Política

Entre as Ruínas de Éfeso, a Voz de Maria e Paulo Ainda Ecoa

Reflexões do Padre Adílson Simões ao lado da Casa de Nossa Senhora revelam a permanência do sagrado onde o tempo já desmoronou a pedra

Por Flávio José Jardim atualizado há 1 ano
Publicado em

Entre as Ruínas de Éfeso, a Voz de Maria e Paulo Ainda Ecoa

Por trás de cada ruína em Éfeso, na Turquia, onde as colunas partidas dormem sob o sol do Mediterrâneo, há uma voz antiga que ainda canta — uma voz que o mundo moderno não consegue calar. É nessa paisagem de pó e glória passada que o Padre Adílson Simões, sacerdote, poeta e contemplativo do silêncio, escreveu seu texto “Éfeso” como uma prece. Foi ali, diante da casa que a tradição atribui à Virgem Maria, que ele reuniu palavras tão sólidas quanto os pilares do templo de Ártemis, palavras que não desabam com o tempo.

 

A história e a fé se entrelaçam com vigor nas linhas do padre, nascido em Pernambuco e conhecido por seu estilo profundo, místico e literário. Formado em Filosofia e Teologia, Adílson Simões tem se destacado não apenas como pároco, mas como uma voz espiritual para os fiéis que buscam mais do que respostas: buscam sentido. Seu texto é mais do que um relato de viagem — é uma oração feita palavra, escrita com o coração e banhada por lágrimas invisíveis que só se derramam na alma.

 

Éfeso, antiga metrópole de esplendor helenístico, é descrita como uma joia que um dia cintilou sob o olhar das nações. Ali, onde multidões se reuniam em teatros para vinte mil pessoas, hoje ecoa o som do vento atravessando o vazio. O padre caminha por essas pedras como quem pisa sobre um altar invisível, e seu olhar vai além das ruínas físicas: ele vê as cicatrizes da humanidade e o perfume da presença de Deus, ainda perceptível, mesmo entre escombros.

 

Ele lembra que foi ali que Paulo de Tarso pregou, enfrentando tumultos e resistência. E mais: foi ali que João, o discípulo amado, teria levado Maria para viver os últimos anos de sua vida terrena. A pequena casa nas colinas de Éfeso, hoje venerada por milhões, é um ponto de intersecção entre história e fé. “Tudo fala do Eterno Amor que aqui tocou a terra”, escreve Adílson. É um lugar onde até os que não compartilham da fé cristã sentem algo que não se explica por lógica, mas por reverência.

 

O texto, escrito com o fervor de quem reza em voz baixa, é também uma ode à universalidade de Maria. Católicos, ortodoxos e até muçulmanos sobem aquelas colinas para prestar homenagem à Mãe do Profeta. “Ela mora, muito mais perto do que se possa imaginar”, escreve o padre, apontando que a verdadeira morada de Maria é o coração de seus filhos. Éfeso, com sua grandiosidade vencida pelo tempo, não é mais um centro de comércio ou poder, mas se transformou em um santuário silencioso da memória divina.

 

Ao final, o sacerdote se curva diante da grandeza discreta da Mãe de Deus. Ele a invoca pelos muitos nomes com que os povos a conhecem: Teotokós, Auxílio dos Cristãos, Estrela da Nova Evangelização. O texto se encerra como começou — em oração — com a humildade de quem contempla, não para julgar, mas para amar. E a dedicação final, “a vocês, amados e amadas”, revela o coração pastoral de quem escreve não apenas para contar uma história, mas para convidar cada leitor a caminhar por aquelas ruas antigas, agora guiados pela fé.

 

Nessa visita espiritual a Éfeso, guiada pela pena de Padre Adílson Simões, entendemos que a verdadeira eternidade não está nas pedras, mas no testemunho que elas inspiram. E, sobretudo, na presença viva da Mãe Santíssima, que nunca deixou de habitar entre os seus.

 

efeso
efeso (Flávio/flaviojjardim.com.br)

 

Você precisa estar logado para comentar. Por favor, faça login ou crie a sua conta.

Ainda não há comentários para esta notícia. Seja o primeiro a comentar!

Veja também