CHACINA DOS CONSELHEIROS TUTELARES | Evento transforma luto em luta no 8º ano da chacina de Poção. Relembre o caso
Lindenberg, filho de Lindenberg Nóbrega, um dos conselheiros tutares assassinados, fala em entrevista e narra os oito anos de luta. Os acusados ainda aguardam Júri Popular.
Por Flávio José Jardim
atualizado há 3 anos
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POÇÃO (PE) – “Ontem, 6 de fevereiro, fez exatamente 8 anos de saudades desses guerreiros. Há exatamente oito anos, três conselheiros tutelares e uma idosa foram mortos em chacina no município aqui em Poção, no agreste de Pernambuco”.
“Quatro pessoas foram assassinadas a tiros na noite do dia 06 de fevereiro de 2015.
Na chacina foram mortos três conselheiros tutelares e mais uma senhora que também estava no veículo Fiat pertencente ao Conselho Tutelar. O crime ocorreu no Sítio Cafundó, e uma criança que também estava no carro foi ferida de raspão”.
“E, durante esses oito anos, esse dia é marcado no coração de todos que amam os que se foram nesse dia de forma tão cruel. Foi assim, sem despedida, causando tanta dor, e até então sem júri e julgador, pra sentença merecida…”.
Com esse depoimento marcado pela emoção e a sede de justiça, Lindenberg conta como o luto que virou luta. Na chacina, foram assassinados os conselheiros tutelares: Lindenberg Vasconcelos, Carmem Lúcia e Daniel Farias, a quarta vítima fatal foi uma senhora de nome Ana Rita Venâncio, que seria avó da criança.
Ouça ACIMA Podcast com Lindenberg Filho.
O caso foi noticiado em todo o país e no exterior. Foi até pauta de uma reportagem especial do Fantástico, da Rede Globo. RELEMBRE ABAIXO A REPORTAGEM.
TRÊS CONSELHEIROS TUTELARES SÃO ASSASSINADOS EM PERNAMBUCO
Eles vinham da casa da avó paterna de uma criança, situada em Arcoverde, no Sertão
POÇÃO (PE) - Três conselheiros tutelares e uma mulher de 62 anos foram mortos em uma chacina na noite de sexta-feira (6 de fevereiro de 2015) em Poção, no Agreste pernambucano, a 240 km de Recife.
As vítimas estavam em um carro do Conselho Tutelar do município junto com uma menina de 3 anos, única sobrevivente do crime.
Eles vinham da casa da avó paterna da criança, situada em Arcoverde, no Sertão, a cerca de 70 km de Poção.
Segundo o avô materno, João Batista, as famílias dividiam a guarda da criança. O pai e a avó paterna cuidavam dela durante a semana e, nos fins de semana, a menina ficava com os avós maternos.
A senhora que morreu na chacina era Ana Rita Venâncio, esposa de João Batista e avó da criança.
As primeiras informações obtidas pela Polícia Militar apontavam para uma emboscada contra as vítimas, na estrada do Sítio Cafundó, por onde os cinco passavam de carro.
“Primeiro, atiraram no motorista, depois nas mulheres que estavam no banco de trás e à queima roupa em um deles [conselheiro] que tentou escapar”, informou a PM na época ao G1.
Os conselheiros eram Carmem Lúcia da Silva, de 38 anos, José Daniel Farias Monteiro, de 31, e Lindenberg Nóbrega de Vasconcelos, de 54. Uma equipe do Instituto Médico Legal (IML) de Caruaru esteve no local e recolheu os corpos.
Segundo a família de Nóbrega, após a liberação dos corpos no IML, houve o velório das quatro vítimas no salão da paróquia e o sepultamento foi no domingo (8 de fevereiro de 2015), no cemitério local.
RELATOS DA ÉPOCA, COM INFORMAÇÕES DO DIA SEGUINTE DA TRAGÉDIA:
PAI E AVÓ DESAPARECIDOS
Inicialmente, havia a informação de que a criança teria sido ferida à bala na confusão, mas, no hospital, informaram que o sangue que a sujava não era dela. A menina está sob a guarda de policiais em um local não divulgado, por questão de segurança.
Segundo a PM, nem o pai nem a avó paterna foram localizados. A mãe da criança já é falecida, segundo a corporação.
O avô materno disse que na sexta-feira, a avó e o pai mudaram repentinamente o horário que eles costumavam pegar a menina para passar o fim de semana. "A gente era para pegar a criança às 11h30min no colégio e entregar na segunda, de 7h30min. Só que, essa semana, eles mesmo mudaram. (...) Mudou para gente ir pegar de 17h", disse João Batista. Segundo ele, há mais de dois anos as famílias compartilham a guarda da criança.
Investigação em sigilo
O governo do estado designou quatro equipes da Polícia Civil especializada em homicídios, cada uma com um delegado, para apurar o caso. A força-tarefa é comandada pelo delegado Erik Lessa, gestor operacional da Diretoria Integrada do Interior I, e também pelo delegado Darley Timóteo, diretor desta área.
Timóteo disse que uma portaria deveria ser emitida para que nenhum detalhe sobre o caso seja divulgado até a conclusão das investigações. Na tarde deste sábado, a assessoria de imprensa da Polícia Civil confirmou que a determinação já foi emitida e que o inquérito ficará sob sigilo até sua conclusão.
"Todo o efetivo da Polícia Militar da região se encontra à disposição da Polícia Civil para eventuais diligências que contribuam para o esclarecimento do caso. A determinação expressa do governador Paulo Câmara é que o crime seja rapidamente elucidado e para isso recomendou todos os esforços do estado", ressaltou a assessoria de imprensa do governo de Pernambuco.
*Informações da época.
LUTA
Após 8 anos da Barbárie de Poção, as famílias ainda clamam por Justiça e pelo Júri Popular. Um evento está sendo realizado desde domingo em Poção para lembrar a luta e para debater “o papel do Conselheiro Tutelar” na sociedade.
Veja reportagem abaixo:






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