BELO JARDIM | Morte de jovem eletrocutado comove o Agreste e levanta questionamentos sobre segurança no trabalho
O cortejo fúnebre seguiu na manhã desta segunda-feira (20), em clima de profunda tristeza. Pelas ruas de Belo Jardim, dezenas de pessoas acompanharam o carro funerário até o Cemitério Local, muitas vestindo branco, outras com a farda da empresa em homenagem ao amigo.
Por Flávio José Jardim
atualizado há 6 meses
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Belo Jardim ainda em luto desde o último sábado (18), quando a notícia da morte de Allisson André Amorim Bispo, de apenas 26 anos, se espalhou pelas ruas, redes sociais e grupos de mensagens. O jovem técnico de internet, conhecido por seu sorriso sereno e dedicação incansável, sofreu uma forte descarga elétrica enquanto realizava um serviço de manutenção no bairro Boa Vista. O choque, fulminante, interrompeu de forma brutal uma vida cheia de planos, sonhos e promessas.
De acordo com as primeiras informações, Allisson estava em plena atividade profissional, verificando a rede de internet de uma residência, quando o inesperado aconteceu. Moradores relataram ter ouvido um barulho forte e, logo em seguida, gritos de desespero. O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas ao chegar ao local, nada pôde fazer. O jovem já não apresentava sinais vitais. O cenário era de choque e incredulidade.
A empresa Digital, onde Allisson trabalhava, confirmou a tragédia e expressou profundo pesar pela perda do funcionário exemplar. “Ele era mais do que um colaborador, era um amigo, um irmão para todos nós. Sempre responsável, pontual e respeitoso”, declarou um colega de equipe nas redes sociais. A notícia se espalhou rapidamente, gerando uma verdadeira onda de comoção em Belo Jardim e em toda a região do Agreste.
Nas redes sociais, o perfil de Allisson foi tomado por mensagens de despedida e homenagens emocionadas. “Ainda não acredito que você se foi, Alisson. Que Deus te receba de braços abertos”, escreveu uma amiga próxima. Outros lamentaram o perigo que muitos técnicos enfrentam diariamente. “Esses meninos trabalham arriscando a vida, sem o mesmo equipamento que a Celpe usa. Isso precisa mudar!”, desabafou um internauta.
A morte precoce do jovem reacende o debate sobre as condições de segurança no trabalho de técnicos de internet e prestadores de serviços elétricos em pequenas cidades. Especialistas afirmam que muitos desses profissionais atuam sem a devida proteção, expostos a riscos altíssimos em nome da conectividade da população. A Polícia Civil de Pernambuco informou que o caso está sendo investigado para apurar as circunstâncias exatas do acidente e se houve negligência.
Enquanto as autoridades tentam entender o que realmente aconteceu, a dor toma conta da cidade. No Velório Afagu, localizado na Rua Monteiro Lobato, o corpo de Allisson foi velado sob forte comoção. Familiares, amigos e colegas de trabalho se abraçavam em prantos. Flores, lágrimas e um silêncio pesado dominavam o ambiente. Era o adeus a um jovem querido, arrancado da vida de forma repentina.
O cortejo fúnebre seguiu na manhã desta segunda-feira (20), em clima de profunda tristeza. Pelas ruas de Belo Jardim, dezenas de pessoas acompanharam o carro funerário até o Cemitério Local, muitas vestindo branco, outras com a farda da empresa em homenagem ao amigo. Cada passo parecia ecoar uma pergunta sem resposta: por que tão cedo?
A mãe do jovem, visivelmente abalada, mal conseguia falar. “Meu filho era um menino bom, trabalhador. Saiu de casa pra ganhar o pão e não voltou mais”, disse entre lágrimas. O relato comoveu até os mais fortes. Em um gesto de fé, familiares pediram orações e agradeceram o apoio recebido. “Que Deus conforte o coração de todos e conceda o descanso eterno ao nosso querido Allisson”, dizia o convite da família para o sepultamento.
Entre as homenagens, um detalhe comoveu ainda mais: o celular do jovem continuava recebendo mensagens de amigos, como se ninguém aceitasse sua partida. “Parece que ele ainda vai responder”, escreveu um colega de profissão. O luto tomou conta das ruas, dos postes e até das antenas que ele ajudava a consertar.
Em Belo Jardim, o nome de Allisson se tornou símbolo de uma tragédia que poderia ter sido evitada — e de um alerta para que novas vidas não sejam perdidas da mesma forma. Uma história interrompida por um fio de alta tensão, mas que continuará acendendo o debate sobre segurança, respeito e valorização da vida dos trabalhadores que, em silêncio, sustentam o funcionamento das cidades.
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