo esvaziamento simbólico da leitura, o projeto surgiu como um movimento de resistência intelectual, levando às escolas não apenas livros, mas a presença viva daqueles que transformam experiências em literatura, crônica, poesia e história.

 

Dentro das salas de aula, o ambiente cotidiano deu lugar a momentos de profunda escuta e encantamento. Jovens estudantes puderam ouvir relatos, versos e memórias de autores que traduzem, em palavras, as dores, os sonhos e as grandezas do povo pesqueirense. Mais do que uma ação pedagógica, o projeto estabeleceu uma ponte entre gerações, despertando pertencimento e reafirmando que a literatura continua sendo uma das formas mais poderosas de perpetuar identidades.

 

Entre os homenageados, destacou-se o jornalista Flávio J Jardim, reconhecido por sua trajetória dedicada à comunicação regional e à valorização das pautas culturais e sociais do Agreste pernambucano. Ao lado dele, nomes como Francisco Aquino, Paulo Muniz, João Capri, Andrea Galvão, Veríssimo Walter, Diosman Avelino, Átila Frazão, Edmilton Torres e Nilo Moraes foram reverenciados em uma celebração que extrapolou o protocolo institucional e se converteu em verdadeiro ato de reconhecimento coletivo.

 

A programação reuniu importantes representantes do poder público e da sociedade civil, entre eles o prefeito Cacique Marcos, o secretário de articulação institucional Edson Vieira e o secretário de educação Danilo Ramon. Professores, diretores escolares, artistas e lideranças culturais também participaram dos encontros, fortalecendo o caráter coletivo da iniciativa e reafirmando o compromisso de Pesqueira com a preservação de sua herança intelectual.

 

Na Escola Maria de Lourdes, um dos principais cenários do projeto, o ambiente foi tomado por uma atmosfera de orgulho e pertencimento. Sob a liderança do diretor Fábio Menino, o espaço escolar transformou-se em um verdadeiro santuário da palavra, onde passado e presente dialogaram de maneira sensível, profunda e inspiradora. O encontro mostrou que a literatura em Pesqueira permanece viva, pulsante e capaz de atravessar gerações sem perder sua força transformadora.

 

A presença de nomes como Estella Maria, Walter Leal, Genival Silva, Zezé França e Lourdes Marinho fortaleceu ainda mais o simbolismo da iniciativa. Cada homenagem ecoou como um tributo àqueles que dedicaram suas vidas à preservação da memória cultural da cidade, iluminando caminhos por meio da escrita e da arte.

 

Ao completar 25 anos, a APLA não celebra apenas uma trajetória institucional. Celebra a sobrevivência da palavra em tempos de superficialidade, celebra a resistência cultural do interior pernambucano e celebra, sobretudo, a capacidade que Pesqueira possui de transformar literatura em identidade coletiva. Em cada livro escrito, em cada verso declamado e em cada memória preservada, permanece viva a chama da “Atenas do Sertão” — uma cidade onde a cultura não se curva ao tempo, mas atravessa gerações como herança eterna de um povo que aprendeu a existir através das letras.

 

 

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