Francisco, Servo de Deus: Um Pastor que Parte para a Casa do Pai
Em meio a orações e lágrimas, Igreja se despede do pontífice que fez da simplicidade, da misericórdia e da paz os pilares de seu ministério
Por Flávio José Jardim
atualizado há 1 ano
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No coração do Vaticano, sob o céu que tantas vezes testemunhou suas preces, a Igreja Católica se prepara para o último adeus ao Papa Francisco, o pontífice do povo, do diálogo e da compaixão. Aos 88 anos, o 266º sucessor de Pedro encerra sua peregrinação terrestre e é acolhido na eternidade, como um servo fiel que não viveu para si, mas para os últimos, os pequenos e os esquecidos.
A Santa Missa Exequial será celebrada no próximo sábado (26), às 10h da manhã no horário local de Roma (5h de Brasília), no átrio da Basílica de São Pedro. A cerimônia será presidida pelo cardeal Giovanni Battista Re, decano do Colégio Cardinalício. Em reverência à sua humildade, Francisco recusou honrarias tradicionais e solicitou um funeral mais simples, como o de um pastor comum — fiel à sua vocação de discípulo de Cristo.
Antes da missa, o corpo do Santo Padre será exposto para visitação dos fiéis a partir da quarta-feira (23), na própria Basílica de São Pedro. Vestido com batina branca e manto vermelho — sinal do martírio espiritual vivido em defesa da verdade e da justiça —, o Papa repousa em um caixão de madeira simples, conforme ele mesmo havia determinado em reforma aprovada meses antes de sua partida.
A procissão de traslado do corpo partirá da Capela de Santa Marta, onde o papa residia, passando pelas praças Santa Marta e Protomártires Romanos. Com emoção contida, os sinos do Vaticano anunciarão sua entrada pela porta central da Basílica, onde será acolhido pela fé e gratidão de um povo que reconhece nele o bom pastor que deu a vida por suas ovelhas.
Ao término da celebração, Francisco será sepultado na Basílica de Santa Maria Maggiore, um local que tanto amava e onde rezava frequentemente antes de suas viagens apostólicas. O desejo de não ser enterrado nos túmulos dos papas no Vaticano ecoa sua vida de serviço simples, discreto e profundamente evangélico.
Francisco deixa um legado que vai muito além de decretos e encíclicas. Ele foi a voz que chorou pelos pobres, pelos migrantes, pelas vítimas da guerra e da fome. O Papa que, mesmo com dores físicas e crises de saúde, nunca deixou de estender a mão e de proclamar a misericórdia como rosto visível de Deus para a humanidade.
A cerimônia seguirá o rito do Ordo Exsequiarum Summi Pontificis, livro litúrgico reservado às exéquias papais. Durante a missa, haverá leitura do Evangelho e uma homilia centrada na espiritualidade de Francisco, marcada pelo amor à paz, à justiça social e ao cuidado com a Casa Comum, como expressou em sua encíclica Laudato Si'.
O pano branco que será colocado sobre seu rosto ao final da exposição é símbolo da pureza de coração com que viveu seu ministério. Francisco deixa esta vida não como um soberano, mas como um servo humilde e apaixonado pelo Evangelho, que, como o Cristo que serviu, esvaziou-se de todo poder para ser instrumento de luz e esperança.
A Igreja se despede, mas sua memória permanecerá viva nos gestos de ternura, nas palavras de coragem e no testemunho de fé de um homem que ousou reformar não apenas estruturas, mas corações. Francisco agora repousa em paz, e o mundo, embora em luto, se curva diante do Papa que ensinou a viver com mais amor, mais perdão, e mais verdade.
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