Sociedade

EMPATIA | Pesqueira se coloca no lugar de Lucinha e de Sandro, pais da menina Beatriz, morta com 42 facadas há seis anos

O Cacique Marcos também sofreu ao ter seu pai, o Cacique Xikão Xukuru, brutalmente assassinado. Hoje (20 de dezembro), deu uma prova da capacidade de se colocar no lugar do outro. Emocionou-se, sofreu, abraçou e comandou a mais calorosa recepção à Caminhada “Todos por Beatriz”

Por Flávio José Jardim atualizado há 4 anos
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EMPATIA | Pesqueira se coloca no lugar de Lucinha e de Sandro, pais da menina Beatriz, morta com 42 facadas há seis anos
https://youtu.be/jlgttf2dWzc

PESQUEIRA (PE) - A empatia é a força mais poderosamente perturbadora do mundo, ficando atrás apenas do amor. É um sentimento que, segundo uma professora canadense, pode mudar toda uma sociedade.

       Foi o que aconteceu hoje (20 de dezembro) em Pesqueira. Milhares de pessoas saíram de suas casas para se unir, acompanhar ou observar o trecho da Caminhada por Justiça “Todos Por Beatriz”, que saiu de Petrolina e vai percorrer 702 quilômetros até o Recife.

       A caminhada chegou a Pesqueira por volta das 14h onde uma multidão esperava em frente à Fábrica da Rancho Alegre. Os indígenas do Povo Xukuru do Ororubá também esperavam a comitiva e dançaram o toré, em plena rodovia BR-232.

       O Cacique Marcos (prefeito eleito de Pesqueira, que exerce o cargo de Secretário de Governo), comandou a recepção. Foi ele que, juntamente com vários representantes de segmentos da sociedade, recebeu Lucinha Mota e Sandro, pais da garota Beatriz, assassinada há seis anos em Petrolina.

EMOÇÃO NA PELE

       Ao receber Lucinha, ao apertar sua mão e ao abraçá-la, o cacique da tribo Xukuru lacrimejava. Muito emocionado, Marquinhos ajoelhou-se, abençoou Lucinha, pediu sua bênção e entregou um colar que simboliza luta e justiça.

       “Sem sombra de dúvidas é uma luta por Justiça, algo que já sofri na pele também. É algo parecido... isso me sensibiliza, me emociona... Durante todo o trajeto fiquei muito emocionado, porque sinto também essa dor. E a luta dela é nossa, de todos os pesqueirenses, de todos aqueles que clamam por Justiça. E dizer que Pesqueira tá junto nessa luta por Justiça e o caso Beatriz é nosso também”, frisou o Cacique Marcos.

       Da lá, próximo à entrada de Alagoinha, a multidão seguiu em caminhada e, por onde passava, pela segunda entrada de Pesqueira, pelo Matadouro, pelo Centenário, as pessoas se irmanavam. Muitos aplaudiam, outros formavam filas no acostamento. Até chegar ao Hotel Acauã, onde outra comitiva esperava a todos, um grito só. Um mesmo clamor: Justiça.

       Como o próprio Cacique Marcos falou, a luta agora também é de Pesqueira que se ressentiu com a dor dos pais da garota assassinada.

       Vários segmentos da sociedade, sem distinção de credos, partidos ou ideologias, se irmanaram com a luta da Lucinha Mota, que encontrou na caminhada por Justiça, uma forma de pressionar às autoridades.

       No movimento estavam OAB (Marcia Almeida, Guto Freitas, Micheline Morgana, Constance Almeida, Taynara Lima e Danielle Cunha ), o Cacique e Secretário de Governo (Marcos Luidson Araújo), o Secretário de Turismo e Cultura (Guilherme Araújo), Secretário de Educação (Thiago Torres), o Secretário de Meio Ambiente e Serviços Urbanos (Tiago Vasconcelos), o Secretário de Administração (Tarciso Miranda), o presidente de Câmara de Vereadores (Pastinha Xukuru), a Vereadora Izabela Lins, Amanda Dantas (Procuradoria da Prefeitura), o vice-prefeito eleito Paulo Campos, várias professoras, e outras autoridades. (Vamos atualizando os nomes)... Rotary, Lions, CDL, Empresários, Vereadores, Diretores, defesa Civil, Guarda Municipal Conselho Tutelar, Movimento LGBTQIA+

MAIS QUE JUSTO

       O pedido é mais que justo, na opinião de muitos juristas: federalizar o caso, onde haveria mais chances de resolução rápida. "A nossa família precisou se reunir e buscar uma investigação paralela, uma atividade que é lícita, está baseada na lei, mas é correndo por fora. A família não acredita mais que a Polícia Civil de Pernambuco sozinha consiga resolver o caso de Beatriz, já ficou isso bem claro. Já tem mais de um ano que a gente teve contato com o delegado que nos acrescentou alguma coisa ao inquérito", complementou Sandro Romilton.

       O caso que chocou o município de Petrolina, no Sertão de Pernambuco ganhou projeção internacional. Essa repercussão chamou atenção da empresa "Criminal Investigations Training Group", dos Estados Unidos, que se colocou à disposição para contribuir com as investigações do caso.

PESQUEIRA SE COLOCOU NO LUGAR E SENTIU A MESMA DOR.

       O Cacique Marcos estava emocionado desde o primeiro momento que chegou ao ponto onde os familiares da garota Beatriz iam se encontrar com representantes de Pesqueira, na BR-232.  

       Pesqueira e o cacique Marcos verdadeiramente deram um exemplo concreto de empatia, colocando-se no lugar do outro.

       Especialistas dizem que na sociedade em que vivemos “sem empatia, sobra violência e intolerância”.

       A empatia é a habilidade de se colocar no lugar do outro. Hoje, quando a radialista Edna Soares (Peito de Aço) narrou toda a história do crime horrendo, a maioria absoluta que estava lá se colocou no lugar dos pais da menina. Muitas pessoas choraram.

       Como repórter, também fiquei emocionado. Nota-se a empatia nos por menores. No cuidado das enfermeiras e nas auxiliares em atender a comitiva. Nas pessoas que estavam entregando água mineral, nos secretários (Tiago Vasconcelos, Thiago Torres e o Cacique Marcos) que esqueceram seus cargos importantes e ajudaram a retirar os tênis e colocam gelo e água nos pés dos integrantes que vieram a pé de Arcoverde.

       A empatia estava na moça que soltava fogos, no motorista do carro de som, nas mãos que seguravam as maracas e sincronizavam o ritmo do toré, nos guardas que orientavam o trânsito. Pesqueira, enfim, exalou empatia, de verdade...

       Ninguém ali estava pensando em si. A cidade parou para mostrar que, sim, podemos nos escandalizar com a dor do outro e clamar, em um único grito: “Justiça”.

       Talvez a pandemia nos deixou mais solidários ou esse sentimento sempre esteve presente e adormecido nos pesqueirenses? A resposta é: “Os dois”. O pesqueirense reconhece em si mesmo o próximo.
       E o sentimento é uma corrente do bem. Vai se juntando, crescendo, se construindo. Esse movimento, em Pesqueira, por exemplo, começou com duas pessoas e foi concluído com milhares. Uma via de mão dupla que traz benefícios a todos.

ACAUÃ

       Lucinha Mota e Sandro, pais da garota Beatriz, e a comitiva, seguem para Belo Jardim e prosseguem com a caminhada em busca de Justiça. Veja os vídeos e as fotos do Dia em que Pesqueira parou e respirou Empatia.

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