Política

Dorinha Duval: a atriz que marcou a TV e protagonizou um dos casos criminais mais debatidos do país

A atriz Dorinha Duval ficou eternizada na televisão brasileira ao interpretar a primeira versão da personagem Cuca no clássico infantil Sítio do Picapau Amarelo, exibido pela TV Globo entre 1977 e 1979.

Por Flávio José Jardim atualizado há 1 mês
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Dorinha Duval: a atriz que marcou a TV e protagonizou um dos casos criminais mais debatidos do país

Com a fantasia de jacaré e uma interpretação marcante, Dorinha deu vida à bruxa que aterrorizava crianças na história inspirada na obra de Monteiro Lobato. No entanto, enquanto fazia sucesso nas telas, sua vida pessoal passava por um momento conturbado.

 

A atriz vivia um relacionamento difícil com Paulo Sérgio, homem 16 anos mais jovem. Na madrugada de 5 de outubro de 1980, no Rio de Janeiro, uma discussão entre o casal terminou em tragédia.

 

Segundo relatos da época, durante uma discussão marcada por agressões físicas e verbais, Dorinha teria reagido após ser humilhada pelo marido. No auge do conflito, ela utilizou um revólver calibre .22 e disparou três vezes contra ele, que morreu no local.

 

O caso ganhou enorme repercussão nacional e gerou intenso debate jurídico e social. A defesa utilizou a tese da legítima defesa da honra, argumento que era comum em julgamentos da época, mas que posteriormente passou a ser amplamente criticado por especialistas e movimentos sociais.

 

No primeiro julgamento, realizado em 1983, Dorinha foi condenada a um ano e seis meses de prisão, pena que pôde cumprir em liberdade. A decisão dividiu a opinião pública entre aqueles que a viam como vítima de abusos e os que consideravam a punição branda.

 

Anos depois, em 1989, um novo julgamento foi realizado após recurso do Ministério Público. Dessa vez, a atriz foi condenada a seis anos de prisão em regime semiaberto e chegou a cumprir parte da pena no presídio Talavera Bruce.

 

Após o episódio e o cumprimento da pena, Dorinha Duval nunca mais voltou à televisão. Ela se dedicou às artes plásticas, encontrando na escultura uma forma de reconstruir sua vida longe dos holofotes.

 

A atriz morreu em 2025, aos 96 anos, encerrando uma trajetória marcada tanto pelo sucesso artístico quanto por um dos casos mais controversos da história da televisão brasileira.

 

dor
dor (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

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