Assembleia Xukuru traz ancestralidade, resistência e reflexão em 2025
Comunidade indígena realiza sua 25ª Assembleia com debates sobre memória histórica, criminalização dos povos originários e espiritualidade no Espaço Mandaru
Por Flávio José Jardim
atualizado há 1 ano
Publicado em
Entre os dias 17 e 20 de maio de 2025, a Aldeia Pedra D’Água, situada no Território Indígena Xukuru do Ororubá, será palco de um dos eventos mais simbólicos da história do povo Xukuru: a 25ª Assembleia Xukuru do Ororubá. O evento será realizado no Espaço Mandaru, reunindo lideranças, jovens, mulheres, anciãos e representantes de diversas aldeias e instituições parceiras, em um ambiente de reflexão política e espiritual.
Este ano, a assembleia traz como tema “Limolaygo Toype: Do Passado Violado ao Presente Criminalizado”, fazendo referência à luta contínua dos povos indígenas contra a violação de seus direitos e a tentativa sistemática de criminalização de suas lideranças e práticas culturais. O tema convida à reflexão sobre os traumas históricos ainda presentes nas relações do Estado com os povos originários.
A programação será permeada por debates, oficinas, rituais, apresentações culturais e momentos de memória. A ideia é promover o diálogo entre diferentes gerações, fortalecendo os laços comunitários e reafirmando os valores da cultura Xukuru, sustentados pelo encantamento ancestral que emana da Pedra do Rei do Ororubá, símbolo espiritual e geográfico do povo.
Além da presença de lideranças tradicionais, como caciques e guardiões da memória, a assembleia também contará com a participação de acadêmicos, ativistas, representantes de órgãos indigenistas e movimentos sociais que apoiam as lutas dos povos indígenas pelo território e pela vida digna.
A organização do evento está sendo coordenada por jovens comunicadores indígenas, incluindo a equipe da @ororuba_filmes, que também está responsável pela cobertura audiovisual da assembleia. Os interessados em participar devem realizar inscrição prévia por meio de um link disponibilizado nas redes sociais oficiais do evento, garantindo a certificação da participação.
A 25ª edição da Assembleia marca um ciclo de resistência e renovação dentro da trajetória de luta do povo Xukuru, que há décadas se afirma como exemplo de autonomia e autogestão. Os debates devem abordar ainda as questões recentes de criminalização política, ataques territoriais e o papel das instituições públicas na garantia dos direitos constitucionais dos povos indígenas.
A escolha do espaço Mandaru como local-sede reforça a simbologia do território sagrado e serve como um chamado à reconexão espiritual e ao fortalecimento da identidade. As atividades culturais incluem torés, rodas de conversa, feiras de artesanato, além de lançamentos de livros e exibição de filmes indígenas.
A expectativa é de que o evento mobilize centenas de pessoas, consolidando-se como um dos maiores encontros indígenas do Nordeste. Para os Xukuru, a Assembleia é mais que um evento político – é um momento de reafirmação da vida, da ancestralidade e do futuro coletivo.
Por meio da Assembleia, os Xukuru mostram ao Brasil que, mesmo diante de um presente difícil, marcado pela violência simbólica e física, a força do encantamento e da memória ancestral é capaz de inspirar, mobilizar e transformar.
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