Sociedade

LUTO | A Saga de Raquel Lyra

“Os ventos da mudança vão soprar para longe as injustiças. Que vença o melhor projeto”.

Por Flávio José Jardim atualizado há 3 anos
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LUTO | A Saga de Raquel Lyra

TEXTO: Fillipe Vilar

FOTO: @americonunes 

FOTO: Alexandre Aroeira

CARUARU (PE) - A cena inicial é forte. Raquel Lyra abraçada com seu filho, os dois chorando copiosamente durante o sepultamento de Fernando Lucena, seu marido, falecido naquele dia de eleição. Corneteiros tocavam um lamento, que entrava pelos ouvidos que se amontoavam ao redor do jazigo da família. Enquanto isso, a apuração dos votos havia começado.

Raquel, naquele instante, lembrava Maria Falconetti em O Martírio de Joana D'arc. Nada se compara àquela dor profunda. Durante a campanha, Raquel, enrolada na bandeira de Pernambuco, também lembrava Joana. Uma mulher de luta e fé. A menor chapa dentre as competitivas, brandindo a bandeira de seu currículo e suas parcerias pelas estradas do estado.

Nas agendas de rua, a cor roxa, a escolhida para representá-la, era interpretada como uma espécie de vaticínio de vitória. Tal qual uma visão, assim como tinha Joana. Raquel teve os seus cavaleiros: principalmente Priscila Krause e Daniel Coelho. A primeira sacrificou uma reeleição certa para a Alepe para ser a vice. O outro, colocou em risco o mandato de deputado, considerado por sete anos seguidos como o melhor de Pernambuco, para consolidar o projeto de Raquel no parlamento federal.

Ao centro, num país polarizado, sua candidatura atraiu eleitores de todos os segmentos. Formada na esquerda, Raquel foi secretária de Eduardo Campos em tempos idos e áureos. Ao centro, conseguiu se firmar como protagonista em sua terra natal, Caruaru. De lá, irradiou. Fez o caminho mais difícil. No Recife, venceu ela. À frente de candidatos recifenses.

A principal adversária, Marilia Arraes, agarrada desde o início com o tema de ser a representante de Lula, mesmo sendo do partido de Paulinho da Força e ter como candidato ao senado André de Paula, se coloca como a verdadeira representante da esquerda. E tenta impor a pecha de bolsonarismo em Raquel. Joana D'arc terminou na fogueira pela pecha de bruxa que lhe foi dada. Em uma França medieval, era esse o destino das mulheres que lutam. O Pernambuco de 2022, contudo, não será um tribunal do Santo Ofício. Os ventos da mudança vão soprar para longe as injustiças. Que vença o melhor projeto.

FOTO: ALEXANDRE AROEIRA

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