Guila Xukuru: A Voz Ancestral que Ecoa no Presente
Durante o Abril Indígena, o presidente da Câmara de Pesqueira reafirma compromisso com a luta dos povos originários e a Constituição.
Por Flávio José Jardim
atualizado há 1 ano
Publicado em
Na quarta-feira, 23 de abril, um símbolo de resistência tomou forma nas palavras e no gesto do vereador Guila Xukuru, presidente da Câmara Municipal de Pesqueira. Durante o evento “Abril Indígena: APIB somos todos nós em defesa da Constituição e da Vida”, promovido pelo NEABI no IFPE – Campus Pesqueira, Guila fez mais que um discurso: fez história.
Cercado por jovens indígenas de diferentes etnias — Xukuru, Pankararu, Pankará, Truká — ele lembrou ao país que a luta pela terra e pelos direitos não pertence ao passado. Ela pulsa, ainda, em cada batida de tambor e em cada artigo constitucional ameaçado.
A solenidade, carregada de simbolismo e emoção, teve como cenário o campus que hoje abriga o maior número de estudantes indígenas de todo o Instituto Federal de Pernambuco. Ali, onde ancestralidade e modernidade se encontram, Guila falou como quem sente o peso da responsabilidade histórica: “É aqui que se constrói o futuro, com identidade e consciência. E é nosso dever garantir que ele não seja apagado.”
O vereador destacou a importância de defender os direitos garantidos pela Constituição, cada vez mais ameaçados por políticas de retrocesso e discursos negacionistas. Para Guila, o Abril Indígena não é uma celebração qualquer, mas um alerta: “Nossa resistência é diária. Somos a memória viva de um Brasil que tenta ser silenciado, mas resiste com força e sabedoria.”
Filho do povo Xukuru, Guila conhece bem a dor da exclusão e o valor da luta. Sua presença no Legislativo municipal representa mais do que uma cadeira ocupada — é a ocupação simbólica de um espaço que historicamente foi negado aos povos indígenas. No evento, ele fez questão de ouvir os jovens, de sentar ao lado dos estudantes, de ouvir suas demandas e, mais importante, de validá-las.
Em tempos de intolerância institucionalizada, de ataques a territórios sagrados e ameaças à demarcação de terras, a atuação de Guila Xukuru se mostra necessária. Ele não fala apenas em nome dos povos originários — ele é, em si, a continuidade de uma história milenar que se recusa a ser extinta.
E em Pesqueira, essa resistência se materializa na juventude indígena que ocupa o espaço acadêmico, no corpo político que representa seus sonhos, e na voz que, em alto e bom som, ecoa do alto das montanhas sagradas: “Estamos vivos. E seguiremos lutando.”
Você precisa estar logado para comentar. Por favor, faça login ou crie a sua conta.
Ainda não há comentários para esta notícia. Seja o primeiro a comentar!