Artesãos de Sanharó conquistam reconhecimento histórico
Câmara de Vereadores declara o artesanato local como patrimônio cultural, social e turístico e promete lutar por espaço fixo para a categoria
Por Flávio José Jardim
atualizado há 1 ano
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Na noite da última quinta-feira, 11 de setembro, Sanharó viveu um daqueles momentos que entram para a memória coletiva de uma cidade. A Câmara de Vereadores não apenas aprovou o reconhecimento do artesanato local como interesse cultural, social e turístico do município, mas também assumiu o compromisso de lutar por um espaço digno para os artesãos exporem suas obras. O gesto foi celebrado como um verdadeiro marco para a identidade cultural sanharoense.
A sessão foi aberta em clima de emoção. A Associação de Artesãos de Sanharó, que vinha há meses mobilizando esforços para ver seu ofício valorizado, apresentou formalmente a demanda. Os representantes não pediam nada além do justo: que o trabalho manual, nascido das mãos e da criatividade do povo, tivesse o devido reconhecimento da Casa Legislativa. Mas o desfecho foi ainda mais grandioso do que imaginavam.
O presidente da Câmara, vereador Guto do Salgado, emocionou os presentes ao anunciar que não se tratava apenas de um título simbólico. Ele garantiu que os parlamentares se unirão para conseguir um prédio fixo que abrigue a associação. O espaço, possivelmente a antiga sede da Coplesa, hoje desativada, serviria como ponto permanente de exposição e comércio, transformando o artesanato em uma vitrine cultural às margens da BR-232.
Cada vereador, sem exceção, fez questão de deixar registrada a sua voz de apoio. Os discursos foram uníssonos, em tom de valorização e orgulho. Não se tratava de política comum, mas de um pacto em defesa da alma de Sanharó. O reconhecimento do artesanato como interesse cultural, social e turístico transcende a formalidade de uma lei: ele afirma que a cidade se enxerga nas linhas da renda renascença, nas cores da pintura em tecido, nos bordados e nas costuras que há gerações sustentam famílias e contam histórias.
Um dos momentos mais marcantes foi a fala da artesã Ana Glória, que subiu à tribuna para compartilhar sua trajetória. Entre lágrimas e aplausos, ela relatou as dificuldades enfrentadas, a resistência em meio à falta de apoio e o orgulho de ver a profissão reconhecida. Seu testemunho tocou fundo no coração dos vereadores e do público, revelando a luta silenciosa de tantas mulheres e homens que encontraram no artesanato não apenas sustento, mas dignidade e identidade.
Para simbolizar a força do movimento, uma mesa repleta de peças confeccionadas pelos artesãos foi montada no plenário. Havia de tudo: delicadas rendas renascença, pinturas detalhadas, trabalhos em tecido e uma diversidade de artigos que encantaram os presentes. A cena parecia uma exposição improvisada dentro do coração do poder legislativo, como se o artesanato tivesse, naquele instante, tomado posse da própria Câmara.
Os parlamentares não esconderam a emoção. A cada peça observada, a cada depoimento ouvido, crescia a certeza de que o artesanato não é apenas um produto econômico, mas um reflexo vivo da cultura de Sanharó. Ao declarar o ofício como de interesse cultural e turístico, a Câmara inscreveu oficialmente no calendário do município uma das maiores riquezas de sua gente.
Mas a promessa de ir além — de lutar por um prédio definitivo — abriu horizontes ainda mais esperançosos. Um espaço fixo significaria não apenas um ponto de venda, mas um centro cultural, capaz de atrair turistas, movimentar a economia local e, sobretudo, resguardar a memória artesanal de Sanharó. É um sonho coletivo que, agora, ganha contornos de realidade.
O artesanato, tantas vezes relegado a feiras esporádicas ou bancas improvisadas, ganhou a chancela de política pública. E, mais do que isso, ganhou aliados em todas as bancadas da Câmara, sem divisões partidárias, sem interesses ocultos: apenas a causa maior de valorizar o que é da terra. Foi um gesto raro e grandioso, que arrancou aplausos sinceros e deixou claro que Sanharó se orgulha de seus artistas populares.
Naquela quinta-feira, não foi apenas uma lei aprovada. Foi um ato de reconhecimento, de justiça e de amor à cultura. Como disseram os próprios artesãos ao final da sessão, “foi um amanhã de vitória para o artesanato, para a cultura e para o turismo de Sanharó”. Uma vitória que se costura ponto a ponto, com a firmeza de quem sabe que valorizar o artesão é valorizar a própria alma da cidade.
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