LENDA VIVA | Sérgio Amaral morre e deixa legado cultural imensurável para Pesqueira e Pernambuco
Multi-instrumentista, artista de diversos ritmos, multipesqueirense. Morre o ícone maior do Carnaval Pesqueirense. Lira da Tarde sem Sérgio Amaral é impensável, mas homenagem deve ser realizada.
Por Flávio José Jardim
atualizado há 3 anos
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PESQUEIRA (PE) – A morte da lenda viva do Carnaval de Pesqueira, do multicultural Sérgio Amaral, deu um nó na garganta.
De certa forma, muitos esperavam pelo pior, mas a perda de Sérgio Amaral, um dos maiores ícones de todos os tempos do Carnaval de Pesqueira, foi lamentada por todos.
Talentoso e versátil, o artista era um ícone da cultura pesqueirense e um dos maiores carnavalescos que a região já produziu. Sérgio gravou clássicos de Valdir Bananeira, de Cláudio Almeida e de vários compositores, além de músicas próprias. Em “Nordeste Noves-Fora Nada”, Sérgio deu um grito em nome do povo nordestino, um povo mega cultural que vive e sobrevive aos tempos.
Sérgio Amaral morreu na madrugada desta quinta-feira (15 de dezembro), aos 61 anos. Durante sua surpreendente estadia na terra, Antônio Sérgio Rodrigues Barbosa, que nasceu no dia 08 de agosto de 1961, passou pelos principais palcos artísticos do cenário musical e da vida.
Foi candidato a vereador, goleiro (isso mesmo, goleiro de futebol), estudou filosofia, ator, musicista, intérprete, cantor e compositor. No Lira da Tarde, fez história.
O multiartista estava internado desde o final de novembro no Hospital Oswaldo Cruz (Recife). Desde o início do mês, sua situação piorou. Sérgio estava na fila de transplante de fígado e testou positivo para a covid-19. O quadro clínico agravou-se após a COVID e teve sérias complicações respiratórias. Estava na UTI, mas sua luta terminou nesta quinta-feira.

A VIDA E A OBRA
Sérgio Amaral participou de quase todos os movimentos culturais de Pesqueira. Percursor do verdadeiro carnaval-povão na cidade, lutou com unhas e dentes para manter viva a tradição do “Cachorro do Miúdo”, troça embrionária do gigante bloco Lira da Tarde.
Em vários veículos de comunicação, (falo agora na primeira pessoa), sempre escrevi que o Lira da Tarde era o “Galo da Madrugada do Agreste”, devido à multidão que arrastava pelas ladeiras e ruas de Pesqueira.
Inteligente, bem-humorado e crítico, o artista fazia arte com os olhos e a mente voltados para o social. Certa vez, durante uma apresentação, em cima do trio elétrico, gritou na frente de um camarote dizendo que “O Carnaval é povo”, deixando políticos atônitos e admirados.
Sérgio era um amante da boa música e gostava da boemia. Benito de Paula, Tim Maia (Bons momentos eu passei – Lembra, Pio Bananeira?), Luiz Gonzaga, Alceu Valença. Canções consagradas viravam o mais belo som acústico para amigos sorverem drinks.
TRISTEZA
A notícia da morte de Sérgio Amaral foi anunciada por familiares e a esposa. Nas redes sociais, muitas, muitas mensagens.

O Delegado Rossine, amigo pessoal de Sérgio escreveu:
“NOTA DE PESAR PELO FALECIMENTO DE SÉRGIO AMARAL DO LIRA DA TARDE:
O Lira da Tarde que leva milhares de foliões às ruas de Pesqueira, no Agreste, que foi fundado em 1938, está de luto. O bloco que sai sempre às 16h dos três dias de carnaval, em nossa querida Pesqueira perde o seu Maestro, o Carnavalesco Sérgio Amaral, que era filho de um dos fundadores e comemorava a união dos brincantes sempre lado a lado com o povo.
Sérgio fará muita falta. Pesqueira e o Lira da Tarde se curvam em agradecimento à sua trajetória e por tantas alegrias que nos concedeu ao longo de sua vida e dedicação à cultura popular e ao Carnaval tradicional de nossa cidade.
Registro nossos sinceros votos de sentimentos a toda a família e aos amigos. Que Deus conforte a todos! Sua obra vive! A cultura perde um Ícone, mas sempre será inspiração para as novas gerações. Vai com Deus Sérgio!”.
DELEGADO ROSSINE
Já o amigo e Poeta Pau-de-Lata, como se denomina Chico Farias, escreveu:
“Cacique do Frevo”...
“A lira a tarde deixa o nosso estandarte
de luto a perpetuar a nossa saudade...
Deixas ecoando Amaral tua voz descendo
e subindo aos céus...
Cacique do Frevo para fazer a folia na paz celestial.
Viva o frevo, viva o Carnaval
Viva o Lira da Tarde
Viva Sérgio Amaral.

Chico Farias, Poeta Pau-de-Lata
Jerson Bananeira contou que Sergio Amaral foi goleiro de futebol
“Conheci Sérgio Amaral no ano de 1978 quando jogávamos juntos no Cruzeiro de Tião. Ele era nosso goleiro, juntamente com meu irmão mais velho, Luciano, e daí surgiu essa amizade que perdura até hoje.
Em 1980, Sérgio Amaral enveredou pela carreira musical, de grande sucesso na nossa região, e nossa amizade permaneceu firme e forte. Sempre que nos encontrávamos fazíamos uma alegria, uma festa. Infelizmente, chegou o dia de Serjão partir, nos deixou muitas saudades e espero que Deus o tenha”.
Jerson Bezerra de Carvalho (Jerson Bananeira)

O Colégio Santa Doroteia enviou mensagem de Pesar pela morte de Sergio Amaral. Veja abaixo.

Veja abaixo algumas reportagens com Sérgio Amaral.

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