Câmara de Pesqueira em Defesa da Democracia: Guilherme Araújo age com grandeza e maturidade diante do afastamento de dois vereadores
Em um momento de tensão institucional, presidente da Câmara, Guila Araújo, exibe postura exemplar, defende a Casa Legislativa, respeita a Justiça e preserva a dignidade dos parlamentares afastados
Por Flávio José Jardim
atualizado há 1 ano
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PESQUEIRA (PE) - Num Brasil onde a política muitas vezes é marcada por embates e posições extremadas, a postura adotada pelo presidente da Câmara de Vereadores de Pesqueira, Guilherme Araújo, Guila, desponta como um raro e necessário exemplo de equilíbrio, lucidez e respeito às instituições democráticas.
Em sessão realizada na última terça-feira, 08 de abril, Guila subiu à tribuna da Casa Anísio Galvão não apenas como dirigente do Poder Legislativo municipal, mas como um verdadeiro estadista. Sua fala, firme e serena, conciliadora e clara, trouxe alento a uma cidade abalada pelo afastamento judicial de dois vereadores eleitos pelo voto soberano do povo: José Maria, conhecido como Pastinha, e Sil Xukuru.
O afastamento, fruto de uma medida judicial em meio à investigação de licitações realizadas em 2021, provocou reações distintas na sociedade. Mas ao invés de alimentar a fogueira das paixões políticas, Guila preferiu a trilha do equilíbrio: respeitou a decisão judicial, defendeu a honra do Parlamento e, principalmente, não abandonou seus colegas. Demonstrando maturidade institucional, deixou claro que os vereadores estão na condição de investigados, não de condenados, e que é dever de todos — especialmente dos que ocupam cargos de liderança — resguardar a presunção de inocência, pedra angular do Estado Democrático de Direito.
“Investigar é necessário, julgar é prerrogativa da Justiça. Mas condenar antes do fim do processo é injustiça”, afirmou Guila em sua fala, que foi repercutida positivamente dentro e fora da Câmara. A lucidez do presidente se revela também quando lembra que as licitações sob investigação ocorreram na Prefeitura de Pesqueira, não na Câmara, e em uma legislatura anterior. Ou seja, os fatos que embasam o afastamento não têm relação direta com o mandato atual dos vereadores, tampouco com o exercício das suas funções no Poder Legislativo.
Em sua fala, Guila fez questão de destacar a idoneidade e o histórico de compromisso de ambos os parlamentares. Sobre Sil Xukuru, ex-presidente da Câmara, afirmou tratar-se de um homem de atitudes ilibadas, que nunca havia enfrentado qualquer tipo de processo até agora.
Com relação a Pastinha, lembrou da injustiça que este já enfrentou no passado e de como isso abalou não apenas sua saúde, mas também sua vida política e familiar. Guila, sem hesitar, expressou sua crença na inocência dos dois, ao mesmo tempo em que reiterou seu apoio irrestrito ao livre curso das investigações.
A fala do presidente também foi marcada por um compromisso claro com os princípios legais e regimentais que norteiam a Casa Legislativa. Guila explicou, com base no Regimento Interno, que não há motivo para convocar suplentes, uma vez que o afastamento tem prazo determinado e não implica perda de mandato, morte ou condenação.
A suspensão temporária, portanto, não é suficiente para que se altere a composição da Câmara. Essa interpretação, além de legal, evita tumultos políticos e preserva o mandato concedido pelos cidadãos de Pesqueira por meio do voto direto.
Mais do que defender os colegas, Guila defendeu a dignidade do cargo de vereador e o respeito que a população deve manter pelas instituições representativas. “Os membros desta Casa foram eleitos democraticamente. Em qualquer situação, esta presidência se posicionará a favor da legalidade, do devido processo e do respeito à vontade popular”, declarou. Em um tempo onde o descrédito nas instituições cresce perigosamente, palavras como essas reafirmam a importância do Parlamento como guardião da democracia.
Outro ponto de destaque em sua fala foi a crítica serena, mas firme, à desproporcionalidade da medida judicial. Guila argumentou que, em nome da contemporaneidade — conceito jurídico que remete ao momento exato dos fatos —, o afastamento soa desnecessário. “Estamos tratando de uma licitação que ocorreu há quatro anos, sob outra administração, outro contexto, outro tempo. Retirar hoje o direito ao exercício do mandato por algo do passado, sem a devida conclusão de culpa, é uma medida que precisa ser muito bem ponderada”, ponderou.
A responsabilidade com que o presidente da Câmara tratou o episódio também ficou evidente quando revelou que, apesar de estar com uma viagem oficial marcada para participar do Acampamento Terra Livre, em Brasília, preferiu atrasar seu embarque para estar presente na sessão, dar explicações à sociedade e conduzir, pessoalmente, o posicionamento da Casa. “Antes de qualquer agenda fora do município, meu compromisso é com esta Casa e com o povo de Pesqueira”, afirmou, num gesto que foi amplamente elogiado.
A conduta de Guila Araújo durante esse momento conturbado é um exemplo raro de liderança pública com senso de dever e fidelidade aos valores democráticos. Ao mesmo tempo em que demonstra absoluto respeito pelas decisões judiciais, não se furta em defender a legalidade do mandato popular, a honra de seus colegas, e a reputação do Poder Legislativo. Seu discurso revela a difícil — mas imprescindível — arte de harmonizar poder, respeito e justiça.
Ao final, o presidente reafirmou seu compromisso com a transparência e o cumprimento da lei: “Se houver qualquer crime, que seja punido com o rigor da Justiça. Mas enquanto não houver condenação, o que deve prevalecer é a presunção de inocência. Esta Casa jamais será contrária a qualquer investigação policial ou judicial. Mas será sempre defensora da democracia e da vontade soberana do povo”.
Em tempos de polarização e de ataques às instituições, a Câmara de Pesqueira, sob a condução de Guilherme Araújo, mostra que é possível tratar temas sensíveis com firmeza, empatia e respeito à Constituição. E, mais do que isso, reafirma a grandeza do Parlamento como espaço legítimo de defesa da cidadania e do Estado de Direito. Pesqueira, hoje, tem muitos motivos para se orgulhar de sua Câmara Municipal.
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