Filho de vereador assassinado dentro de casa
Sangue, tiros e mistério: filho de vereador assassinado dentro de casa em emboscada brutal no Sertão. Crime executado por grupo armado choca Serra Talhada e reacende lembranças de antigos episódios violentos envolvendo a família Gaia
Por Flávio José Jardim
atualizado há 11 horas
Publicado em
A violência voltou a estremecer o Sertão pernambucano com um crime cercado de tensão, disparos e muitos mistérios. Na manhã desta terça-feira, a zona rural de Serra Talhada foi palco de uma execução cinematográfica que deixou moradores da comunidade de São João dos Gaia em estado de choque. O alvo da ação foi Wellington Cledson de Araújo Izidório, de 38 anos, conhecido popularmente como “Etinho”, filho do ex-vereador Zé Dida Gaia, assassinado em 2019.
De acordo com informações repassadas por uma fonte ligada à Polícia Militar, Wellington foi surpreendido dentro da própria residência por um grupo fortemente armado. Pelo menos nove homens teriam participado da invasão. O imóvel se transformou em cenário de terror quando diversos disparos ecoaram pela comunidade rural, espalhando medo entre os moradores da localidade.
Testemunhas relataram momentos de desespero durante a ofensiva criminosa. Após a sequência de tiros, os suspeitos fugiram rapidamente tomando destino ignorado. Informações preliminares apontam ainda que dois integrantes do grupo teriam saído feridos durante a ação, levantando suspeitas de possível confronto ou reação no momento da execução. Até o fechamento das informações, nenhum suspeito havia sido preso.
O homicídio reacende um histórico de violência que já havia marcado profundamente a família Gaia. O pai da vítima, o vereador Zé Dida Gaia, também foi morto a tiros em 2019, no bairro Alto da Conceição, em Serra Talhada. O caso teve enorme repercussão à época e deixou feridas abertas na política e na segurança pública da cidade sertaneja.
Além do peso familiar, Wellington também carregava um passado cercado por processos e acusações. Em agosto do ano passado, ele foi levado a júri popular acusado de participação no assassinato do sargento da Polícia Militar Cícero Valdevino, morto em maio de 2022. O policial foi atingido por disparos de arma de fogo quando chegava ao próprio veículo, em um crime que causou grande comoção na região.
Após horas intensas de julgamento, que atravessaram todo o dia e avançaram pela noite, Wellington acabou condenado a 25 anos de prisão. Entretanto, informações divulgadas pela Vara Criminal indicavam que ele iniciaria o cumprimento da pena em regime domiciliar, decisão que gerou debates e repercussão nos bastidores jurídicos e policiais de Pernambuco.
Agora, com a morte de “Etinho”, investigadores trabalham para descobrir se a execução possui relação com vingança, acerto de contas ou conexões com crimes anteriores. A Delegacia de Homicídios deverá assumir as investigações, enquanto equipes policiais seguem em diligências para identificar os homens envolvidos na invasão armada.
O novo assassinato aprofunda ainda mais o clima de insegurança em Serra Talhada e amplia a preocupação da população diante da escalada da violência no Sertão. Em meio ao silêncio da zona rural, restaram marcas de sangue, medo e um enredo sombrio que volta a colocar a cidade no centro das páginas policiais de Pernambuco.
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