Política

Dívida de jogo virtual devasta vida de agricultor em Carnaubeira

Família tenta reverter tragédia financeira com rifa solidária para quitar R$ 200 mil acumulados no Jogo do Tigrinho

Por Flávio José Jardim atualizado há 1 ano
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Dívida de jogo virtual devasta vida de agricultor em Carnaubeira

Em Carnaubeira da Penha, Sertão de Pernambuco, um drama familiar escancara os perigos da ludopatia digital. José Espedito da Silva, agricultor de 47 anos, acumulou uma dívida superior a R$ 200 mil ao se viciar no chamado "Jogo do Tigrinho", aplicativo de apostas que tem atraído jogadores de todas as faixas sociais. O vício resultou não apenas na perda do patrimônio, mas também no comprometimento da saúde mental do agricultor.

 

Espedito chegou a vender a casa própria que mantinha em Salgueiro para tentar abater parte do débito. Hoje, está em tratamento psiquiátrico e vive sob os cuidados da família, que resolveu divulgar o caso publicamente para arrecadar recursos. O desespero levou os parentes a organizar uma rifa solidária de um Uno Vivace, ano 2010, cujo bilhete custa R$ 25.

 

A família afirma que tentou intervir quando percebeu os primeiros sinais de compulsão, mas a velocidade com que as dívidas cresceram tornou a situação insustentável. “Foi tudo muito rápido. Quando nos demos conta, ele já devia mais de R$ 100 mil”, contou um dos irmãos à reportagem. O caso ilustra uma realidade cada vez mais presente nas cidades do interior, onde aplicativos de apostas digitais têm se proliferado sem regulamentação eficaz.

 

O Jogo do Tigrinho, que se apresenta como um game inofensivo, é, na prática, um cassino digital disfarçado. Vítimas como Espedito têm se multiplicado em vários estados do país, muitas vezes em comunidades carentes, onde a promessa de lucros fáceis tem consequências devastadoras. Especialistas alertam para a ausência de fiscalização e a vulnerabilidade de pessoas sem histórico de jogos.

 

Atualmente, a família busca apoio através das redes sociais e de veículos de imprensa da região. “Precisamos de ajuda. Nosso objetivo não é lucro, é só limpar o nome do meu pai e tentar recomeçar”, explica a filha do agricultor, visivelmente emocionada. A comunidade local tem se mobilizado em torno da causa.

 

Enquanto isso, o drama de José Espedito vira símbolo de um problema social mais amplo: a digitalização do vício em apostas e a necessidade urgente de políticas públicas que enfrentem essa nova face do jogo patológico.

 

 

 

 

 

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