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Dona Zenilda, um Símbolo de Mulher, a Matriarca de Todas as Lutas!

Cacique Marcos faz homenagem a Dona Zenilda e envia mensagem a todas as mulheres. Prefeitura de Pesqueira realiza ações importantes para celebrar o Dia Internacional da Mulher

Por Flávio José Jardim atualizado há 4 anos
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Dona Zenilda, um Símbolo de Mulher, a Matriarca de Todas as Lutas!
Cacique Marcos, sua esposa e filhos.
Dona Zenilda, um símbolo no Dia Internacional da Mulher

PESQUEIRA (PE) - Dona Zenilda Araújo é uma mulher de fibra, que vai lutar até o fim dos seus dias em defesa dos direitos dos povos indígenas.

       É forte, inteligente e determinada. A verdadeira Matriarca de todas as lutas. Como ela mesmo diz: “Deus me deu essa tarefa: a libertação do meu povo. Entreguei meu marido e meu filho pela causa porque quem nasceu pra morrer lutando não vai morrer parado”.

       Hoje, no Dia Internacional da Mulher, mas que uma homenagem, Dona Zenilda ganhou uma verdadeira declaração de amor do seu filho, o Cacique Marcos. Veja abaixo.

       “Neste 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, diante da figura extraordinária de exemplo da minha mãe, quero homenagear cada mulher guerreira, dona de casa, estudante, empresária e reafirmar o nosso compromisso em construir uma cidade com cada vez mais equidade, reconhecendo a importância da força feminina, respeitando e valorizando cada direito conquistado e avançando para que haja cada vez mais conquistas”.

       “Vivemos em uma sociedade em que a mulher está inserida em um contexto machista, segregador e extremamente violento. É necessário não só parabenizar e homenagear as mulheres neste e em outros dias, mas principalmente fortalecer as políticas públicas que busquem valorizar a vida, criar oportunidades e fortalecer a emancipação das mulheres no dia a dia. Parabéns neste dia, mulheres, e muito obrigado por tudo”, destacou o Cacique Marcos.

Dona Zenilda, forte, destemida, a Matriarca de todas as Lutas

A HISTÓRIA DE DONA ZENILDA, A MÃE DOS XUKURUS

       Mãe do Cacique Marcos e viúva de Xicão, dona Zenilda teve nove filhos. O caçula morreu há cinco anos, em um acidente de moto. Mas a família dela não é essa. “Minha família é o povo Xukuru”, diz. Mulher simples que se porta com a elegância de um membro da realeza, a mãe dos índios revela uma força revolucionária por trás do olhar sereno e da voz doce.

       “Deus me deu essa tarefa: a libertação do meu povo. Entreguei meu marido e meu filho pela causa porque quem nasceu pra morrer lutando não vai morrer parado”, sublinha. Mulher de saberes, como se define, ela é uma representação da força feminina na tribo. Esteve ao lado de Xicão durante as primeiras retomadas e iniciou um trabalho de conscientização das índias sobre suas tradições.

       “Fiquei um ano e três meses acampada uma vez. Já fui ameaçada, perdi meu marido. Sofri muito, mas sou feliz porque já vejo algumas na luta que têm a força de dona Zenilda”, comenta e prossegue. “As mulheres têm um papel muito importante na tribo, assim como os velhos, as crianças, os homens. Todos na sua função. Por isso, agora, minha missão é conscientizar os jovens”, declara.

       Conselheira do povo, a matriarca também é como uma sacerdotisa da religião da mata e de seus mistérios. “A gente quando se junta pra dançar o toré, pra fazer os rituais, cantamos juntos cânticos que aprendemos na hora, eles vêm a partir dos sons da floresta. Uns ficam, outros vão embora. É um mistério. Nas ocupações vinham cantos de força”, revela dona Zenilda, que se considera uma religiosa. “Quando os padres chegaram catequizando os índios, eles trouxeram a religião, mas já adorávamos Deus nas águas, nas matas, nas pedras”, orienta.

       Antes menosprezadas e escondidas, as crenças Xukurus foram resgatadas e valorizadas. “Até os padres entendem os costumes e o sincretismo do povo, e respeitam”, diz. “Então, vou à missa, acredito em Jesus e também nos encantados, em pai Tupan e mãe Tamain (divindades Xukurus)”, explica. “A igreja é quatro paredes, Deus é encantado. Está em todas as coisas”, define com sabedoria.

*Trecho da reportagem: MarcoZero, Fronteiras da Identidade Xukuru.

NO DIA DA MULHER, PREFEITURA DE PESQUEIRA REALIZOU AÇÕES

       No Dia Internacional da Mulher, a Prefeitura de Pesqueira, através da Coordenadoria da Mulher e secretarias parceiras, promoveu uma longa programação de atividades para celebrar a importante data.

       Logo cedo, a Praça Jurandir de Brito sediou uma caminhada pelo fim da violência contra a mulher, que promoveu apitaço. Na sequência, foram realizadas ações de saúde em todas as UBS seguido de coffe break para todas as usuárias.

       No ambulatório ginecológico, localizado no PAN, no centro, foi feito atendimentos para as mulheres interessadas em colocar o DIU.

       Em parceria com o Departamento de Trânsito, a ação: “Mulher no Volante: Sucesso Constante” foi promovida no canteiro central, com o objetivo de finalizar qualquer preconceito dessa ordem.

       Por fim, a feira: “Elas que Movem” aconteceu, na Praça Dom José Lopes teve a participação de diversas empresárias da cidade.

       O encerramento foi marcado por um aulão de zumba e ritmos, na Praça da Rosa.

       Mesmo com a longa programação, o cronograma segue, em vários pontos, até o dia 31 de março.

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