🚔 Extorsão nas estradas: por que policiais do BPRV foram presos?
Trio de militares é acusado de cobrar propina de motoristas em Arcoverde, Buíque e cidades vizinhas
Por Flávio José Jardim
atualizado há 7 meses
Publicado em
A prisão de três policiais militares do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRV), ocorrida nesta quarta-feira (3) no Recife, expôs uma ferida grave no sistema de segurança pública de Pernambuco. Os agentes, que tinham como dever proteger a população e garantir a legalidade nas estradas, são acusados de transformar a farda em ferramenta de extorsão. As denúncias dão conta de que motoristas eram coagidos a pagar propinas para evitar a apreensão de veículos ou a condução à delegacia.
Segundo as investigações conduzidas pela Delegacia de Polícia Judiciária Militar, os policiais chegavam a parar carros-pipa com a desculpa de exigir um “laudo de qualidade da água”. O documento, que jamais existiu, era utilizado como pretexto para cobrar dinheiro de forma ilegal. Vítimas relatam que, em situações de resistência, os militares ameaçavam endurecer ainda mais as medidas, impondo um clima de medo.
A operação que levou à prisão dos policiais foi deflagrada no próprio batalhão, quando eles chegavam para assumir o plantão. De lá, seguiram direto para o Centro de Reeducação da Polícia Militar de Pernambuco (CREED), em Abreu e Lima, onde cumprem prisão preventiva. A ação contou com apoio da própria PM de Arcoverde, em um esforço para coibir práticas criminosas dentro da corporação.
A investigação começou com denúncias de motoristas que se sentiram lesados e resolveram romper o silêncio. Com base nesses depoimentos, a Justiça decretou as prisões preventivas, reconhecendo a gravidade das acusações e o risco de continuidade dos crimes caso os suspeitos permanecessem em liberdade. A apuração, contudo, ainda não terminou. Há indícios de que outros militares possam estar envolvidos.
Agora, os policiais enfrentam acusações de corrupção passiva e extorsão, crimes que mancham a imagem da corporação e reforçam a urgência de mecanismos de fiscalização interna mais rígidos. O caso corre sob sigilo judicial, mas já movimenta os bastidores da segurança pública em Pernambuco, com pressão por respostas rápidas.
O episódio levanta uma questão dolorosa: até que ponto a corrupção infiltrada em setores estratégicos mina a confiança da sociedade nas instituições? Para muitos motoristas sertanejos, a estrada deixou de ser apenas o caminho do trabalho ou do abastecimento. Tornou-se palco de abusos que agora, pela primeira vez, vêm à tona de forma contundente.
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