Esse Estrangeiro Inquieto — Brasil e EUA Entre Choques e Diálogos
Era Março de 2025, e o mundo assistia perplexo ao ressurgir de uma política externa norte-americana abrupta, como um vento forte que sacode galhos já no limite. Do lado de lá, Donald Trump retornara à Casa Branca decidido a esculpir sua diplomacia com tarifas, sanções e farpas verbais. Do lado de cá, Lula, firme como uma raiz no solo que conheceu nascido, se preparava para enfrentar a tempestade.
Por Flávio José Jardim
atualizado há 1 ano
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Choque e Escalada
Primeiro veio o imposto de 10 % sobre produtos brasileiros, decretado pelos EUA como “proteção da indústria doméstica”. Logo se transformou num golpe mais forte: 50 % de tarifa em vigor a partir de 1º de agosto — atingindo café, carne, móveis, têxteis, frutas. Apenas alguns produtos estratégicos, como aviões da Embraer e suco de laranja, foram poupados.
Além disso, não houve apenas políticas econômicas. Trump impôs sanções via a Lei Global Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, juiz do Supremo Tribunal Federal. Foi mais que um tiro diplomático: uma tentativa de interferir diretamente na independência judicial brasileira.
A resposta brasileira
Lula reagiu com sabedoria e firmeza, rejeitando o jogo agressivo. Não houve retaliações imediatas com tarifas, mas foi lançado o plano “🇧🇷 Soberano”: um pacote de ajuda de 30 bilhões de reais (aproximadamente US$ 5,5 bilhões) a exportadores afetados, com crédito, diferimento de impostos e apoio a pequenos negócios.
Ao mesmo tempo, o Brasil recorreu à Organização Mundial do Comércio e aplicou sua nova Lei de Reciprocidade Comercial, sinalizando que podia — e sabia — responder a esse tipo de agressão.
O jogo político escala
Enquanto isso, em Brasília, a narrativa se firmava: Lula como guardião da soberania, enfrentando um intervencionismo que, paradoxalmente, fortalece sua popularidade.
No plano internacional, diplomatas brasileiros convocaram o encarregado de negócios dos EUA — não uma, mas três vezes — em protesto contra a intromissão no julgamento de Bolsonaro.
Diversos países da América Latina, União Europeia, China e Rússia demonstraram solidariedade ao Brasil. A OMC abriu um painel de consultas para tentar mediar o conflito.
Buscando um caminho de volta à normalidade
Analistas sugerem uma possível dissociação entre política e comércio: dialogar politicamente, mantendo canais abertos, enquanto se protege economicamente. A América do Sul — por meio de entidades como a Amcham Brasil — pede negociação pragmática, com foco no impacto real sobre empregos e cadeias produtivas integradas.
Além disso, há uma oportunidade estratégica para construir pontes em temas como energias renováveis, clima e mineração sustentável — pautas que ainda alimentam diálogos de alto nível entre os dois países
Resumo poético do momento atual
O Brasil foi golpeado de leve — mas não se dobrou. A resposta foi firme, preservando os canais diplomáticos. O comércio geme com tarifas, mas não desaparece. A política é dura, mas a urgência de diálogo é maior. Há fissuras, mas também corredores para reconstruções. No fim, ambos os países sabem: esse laço complexo ainda precisa de costura — e pode ser remendado com respeito, pragmatismo e visão de futuro.
Galba Macêdo
14/08/2025
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