EDMILTON TORRES | “Eu e Pelé”. Poeta pesqueirense narra seu "encontro" com o Rei
“Curioso, baixei o vidro do meu carro e perguntei a um dos que retornavam, o que estava acontecendo ali. Ele respondeu que Pelé estava em um táxi, mais a frente e estava atendendo aos caçadores de autógrafos que o abordavam no trânsito”.
Por Flávio José Jardim
atualizado há 3 anos
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EDMILTON TORRES
PESQUEIRA E RECIFE (PE) – “Em 1993, a Seleção Brasileira jogou no Estádio do Arruda, em Recife, pelas eliminatórias sulamericanas da Copa do Mundo de 1994, ano em que nos sagramos tetracampeões mundiais.
Eu assisti àquele jogo, no qual goleamos a Bolívia por 6 X 0 e retornava para Boa Viagem pela Avenida Agamenon Magalhães, quando o trânsito ficou bastante lento ali próximo ao Cabanga.
De repente, pedestres começaram a circular por entre os veículos.
Observando a cena percebi que pessoas desciam dos automóveis e seguiam andando na mesma direção do trânsito, enquanto outras faziam o sentido inverso. Todas com uma pressa, digamos, ordeira.
Curioso, baixei o vidro do meu carro e perguntei a um dos que retornavam, o que estava acontecendo ali. Ele respondeu que Pelé estava em um táxi, mais a frente e estava atendendo aos caçadores de autógrafos que o abordavam no trânsito. Uma cena bastante inusitada.
Eu, que já estava me estressando com a lentidão do trânsito, passei a ser mais tolerante.
Assim, fui seguindo naquele para-e-segue, quando um garoto tocou com os dedos no vidro do meu lado.
Ao atendê-lo, ele, que tinha uma folha de papel numa das mãos, me perguntou se eu tinha uma caneta para lhe emprestar, porque queria “pegar um autógrafo de Pelé”.
Eu tinha e lhe respondi que emprestaria a caneta se ele pegasse um autógrafo, também, para mim.
Ele concordou e levou minha caneta e um boné do BNB que eu usava e era tudo que eu possuía naquele momento, que pudesse ser usado para receber um autógrafo.
O garoto sumiu da minha visão e eu continuei naquele para-e-segue, na lentidão do trânsito.
O tempo passava, o garoto não voltava e eu já começara a contabilizar a perda da minha caneta e do meu boné, quando ele retornou e me devolveu a caneta e o boné, em cuja aba estava escrito: “Do amigo Pelé”, com aquele “P” característico e único que Pelé usava em seus autógrafos.
A tinta usada no autógrafo, não era da minha caneta, mas de uma caneta de ponta porosa, que na época chamávamos de “caneta futura”.
Fiquei muito feliz e, eu e o garoto, trocamos agradecimentos. Se o momento e a situação tivessem permitido, penso que teríamos nos tornado amigos.
Como o boné era branco e eu o havia usado durante o jogo, devido àquele calor de sauna de Recife, ele apresentava uma mancha amarelada, pelo suor, na parte interna, onde ficara em contato com a testa.
Pensando em guardar aquela relíquia limpinha, passei uma escova com água e sabão na parte suja do boné e o coloquei num varal para secar.
Para minha eterna frustração, a umidade se espalhou pela aba do boné, dissolvendo parte da tinta e borrando uma parte do meu autógrafo.
Fiquei indignado comigo mesmo pela bobagem que tinha cometido, mesmo assim guardei o boné por vários anos, até que ele desapareceu numa das várias mudanças de residência que fiz, durante o tempo em trabalhei na Caixa Econômica.
Hoje, mais do que nunca, eu lamentei bastante por não possuir mais aquele boné, mesmo borradinho, pois era uma lembrança palpável do maior e mais completo jogador de futebol que o mundo jamais verá outro igual”.
Edmilton Torres

VEJA ABAIXO MATÉRIA PUBLICADA EM 2019 SOBRE O POETA EDMILTON TORRES
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