Política

GUILA, BORA PASSAR E O ENEM. O DIA EM QUE O SONHO GANHOU FÔLEGO

Guila Araújo, o Bora Passar e a força de uma juventude que insiste em vencer

Por Flávio José Jardim atualizado há 9 meses
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GUILA, BORA PASSAR E O ENEM. O DIA EM QUE O SONHO GANHOU FÔLEGO

O domingo amanheceu diferente em Pesqueira. Enquanto a cidade ainda se espreguiçava sob o sol de novembro, uma movimentação silenciosa, porém grandiosa, tomava forma nas portas das escolas: a nova geração caminhava rumo ao ENEM.

 

 Foi nesse cenário de ansiedade, fé e expectativa que Guila Araújo surgiu, carregando kits de água, caneta e chocolate — pequenos gestos, gigantes símbolos de esperança. O encontro com os estudantes foi marcado por abraços, conversas rápidas e uma energia vibrante, quase elétrica, típica de quem acredita no próprio futuro.

 

A entrega não ficou restrita ao grupo do Bora Passar. Guila e sua equipe estenderam o apoio a todos os jovens encontrados pelo caminho. Era impossível não perceber o brilho nos olhos de cada estudante, aquele brilho que antecede grandes viradas. Muitos desabafaram, riram, pediram bênçãos e contaram sonhos — sonhos que pareciam ganhar corpo ali mesmo, no asfalto quente das escolas de Pesqueira.

 

O Bora Passar, idealizado por Guila, nasceu em 5 de agosto de 2025 e se tornou um fenômeno instantâneo. Em menos de 24 horas, todas as vagas haviam sido preenchidas. O projeto virou referência, quase um movimento cultural, reunindo jovens de diferentes bairros em torno de uma promessa simples e poderosa: a universidade é possível. As noites de aula foram marcadas por cansaço, claro, mas também por convivência, risadas, superações e amizades improváveis.

 

Ao encerrar o cursinho, Guila escreveu que o Bora Passar havia transcendido o objetivo original e se tornado um espaço de transformação. E de fato, sua fala ecoou com força entre professores, voluntários e famílias. Para muitos jovens, o projeto foi a primeira oportunidade de acreditar em algo maior que a própria realidade. Uma das alunas, emocionada, resumiu bem: “Era mais que aula. Era esperança.”

 

A comunidade abraçou o projeto. De repente, o Bora Passar virou assunto em padarias, rádios locais e grupos de WhatsApp. O que se viu foi uma revolução silenciosa, feita de cadernos gastos, simulados intermináveis e vontade de vencer. Em cada estudante, havia um brilho novo — o brilho de quem, pela primeira vez, se enxergava capaz de passar.

 

Agora, com o fim das provas do ENEM neste 16 de novembro, o clima é de gratidão e expectativa. O Bora Passar cumpriu seu papel, mas o sonho que despertou seguirá vivo. Pesqueira respira um futuro promissor, costurado pelas mãos de jovens que não têm medo de tentar — e pelas mãos de quem acredita neles.

 

 

 

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