BOMBA POLÍTICA | CLEIDE: O Retorno possível?
Cleide Oliveira pode ser beneficiada por mudança na lei de inelegibilidade e reacender disputa política em Pesqueira
Por Flávio José Jardim
atualizado há 1 ano
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O Brasil político vive dias de expectativa febril. Em Brasília, o Senado se prepara para votar um projeto de lei que pode virar do avesso o mapa eleitoral de 2026 E 2028. A proposta, de autoria da deputada Dani Cunha — filha do polêmico ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha — promete unificar prazos de inelegibilidade e abrir espaço para o retorno de dezenas de políticos banidos das urnas. E entre os possíveis beneficiados está um nome que ecoa com força no agreste pernambucano: Cleide Maria de Souza Oliveira, ex-prefeita de Pesqueira, professora, sindicalista e personagem central de uma história política feita de glórias, confrontos e alianças.
A mudança pode parecer técnica, jurídica, de interesse restrito a especialistas em direito eleitoral. Mas, na prática, pode reacender carreiras que pareciam encerradas e devolver fôlego a lideranças marcadas pelo passado turbulento. Para Cleide, a repercussão é imediata: bastaria a aprovação do texto no Senado para que suas condenações perdessem o peso atual na contagem do prazo, encurtando seu afastamento das urnas. Em outras palavras: o que parecia ser um fim, pode se tornar apenas uma pausa.
Nos corredores de Pesqueira, o burburinho é inevitável. A ex-prefeita, que governou o município entre 2009 e 2012, ainda divide opiniões. Para alguns, foi a professora combativa que saiu das salas de aula e do sindicato para enfrentar estruturas políticas dominadas por grupos tradicionais. Para outros, foi a gestora marcada por debates e investigações que fragilizaram a confiança popular. Mas, com a possível reviravolta em Brasília, a pergunta que circula é clara: Cleide voltaria ao jogo?
A proposta de Dani Cunha já carrega em si um simbolismo explosivo. Seu pai, cassado em 2016 e inelegível até hoje, é um dos que esperam, ansiosos, pela aprovação da mudança. Não se trata apenas de Cleide ou de Cunha: há ex-governadores, ex-prefeitos e ex-deputados em todo o Brasil calculando os dias e afiando estratégias. A nova contagem — unificada em oito anos a partir da decisão inicial, e não do fim de cumprimento de pena ou do somatório de punições — pode reduzir, na prática, períodos de afastamento que hoje parecem intermináveis.
Em Pesqueira, onde a política pulsa em ritmo intenso, a movimentação pode ser devastadora. O nome de Cleide, mesmo em silêncio político nos últimos anos, nunca deixou de ser citado em conversas de bastidores. Entre seus apoiadores, a imagem de mulher firme, sindicalista aguerrida e prefeita de origem popular ainda desperta saudade. Já para seus críticos, a lembrança é desoladora.
Se a lei passar, Cleide poderá alegar que seu tempo de afastamento já foi cumprido ou encurtado — uma tese que advogados eleitorais consideram plausível diante da redação do projeto. E, nesse caso, estaria liberada para disputar as urnas. O cenário, para muitos, é de suspense: seria a chance de uma volta triunfal ou o risco de reacender feridas ainda abertas na memória da cidade?
A trajetória de Cleide foi feita de embates. Professora de carreira, ganhou notoriedade à frente do Sindicato dos Servidores Municipais de Pesqueira (Sismup), enfrentando de peito aberto o poder público em defesa de salários e direitos. Esse protagonismo a projetou para cargos de maior visibilidade, culminando na Secretaria de Educação e, mais tarde, na conquista da Prefeitura em 2008. O início de seu mandato foi marcado por expectativa de renovação, mas logo vieram os choques com a máquina política e as denúncias que se acumulariam até o fim de sua gestão.
Um episódio sombrio aconteceu em 2012, quando sua casa foi alvejada por disparos de arma de fogo em plena campanha eleitoral. A violência política mostrou até onde chegava o clima de hostilidade e polarização na cidade. Embora ninguém tenha se ferido, o atentado marcou para sempre a narrativa de sua vida pública — símbolo da intensidade e da brutalidade com que se travam disputas em Pesqueira.
Mesmo com as acusações, Cleide nunca desapareceu completamente do imaginário político local. Seu nome circula em rodas de conversa, lembrado por uns e rejeição por outros. É uma personagem que inflama, que carrega uma biografia marcante e, justamente por isso, nunca deixa de ser comentada.
A eventual aprovação da lei no Senado reacende não só a possibilidade jurídica de seu retorno, mas também a chama emocional que seu nome desperta. Para seus apoiadores, seria o “renascimento da guerreira”. Para seus opositores, um pesadelo a ser evitado a qualquer custo. De um lado, a narrativa da mulher que saiu das bases sindicais para desafiar os poderosos; de outro, a marca das acusações que, para muitos, deveriam mantê-la afastada.
No plano nacional, o projeto de Dani Cunha já provoca alvoroço. Líderes partidários avaliam os efeitos imediatos: quantos nomes voltarão ao jogo? Quantos grupos políticos serão reconfigurados? A CCJ já deu parecer favorável, e o clima nos bastidores indica aprovação. Afinal, há interesses suprapartidários envolvidos: de governadores cassados a deputados banidos, todos têm algo a ganhar.
Para Pesqueira, a repercussão seria imediata. O tabuleiro político local, já marcado por disputas ferozes entre famílias e lideranças, ganharia um ingrediente inesperado: a volta de Cleide. Os críticos da mudança acusam: a lei seria um verdadeiro “trem da alegria” para políticos investigados. A narrativa de impunidade e autoproteção da classe política ecoa nas ruas, gerando indignação popular. Mas, do outro lado, defensores da proposta alegam que a unificação do prazo traz clareza, evita distorções e garante igualdade de tratamento a todos os casos. No meio desse embate jurídico, Cleide se vê, mais uma vez, no olho do furacão.
Pesqueira é um município acostumado a viver a política como espetáculo. Eleições aqui não são apenas votações: são batalhas emocionais, carregadas de rivalidades e paixões. O possível retorno de Cleide encaixa-se perfeitamente nesse enredo: uma narrativa de queda, afastamento, espera e, agora, talvez de ressurreição. É o tipo de história que mobiliza palanques, que acende fogos de artifício e que promete dividir famílias e vizinhos nas esquinas da cidade.
Analistas políticos já se antecipam: se Cleide voltar, não será uma candidatura qualquer. Será um acontecimento. Em qualquer dos cenários, ela terá o poder de embaralhar o jogo e de forçar todos os outros atores a repensar estratégias.
Seja qual for o desfecho da votação em Brasília, uma certeza já se desenha: o nome de Cleide Oliveira voltou ao centro da pauta. Um projeto de lei nacional, gestado em meio a interesses diversos, pode ter como consequência direta uma reviravolta política em uma cidade do agreste pernambucano.
E talvez seja esse o maior símbolo da política brasileira: decisões tomadas em gabinetes de Brasília têm o poder de redefinir histórias locais, de reacender biografias esquecidas, de transformar vilões em heróis e heróis em vilões. Para Pesqueira, a sessão do Senado não será apenas mais uma votação. Será o prenúncio de um futuro incerto.
O que virá depois dependerá do voto dos senadores. Mas, em Pesqueira, o sentimento já é de espera ansiosa. Para uns, a esperança de ver a professora voltar ao palanque. Para outros, o temor de reviver os fantasmas de uma gestão polêmica. De todo modo, uma coisa é certa: o nome de Cleide Oliveira, com a força de sua história e a marca de suas cicatrizes, já voltou a ocupar o centro da cena. RESTA SABER TAMBÉM SE ELA QUER VOLTAR...
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