🔥EDUCAÇÃO INDÍGENA EM FOCO: XUKURU DO ORORUBÁ FAZ HISTÓRIA EM ENCONTRO ESTADUAL SOBRE O ENSINO MÉDIO🔥
Comissão pedagógica participa de evento da Secretaria de Educação do Estado e eleva o debate sobre práticas interculturais nas escolas indígenas de Pernambuco
Por Flávio José Jardim
atualizado há 1 ano
Publicado em
Um momento histórico para a educação indígena em Pernambuco está em curso. Representantes do povo Xukuru do Ororubá — os coordenadores pedagógicos Átila Frazão, Eduardo Feitoza e Geovane Feitoza — estão participando ativamente de um evento promovido pela Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco (SEE), voltado aos desafios e práticas no ensino médio. Em pauta: “Educação que Transforma: conquistas, desafios e perspectivas para o ensino médio e educação profissional em Pernambuco”. Mas a presença Xukuru no encontro vai além da escuta — ela impõe voz, identidade e propósito.
A comissão indígena chega com o objetivo claro: garantir junto ao Estado a inclusão da discussão intercultural nos debates sobre o ensino médio nas escolas indígenas. “É inadmissível pensar políticas educacionais para o futuro sem escutar quem carrega o saber ancestral do passado e a esperança do presente”, afirmou Átila Frazão durante um dos painéis. A postura firme, comprometida e consciente dos representantes Xukuru tem chamado atenção e gerado reflexões profundas entre educadores, gestores e autoridades presentes no evento.
A proposta da delegação é ampliar a compreensão de que a educação indígena não pode ser vista como um apêndice do sistema oficial, mas sim como uma construção autônoma, que respeita os territórios, as línguas, os saberes e os modos de vida de cada povo originário. Nesse sentido, os coordenadores vêm defendendo a criação de mecanismos de diálogo permanente entre o Governo do Estado e as lideranças pedagógicas das escolas indígenas, para que não apenas sejam ouvidos, mas também integrados de forma efetiva às decisões e reformas curriculares.
O evento da SEE reúne dezenas de especialistas, gestores e professores de todo o estado, que debatem a transformação do ensino médio em Pernambuco diante dos novos desafios, como o Novo Ensino Médio, a formação técnica integrada e a realidade das juventudes periféricas. Em meio a tudo isso, a presença dos Xukuru acende uma chama necessária: como pensar um ensino médio que inclua a juventude indígena em sua plenitude? Como preparar esses jovens para o mundo sem desconectá-los de suas raízes?
Eduardo e Geovane Feitoza destacaram ainda a importância de repensar os indicadores de qualidade nas escolas indígenas. “Nos medem com régua que não cabe em nossa cultura. A nossa excelência é outra: é manter viva a língua, o território, o sagrado e o espírito de nosso povo”, afirmou Geovane em tom emocionante. Suas palavras ecoaram como flechas certeiras em um espaço muitas vezes ainda viciado em silenciar vozes não hegemônicas.
O que se viu, portanto, não foi apenas a participação de uma comissão indígena num evento oficial. Foi a reafirmação de um direito, o grito sereno mas firme de um povo que exige ser respeitado como protagonista do seu próprio processo educativo.
A luta dos Xukuru do Ororubá segue viva — e agora, ecoa ainda mais forte nos corredores do poder e da política educacional de Pernambuco.
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