Investigação aponta acesso ilegal a sistemas da PF, MPF, FBI e Interpol por grupo ligado a banqueiro
A terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal, revelou novos detalhes sobre a atuação de um grupo investigado por acessar ilegalmente sistemas restritos de órgãos nacionais e internacionais.
Por Flávio José Jardim
atualizado há 2 meses
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De acordo com decisão judicial que autorizou a operação, integrantes da organização teriam conseguido acessar bases de dados protegidas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal, além de sistemas vinculados ao Federal Bureau of Investigation e à Interpol.
Segundo as investigações, o responsável pelas consultas e extração de dados sigilosos seria Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Felipe Mourão” ou “Sicário”. Ele é apontado como coordenador operacional de uma estrutura privada de vigilância chamada de “Turma”, criada para atender interesses ligados ao Banco Master.
Ainda conforme a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, Mourão teria utilizado credenciais funcionais de terceiros para acessar os sistemas protegidos, permitindo a consulta de informações sensíveis de autoridades, jornalistas e outros alvos considerados estratégicos.
A estrutura investigada estaria organizada em diferentes núcleos. No topo estaria o banqueiro Daniel Bueno Vorcaro, apontado como líder da organização. Segundo a PF, caberia a ele a definição de estratégias financeiras e a autorização de ações de monitoramento e intimidação.
Outro nome citado nas investigações é Fabiano Campos Zettel, cunhado do banqueiro, que teria atuado na viabilização de pagamentos e contratos simulados. Também é investigado o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, suspeito de utilizar sua experiência e contatos para obtenção de dados sigilosos.
As autoridades apontam ainda indícios de que Mourão receberia cerca de R$ 1 milhão por mês pelos serviços prestados ao grupo. A operação investiga crimes como organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro, crimes contra o sistema financeiro e possível obstrução de Justiça.
Em nota, a defesa de Vorcaro afirmou que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades e nega qualquer irregularidade.
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